28
Fev 11
publicado por Tempos Modernos, às 23:27link do post | comentar

 

 

Colin Firth ganhou o Óscar de Melhor Actor Principal com O Discurso do Rei - onde protagoniza o Rei Jorge VI, pai de Isabel II e gago.

 

Já se sabia. Hollywood tem este hábito.

 

Assim de repente, nos últimos 25 anos, desde 1986, a surda-muda Marlee Matlin foi a Melhor Actriz Secundária em Filhos de um Deus Menor. Dois anos depois, Dustin Hoffman armava-se em autista, com Rain Man. Bingo novamente, com o Óscar de Melhor Actor Principal.

 

No ano a seguir, em 1989, O Meu Pé Esquerdo serviu para dar o primeiro Óscar de Melhor Actor a Daniel Day-Lewis. Mal se mexia, mas fazia muitas caretas. Em 1992, um tenente-coronel cego garantiu a Al Pacino um Óscar sete vezes adiado. Foi em Perfume de Mulher. E podia continuar-se com outros actores mais ou menos afastados da dita normalidade.

 

Mal a coisa cheira a pessoa com alguma deficiência, a Academia premeia.

 

Tenho uma ideia para um guião mas não divulguem. Mete um porco bebé sem um dos presuntos. Garanto-vos que se não arrecado o prémio para o melhor filme, ao menos o leitão traz o Óscar para casa.


publicado por Tempos Modernos, às 22:03link do post | comentar | ver comentários (1)

O gmail perdeu as mensagens de cerca de 150 mil utilizadores.

 

Terror de perder milhares de registos da minha vida nos últimos anos.


27
Fev 11
publicado por Tempos Modernos, às 10:04link do post | comentar

 

 

Loureiro dos Santos foi o último Chefe do Estado-Maior do Exército a demitir-se por questões políticas. Foi nos anos em que Cavaco andava às voltas com a lei dos coronéis.

 

 

General de quatro estrelas, oriundo da arma de Artilharia e ex-ministro da Defesa é também dos poucos comentadores de relações internacionais e assuntos militares que faz sentido ouvir. Os seus pontos de vista não costumam vir alicerçados em pré-conceitos vagamente bebidos entre os spin-doctors da moda. 

 

Tem também a vantagem de ser fiavelmente fiável, ao contrário dos outros fiavelmente infiáveis.

 

Acusa o embaixador americano de ignorância e de ser um homem de mão de Bush Filho, ressabiado com o facto de os EUA terem sido preteridos a favor de consórcios europeus na compra de material militar.

 

As declarações não contestam os brutais custos dos submarinos nem a névoa em redor deste negócio.

 

Até ver, a participação portuguesa em missões internacionais pode ter contribuído para a nomeação de Durão Barroso para a presidência da Comissão Europeia e dado, diz-se, prestígio interncional. Nada que acalme as agências de rating ou os credores alemães e holandeses. 

 

E o Verão anuncia-se bem mais duro que os últimos Invernos.


26
Fev 11
publicado por Tempos Modernos, às 23:05link do post | comentar

 

Quando o ministro da Defesa Paulo Portas resolveu comprar os submarinos Tridente a sua assessoria de imprensa anunciou a coisa com uma gracinha.

 

 

A citação é feita de cor mas era algo do estilo "Portas poupa uma data de milhões de euros na compra dos submarinos", decidida pelo Governo de António Guterres.

 

Quem pensou que Portas conseguira um abatimento, ou um desconto, logo se desenganou. O soundbite era obviamente falacioso, pois o presidente do PP decidira comprar apenas dois submarinos, em vez dos três previstos por Guterres.

 

Um bocado como o tipo que vai ao supermercado buscar bifes de peru para a família de quatro elementos e depois se gaba à mulher de que poupou dinheiro por apenas ter trazido três peças de carne. Mas nada que a suave imprensa nacional não engolisse.

 

Muita conversa depois, contrapartidas em parte incerta e fornecedores alemães escolhidos de forma polémica prossegue o bruá em torno dos submarinos.

 

Desta feita o semanário Expresso cita um telegrama divulgado pela Wikileaks. Nele, Thomas Stephenson, embaixador em Lisboa entre Novembro de 2007 e Junho de 2009, acusa Portugal de sofrer de um complexo de inferioridade e de, por uma "questão de orgulho", ter o "desejo" de "brinquedos caros" e pouco úteis.

 

Antes de a Segurança Social reforçar a vigilância dos descontos feitos pelos recibos verdes – numa grande percentagem precários e falsos profissionais liberais – não se podia hipotecar os salários e bens dos governantes e ex-governantes envolvidos no negócio dos submarinos?


25
Fev 11
publicado por Tempos Modernos, às 09:46link do post | comentar

Aristóteles dizia -- eu tenho uma forte vocação citadora -- que todo o ser humano procura saber mais. Faço por isso, e sou igualmente preocupado com o saber dos outros.

