28
Dez 11
publicado por Tempos Modernos, às 09:49link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Martelada pelo génio criativo de Relvas, Miguel, a reforma autárquica (pdf) do Governo do PSD-CDS/PP faz-se de voluntarismos e esquecimentos.

 

No distrito de Santarém, por onde o ministro tem sido eleito para a Assembleia da República, prevê-se a extinção de 67 freguesias. E mesmo não tendo o Ribatejo os níveis de bairrismo do Minho, jornais regionais prevêem que muitas fusões não se farão sem dispêndio de energias conflituais.

 

Curiosamente, fica de fora o Entroncamento, com escassos 14 quilómetros quadrados, eminentemente urbanos, e 20 mil habitantes. Município recente, criado em 1945, é, desde 2001, liderado pelo PSD e contou, até 2005, com apenas uma freguesia.

 

Apesar do impacto residual, se há sítio onde uma concentração autárquica fazia sentido era aqui. Embora a duplicação possa servir clientelas políticas locais (e até religiosas; veja-se o empenho de José Luís Borga no baptismo da nova freguesia como Nossa Senhora de Fátima) não se percebe muito bem a necessidade de divisão e nem sequer a sua utilidade para as populações.

 

Pensada por Relvas, a mata-cavalos, na solidão lisboeta, a reforma autárquica do Governo PSD-CDS/PP mistura alhos, bogalhos e esquece-se dos casos óbvios que podiam olear um processo delicado.

 


24
Dez 11
publicado por Tempos Modernos, às 08:24link do post | comentar | ver comentários (1)

23
Dez 11
publicado por Tempos Modernos, às 17:33link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Depois de 48 anos à espera que a Ditadura caísse, Portugal recebeu a revolução com cravos e com a poesia na rua. Acreditou-se que não voltaríamos atrás.

 

Doze anos depois, com a entrada na CEE, parecia que era sempre a crescer. Que a vida era fácil, como diz o outro assobiando para o lado.

 

Ao longo de quase um século, o país passou incólume pela ideia de que a História tem retrocessos. Nunca fez o luto das ideias iluministas de progresso como o fizeram os europeus das duas guerras mundiais.

 

Pensou-se que a prosperidade viera para ficar. Que a liberdade também. Mas este ano, de 2011, qualquer semelhança entre o governo da União Europeia e uma democracia foi pura coincidência. Viveu-se já em pós-democracia.

 

Os mais atentos sabem que a coisa já aí anda há muito, larvarmente, mas a agora, a insuspeita The Economist fez tinir o alarme. De acordo com a classificação da revista, Portugal deixou de ser uma Democracia Plena. Passou a ser uma Democracia com Falhas, muito por conta do mandato da troika e das perdas de soberania associadas ao colapso eminente da zona Euro. Outros países se lhe seguirão.

 

E se entre os responsáveis eleitos, não se vê quem deite mão a isto, os eleitores não parecem tão preocupados quanto a situação exige. Talvez caiam em si quando a reposição da democracia tiver de ser feita a doer. Conheço muitos com quem não se vai poder contar.


22
Dez 11
publicado por Tempos Modernos, às 14:58link do post | comentar | ver comentários (1)

 

A expressão pública da PSP parece ter embarcado num registo a meio caminho entre o amadorismo e a guarda pretoriana.

 

Depois de uma série de contradições em relação às intervenções da polícia durante a última greve geral, e da publicação de mensagens pueris numa rede social, vem agora apelar à cooperação dos jornalistas para pressionarem magistrados.

 

Tanto tiro amigo em quem tem de proteger a lei, transforma defeito em feitio. Pela memória que existe sobre os comportamentos da tutela, Miguel Macedo nada deverá fazer. Mas devia.

 

Felizmente, há jornalistas dispostos a curto-circuitar o processo. Até mesmo, como é o caso, correndo o risco de criar atritos num sector preferencial da sua cobertura.

 

O pior é saber-se que, muitas vezes, este tipo de relação é alimentada pelos próprios jornalistas, como mostrou bem recentemente a história estapafúrdia de Joe, o Estripador de Lisboa.


18
Dez 11
publicado por Tempos Modernos, às 08:45link do post | comentar | ver comentários (3)

 


publicado por Tempos Modernos, às 08:42link do post | comentar | ver comentários (1)

Subscrevo de uma ponta a outra este post dos Ladrões de Bicicletas. E em relação a quem fez a escolha ainda repito o que já antes escrevi

 

Com exemplos como este, de Isabel Vaz, bem pode Maria de Belém Roseira embarcar no habitual e disseminado discurso sexista e paternalista sobre uma especificidade feminina no mundo empresarial.


