28
Fev 13
publicado por Tempos Modernos, às 11:43link do post | comentar

 

(foto: this-present-crisis.blogspot.pt)

 

Com aquela segurança arrogante que dão a falta de cultura e de inteligência, Camilo Lourenço afirmou há uns dias no canal público que as universidades formam gente que não serve para nada, por exemplo continuando a ministrar cursos de História.

 

Há, primeiro, a óbvia dificuldade de até em informática ser impossível prever o que faz e o que deixa de fazer falta. É impossível  formar para um mercado que continuamente deixa de ser o que era, tão estarrecedora é nalgumas áreas a velocidade a que tudo muda. Há também a questão da liberdade de escolha que a direita tanto diz defender.

 

Depois, na Economia, onde se acabou com a disciplina de História Económica na maioria dos cursos de primeiro ciclo, talvez se fizesse menos asneiras se se conhecessem os contornos de outras crises da humanidade. Atendendo aos resultados, não se vêem, aliás, cursos mais inúteis que os de Economia, de onde saem Gaspares e outros promotores do erro e da mediocridade aviltante.

 

Mas isso são só questões utilitárias. Há depois a questão de fundo que, por muito que se esforecem, as alminhas eugenizadoras como as de Camilo Lourenço nunca compreeenderão. O homem não anda na vida para trabalhar para o mercado e para a banca. A vida não é um campo de trabalho forçado onde se procure sempre produzir mais, para criar mais dinheiro. Um desígnio fascizante, promotor de um homem máquina, uma espécie de ferramenta com alma - pelo menos enquanto esta for permitida.

 

Pode ser o modelo que se vai criando, que vai vencendo, e que o canal público de televisão promove, mas isso não quer dizer que tenhamos de levar os trogloditas a sério, pois não? Eu cá rio-me, sempre que aparecem no ecrã certas sumidades a botar faladura. Que é que um gajo há-de fazer ante a promoção e sucesso de tais méritos? 


26
Fev 13
publicado por Tempos Modernos, às 12:42link do post | comentar

 

 

(Foto: britannica.com)

 

Em Itália, Mario Monti, o ai Jesus da gente responsável e credível, conseguiu ficar em quarto lugar nas eleições legislativas.

 

Os jornais falam de instabilidade, não se percebe muito bem porquê. Nos mais de 150 anos com que conta desde a Unificação conseguida por Vitor Emanuel II, nunca a Itália teve outra realidade que não a da pulverização eleitoral.

 

De qualquer forma, a coligação mais votada sai reforçada por um prémio de majoração, estabelecido pelos legisladores, que desvirtua a proporcionalidade e lhe atribui uns deputados extra para atingir a maioria. 

 

Não se espere substanciais mudanças das políticas até agora seguidas. Mas se pelo mau exemplo que dá (ao derrotar também Mário Monti, o governante imposto pela alta finança) servir de modelo a outros países e assustar quem manda na União Europeia talvez seja do melhor que aconteceu nos últimos tempos ao continente.

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 12:32link do post | comentar

 

(foto: publico.pt)

 

Supreendido pela Grândola na Assembleia da República, Pedro Passos Coelho interrompeu-se de ar divertido, mal escondendo o sorriso. "De todas as formas de interromper os trabalhos da Assembleia da República esta é a de mais bom-gosto", declarou.

 

Tem razão. José Afonso - no dia 23 também se completaram 26 anos sobre a sua morte - é superlativo de uma ponta à outra: dos fados, baladas e canções de Coimbra aos panfletos de génio. A sua única antologia possível é a obra toda.


publicado por Tempos Modernos, às 11:01link do post | comentar

 

 

(Foto: rotekulturlinks.de)

 

Angela Merkel tem um futuro terrível. A história reserva-lhe um papel cruel como a mulher estúpida e ideologicamente fanática que conduziu todo um continente para o abismo económico, cercado de gauleteirs igualmente estúpidos e submissos. Da história desta crise não constará a redenção. E é inútil remar em sentido contrário, como se continua a fazer na agenda noticiosa. Os jornais falharam a crise e passam diariamente ao lado da história enquanto se dedicam à propaganda dos interesses dos seus proprietários. 

