30
Nov 11
publicado por Tempos Modernos, às 20:47link do post | comentar | ver comentários (1)

 

"A literatura, que é a arte casada com o pensamento e a realização sem a mácula da realidade, parece-me ser o fim para que deveria tender todo o

esforço humano, se fosse verdadeiramente humano, e não uma superfluidade do animal."

 

Bernardo Soares, Livro do Desassossego


29
Nov 11
publicado por Tempos Modernos, às 21:15link do post | comentar | ver comentários (2)

 

Mário Soares anuncia o fim do neo-liberalismo, como já antes anunciou o do comunismo.

 

Apenas insiste na sobrevivência da social-democracia cujo falhanço exemplar, e colagem às ideias neo-liberais, desculpa com a contaminação da terceira via blairiana.

 

Mas o carácter essencial da social-democracia não radicou sempre nessa procura de um caminho terceiro, de um lugar intermédio?

 

 

 

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 20:00link do post | comentar | ver comentários (1)

 

A contas com uma opinião pública envenenada pela história, pelo medo insano da inflação e por um infundado sentimento de superioridade, Angela Merkl é a mulher errada no momento errado.

 

Manifestamente, não sabe o que fazer quando tudo arde em seu redor. Quando já toda a gente viu (até à Direita a quem a crise serve) por onde vão euro e Europa. Manifestamente, o continente está falho de líderes como Mário Soares lembra mais uma vez.

 

A mediocridade convive mal com a diferença. Conseguiu evacuá-la de tudo que é lugar de influência. Os que resistem ou levantam a voz têm mau feitio ou defeitos piores. Ainda por cima a vitória da razão não põe comida na mesa. Por sobre a mediania apenas se ouvem as vozes dos que remam para o mesmo lado: os barretos, os medinas carreiras ou os pulidos valentes.

 

Frau Angela Merkl não é uma líder, empurra com a barriga. Faz apenas o que a mandam fazer. Não tem o conforto das ideias próprias, nem a inteligência para pereceber que talvez não esteja certa contra a realidade que a bate com a teimosia de uma onda.

 

Não tem sequer a desculpa de remar contra uma ideia que outros sabotam e minam. Não. Angelka Merkl navega no barco que construiu. No meio das ondas que ela própria vai soprando.

 

Num outro contexto, o de Eichmann em Jerusalém, Hannah Arendt teorizou sobre a banalização do mal. Sobre aquele grupo de gente que, apanhada numa cadeia de comando, se desculpou com o cumprimento de ordens para o facto de ter de assassinado e torturado.

 

As voltas da história apanham Angela Merkl como figura do meio numa outra hierarquia de poder. Uma força de outra ordem e carácter, com outros métodos e excessos mas que também anda às voltas com o medo e a destruição.

 

A chanceler alemã manda tanto como aqueles gauleiters que William Holden desconsiderava em O Inferno na Terra. E está tão destinada ao fracasso como os militares interpretados por Sig Ruman em filmes de Wilder ou de Lubitsch. Infelizmente não tem um décimo da sua graça.

 

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 08:31link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Por razões que pouco vêm ao caso tenho andado ocupado com a Poética, a Metafísica, a Física e a Ética a Nicómaco, obras deixadas por Aristóteles.

 

É impossível não perceber que o mundo em que vivemos assenta nas costas largas* do filósofo estagirita.

 

Quando se lê as reflexões que tanto político, comentador e jornalista tem produzido nos últimos anos percebe-se como a filosofia grega é mais merecedora de atenção do que a alemã.

 

 

* Sim, eu sei que Πλάτων é que remete para as costas largas.

 

 


26
Nov 11
publicado por Tempos Modernos, às 12:30link do post | comentar | ver comentários (1)

Mário Soares encabeçou esta semana o manifesto Por um Novo Rumo, onde se juntam várias pessoas próximas do que será a esquerda socialista.

 

O antigo Presidente da República, sempre pragmático, esteve várias várias vezes a par dos caminhos que as coisas tomaram na Europa e que aqui nos conduziram. Com Maastricht, embora até defendesse o referendo, não foi suficientemente claro. No essencial, embora contestando modos e contornos, pareceu sempre ter visto esses mecanismos de integração como males menores.

 

Provoca um travo amargo vê-lo dizer que "A UE acordou tarde para a resolução da crise monetária, financeira e política em que está mergulhada". O excesso de pragmatismo às vezes engole-nos a alma.