17
Dez 11
publicado por Tempos Modernos, às 17:59link do post | comentar | ver comentários (1)

 

No início dos anos 1960, Cize gravou as primeiras canções na Rádio Barlavento, no Mindelo.

 

Andam por aí os registos quase primitivos dessa Cesária de 20 anos. Entre outras canções, primitivas e preciosas, as coladeras de Gregório Gonçalves e as mornas do mítico B.Leza, desaparecido em 1958.


16
Dez 11
publicado por Tempos Modernos, às 17:56link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Não entendo uma civilização que mantém em lugares de responsabilidade, gente que sistematicamente escorrega para as comparações e comentários xenófobos e malcriados.

 

Ao equiparar a alcoólicos os países com dívidas, Jens Weidmann, presidente do banco central alemão, é apenas mais um entre os muitos que se divertiram a crismar os países do sul com o ofensivo acrónimo PIIGS.

 

Em português de lei, existe um nome que assenta como uma luva aos racistas. Infelizmente não se pode usar sem correr o risco de ser processado.

 

Nestas alturas lembro-me sempre do euro-deputado que se viu forçado, por Carlos Pimenta, a pedir desculpa aos portugueses por se lhes ter referido como mafiosos. Outros tempos, outros laranjas.


publicado por Tempos Modernos, às 17:07link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Durante anos, os jornais impingiram-nos José Sócrates como o grande primeiro-ministro reformador de que Portugal precisava.

 

A maioria dos directores, comentadores e opinião publicada avaliava a bondade das suas propostas em função da agressividade mostrada e do gosto pelo confronto. Era impossível governar-nos, bando de madraços, sem pulso de ferro. A velha história de que não nos governamos, nem nos deixamos governar.

 

As tendências dos jornais medem-se pelas escolhas editoriais. O espaço em redor da publicidade, é preenchido a gosto dos critérios jornalísticos, blindados pelas escolhas de chefias, temerosas de arriscar salários. Os artigos e notícias podem ser objectivos, mas retratam apenas e só o que alguém considera noticiável. Sem grandes ondas que isso de informar antes do tempo não é para levar a sério, cima cria mau ambiente e, dizem especialistas, não vende papel.

 

Depois, mudaram os tempos. Os interesses continuaram os mesmos e Sócrates tornou-se o alvo a abater. Com o mesmo rigor e preconceito com que antes endeusaram Sócrates (honesto, e mostrando-se disposto a voltar a errar, um antigo editor meu confessava recentemente que se enganou várias vezes quando escreveu em defendesa do ex-primeiro-ministro), atiraram-no fora com a fama de ter feito ainda mais mal ao País do que aquele que os torresmos fazem às veias.

 

Ignorantes da História e do que diziam economistas fora do baralho, como João Ferreira do Amaral, esqueceram-se de noticiar que a situação era explosiva, que havia uma crise ao virar da esquina.

 

Agora imolam um socialista, Pedro Nuno Santos, por, num arrobo raro nos partidos do arco da governação, se mostrar mais preocupado com os portugueses em dificuldades que com os juros usurários a que estamos obrigados e que nunca na vida conseguiremos pagar

 

Quando é que os jornais trocarão a indignação fácil e as ideias feitas com que ajudaram a perder o país? É que aos jornalistas não cabe serem responsáveis nem educarem o povo, cabe-lhes sim informar.

 

Nota: Entre o não saber o que pensar, a discordância ou o receio de desagradar a quem faz a opinião pública, o PS oficial assobia para o lado.


14
Dez 11
publicado por Tempos Modernos, às 08:20link do post | comentar | ver comentários (2)

Se o Governo não negociar com a troika a ampliação do prazo de três para seis anos, não vejo como é que será possível” fazer o ajustamento macro económico acordado com a tróica.

 

Por acaso, é o mesmo que se diz aqui desde 23 de Fevereiro. É também o mesmo que muitos dizem há mais tempo. E a partir de agora o que vem afirmar o profético Medina Carreira, único orador que a Ordem dos Economistas soube encontrar para um encontro sobre o tema A Decadência do Ocidente.

 

 

 

 

 


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