 

Tenho pois, e também, uma forte vocação didática, nem sempre bem compreendida.

 

Ontem ligou-me uma rapariga. Perguntou-me primeiro com quem estava a falar e disse-me depois que lá no sítio onde trabalhava iam fazer publicidade no órgão de comunicação social com o qual colaboro quase exclusivamente. Disse mais. Queria saber se nós não poderíamos dar um bocado mais de destaque à peça que fizéssemos sobre aquilo que estava a querer promover.

 

Respondi-lhe que começava mal o discurso. Que é contraproducente acenar com publicidade a um jornalista para escrever sobre algum assunto.

 

Ela não percebeu. Tive de lhe explicar o código deontológico que a classe segue. Estranhou.

 

Que já tinha falado com órgãos da concorrência e ninguém levantara objecções.

 

Das duas uma. Ou as redacções estão cheias de gente que não se deixa abalar por relações públicas sinceramente convencidas de que os critérios editoriais são guiados pela publicidade, ou então mais ninguém se dá ao trabalho de explicar algumas coisinhas que deviam ser de senso comum.


24
Fev 11
publicado por Tempos Modernos, às 16:20link do post | comentar

Quod erat...


publicado por Tempos Modernos, às 12:44link do post | comentar

No Expresso Emprego -- a parte mais lida do grosso semanário de Pinto Balsemão -- o espanto é imenso. A mim o que admira é ter sido preciso os Deolinda fazerem uma canção para os jornais acordarem.

 

Falam dos diplomados precários e espantam-se. Dizem eles que o "número de licenciados desempregados ou com vínculos de trabalho precários mais do que duplicou numa década. Depois de anos em silêncio, eis que a música inspirou toda uma geração a sair à rua."

 

Mas esta gente não vive nos jornais onde todos os meses os estagiários curriculares são substituídos por outros igualmente sem remuneração?

 

Em estágios onde na esmagadora maioria parte dos casos não se ensina nada?

Em processos onde se verifica que quem chega das escolas de ciências da comunicação está completamente impreparado, embora os arautos da coisa digam que nunca se fez tão bom jornalismo?

 

Não vivem nos mesmos jornais onde os novos jornalistas são ensinados a estar calados para renovarem o contrato? 

Treinados a trabalhar meses e meses a fio, durante mais de dez horas diárias, e para várias secções em simultâneo, se quiserem ser apreciados? Sem tempo para aprofundarem seja o que for? 

 

Para no final, se souberem calar-se, a recompensa vir brunida pelo salário mínimo ou por pouco mais?

 

Hipócritas é o que somos.

 

 

 

 

 

 

 

 


23
Fev 11
publicado por Tempos Modernos, às 21:37link do post | comentar

Zeca -- que até foi professor de um dos meus irmãos -- morreu em 1987. Também a 23 de Fevereiro.

 

Venham mais Cinco, gravado em 1973, é o meu álbum preferido dele.

 

Que Amor Não Me Engana deve ser a única canção óbvia de amor escrita por Zeca. E daí talvez não.

 

 

 

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 14:22link do post | comentar | ver comentários (2)

O dia é bom para voltar.

 

Em Espanha, assinala-se mais um aniversário do 23-F. O trigésimo. Em 1981, as Cortes eram invadidas pelo tenente-coronel António Tejero e temeu-se o regresso à ditadura franquista.

 

Não regressou, embora nem tudo seja cristalino na forma como os sucessivos executivos espanhóis lidaram desde então com a causa dos Direitos Humanos. Para não ir mais longe, o PSOE ficou manchado pelo caso GAL e o PP pela participação na invasão do Iraque. Seja como for, os países andam na Terra condenados a (des)entenderen-se.

 

Em Portugal, a procupação com os Direitos Humanos já teve melhores dias. Ontem, o jornal Público denunciou a tortura e maus-tratos a que foi submetido um detido no Estabelecimento Prisional de Paços de Ferreira. O homem estava em acompanhamento psiquiátrico e pelos vistos chamaram o Grupo de Intervenção de Segurança Prisional (GISP) para lhe aplicar os electrochoques.

  

A julgar pelas observações online das caixas de comentários e lixo dos mais diversos órgãos de comunicação social, a turba é a favor do método. Era útil que alguém mostrasse coragem.

 

Alberto Martins, ministro da Justiça, irá ao parlamento quando o inquérito interno estiver pronto. Parece. 

 

Pelos vistos, o homem que fez frente a Américo Tomás já lamentou a cena. Mas é pouco. Alguém devia explicar a Nuno Magalhães  -- deputado do PP e antigo secretário de Estado da Administração Interna -- devagarinho, a ver se ele percebia,  que nem é preciso grande sensibilidade para perceber o que é uma violação dos Direitos Humanos. 


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