 

 

 

Nota: Até apetece pegar na frase-gancho do presidente da JSD: "O vosso manifesto chega bastante atrasado." Mas só nessa, nada mais daquilo que diz é aproveitável. Não foi sempre o PSD co-responsável pelas mesmas políticas e orçamentos por muito que tente passar a ideia contrária? É que Catroga era ministro de Cavaco quando lançou a primeira parceria público-privada e foi com Cavaco que a Função Pública tanto engordou. E com Barroso e Santana nada mudou no cuore das políticas laranjas.

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 12:06link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Os mesmos jornais que usam expressões como colaborador em vez de trabalhador ou emagrecimento em vez de despedimento, estigmatizam algum tipo de linguagem que consideram velha e relha.

 

Como lembrava há tempos, na Visão, Ricardo Araújo Pereira, um dos mais lúcidos analistas políticos da praça, "um insulto na boca dos credores é realismo económico, na boca dos devedores é primarismo económico". "Os mercados além de deterem o capital financeiro, detêm ainda o capital semântico. Tudo que seja capital eles açambarcam", dizia ainda.

 

Medeiros Ferreira, cuja prosa é habitualmente temperada pela ironia breve, compacta e eficazmente cirurgica, também já se lança nos terrenos do comentário explícito. O pretexto são as questões lançadas no manifesto que esta semana co-assinou: "São temas de outras eras como despudoramente ouvi repetir ao longo do dia pelos modernaços do comentário? Quem dera... "

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 11:57link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Anda por aí uma iniciativa para promover uma auditoria cidadã à crise. Uma acção fora dos habituais circuitos ideológicos das consultoras contratadas pelos partidos.

 

Os publicistas do arco da governação não se cansam de afirmar que o que interessa não é apurar culpados, mas sim resolver a crise.

 

De certa forma, D. Manuel Martins - contra a corrente na Igreja - vem lembrar que a Deus interessa o que é de Deus e a César o que é de César.

 

O bispo emérito de Setúbal afirmou ontem, no Barreiro, que “os responsáveis pela crise económica deveriam ser desmascarados”.

 

Ou por outra, não devemos ficar à espera de um eventual castigo divino pelos pecados cometidos cá em baixo. Só assim, estes deixarão de aproveitar aos seus autores.


publicado por Tempos Modernos, às 11:48link do post | comentar | ver comentários (1)

 

No dia da greve, Ângelo Correia, ministro das polícias da AD, acusou Wall Street de fazer guerra ao Euro.

 

Hoje, o Correio da Manhã faz título com "Radicais estrangeiros atacam Portugal", dando conta da detecção de uma rede que aproveita a crise para lançar caos social tendo até levado à criação de uma Task force da PSP e da PJ.

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 10:06link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Durante toda a Idade Média e a Época Moderna, os príncipes eram detentores de uma legitimidade divina para governar os povos.

 

Não era cá essa coisa pífia da legitimidade do voto pessoal. Era uma legitimidade concedida pelo Omnipotente, pelo Omnipresente e, mais importante, pelo Omnisciente.

 

No entanto, toda a tratadística e a ciência política da época enquandrava o direito dos povos a remover o príncipe caso este não fizesse um bom governo.

 

No fundo, foi o que sucedeu na Itália e na Grécia. Não se recorreu à legitimidade dos votos para trocar o mau governante, mas a uma acção externa à legitimidade eleitoral.

 

Não foram foi os povos a decidir, mas uma nova forma de omnisciência - omnipotente e omnispresente.

 

De certo modo, a coisa funciona agora de modo circular. E sabe-se como os círculos são perfeitos.

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 09:29link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Para já, os mesmos jornais que não souberam informar que vinha aí uma crise sossegam-nos quanto aos riscos dos mosquitos portugueses.

 

Parecem esquecer-se de que o paludismo nos arrozais portugueses foi endémico e que até se trouxeram escravos africanos para os trabalhar, por estarem mais habituados aquele tipo de mosquitagem.

 

Os campos do Mondego, do Soraia, Setil, Muge, Alcácer do Sal, Palmela são alguns dos sítios a pôr sob vigilância. O Carvalhal e a Comporta, às portas do empreendimento turístico de Tróia, talvez tenham mais sorte.


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