 

Há dias, Angela Merkel anunciou o mercado único europeu do trabalho, uma coisa que se está a construir num processo que "durará anos, talvez décadas". É fácil de explicar como funciona a brilhante ideia da governante alemã. Primeiro, destroem-se as economias dos países do sul. Terraplam-se direitos sociais e esmagam-se os salários. Depois, essa mole de gente empobrecida emigra Europa fora - com a vantagem de que boa parte dessa gente é, hoje, profissional e academicamente qualificada. Qualquer melhoria salarial em relação ao país de origem será encarada como uma benção.

 

E quando esses milhões de trabalhadores, não tão bem pagos quanto isso, forem em número suficientemente alto nos países de destino, nas Alemanhas e quejandos, os salários locais acabarão pressionados pelos valores mais baixos dos igualmente qualificados trabalhadores do sul. E a compressão salarial que hoje se sente em Portugal, na Grécia, em Espanha, será então sofrida na pele pelos empobrecidos trabalhadores alemães. 

 

Pelos mesmos trabalhadores alemães que hoje votam em Angela Merkel  e que se queixam de andar a trabalhar para os preguiçosos e corruptos parceiros lisboetas, atenienses e madrilenos. Nem nessa altura perceberão como se deixaram embarcar numa narrativa ideológica, falsa e fanática que visava transformar o estado de bem-estar social europeu numa coisa capaz de competir com a selvajaria social chinesa.

 


25
Fev 13
publicado por Tempos Modernos, às 16:11link do post | comentar

 

 

(Foto: marinha.pt)

 

A postagem tem estado difícil. O mais das vezes a vontade é do insulto.

 

Um ex-secretário de Estado ameaça mandar "tomar no cu" os fiscais das finanças que lhe pedirem a factura da bica, para depois, trafulha, dizer que era uma crítica ao peso do Estado e não ao Governo a que pertenceu - não por acaso, repito, não por acaso, o criador da referida intrusão.  É sempre assim. Os que mais maldizem o Estado - Viegas fá-lo há anos- são dos primeiros a corromper-lhe as funções e a pervertê-lo para, em ciclo vicioso e premeditado, poderem destruí-lo e deitá-lo ainda mais abaixo. 

 

Um governante sem ponta por onde se lhe pegue, o tipo de figura cuja entrada nos salões mais que justifica a saída das almas mais sensíveis, é convidado por uma estação televisiva privada para botar discurso sobre o futuro do jornalismo. Não chega a falar, que um grupo ruidoso canta-lhe a Grândola e persegue-o ruidoso quando ele tenta escapar.

 

No maior partido da oposição, vários militantes, um bando imbecil que só pode não fazer a mínima ideia do país em que vive e das condições em que subsiste a maioria dos seus concidadão, insurge-se, que desrespeitaram a liberdade de expressão do senhor ministro.

 

Ao coro socialista, juntaram-se vários jornalistas. Ora, foi exactamente em redacção que mais vezes me mandaram calar e ameaçaram de despedimento. Gostava por isso de ver mais jornalistas, desses que enchem a boca para defender o ministro, lutarem tanto pela liberdade de expressão dos seus camaradas dentro das próprias redacções.

 

Outro canal privado anuncia uma aposta na opinião. Ao leque de comentadores habituais resolveu juntar uma mão cheia de figurões que andam não tarda há 40 anos a dizer coisas sobre o país sem que o país tenha ganhado fosse o que fosse com tão preclaros pontos de vista.

 

Os mesmos patetas que nos jornais celebrararam Sócrates como o salvador a pátria e depois se arrependeram, ou que escreveram odes a Gaspar, para agora arrepelarem cabelos com os sucessivos erros de previsões, prosseguem como directores. Não se lhes vislumbra vontade de começarem a escrever algo inteligente ou que seja relevante para os leitores.

 

António Borges viu renovado o contrato para continuar a fazer o que faz e a dizer o que diz. E não me esqueço do semanário que quis vender a luminária como primeiro-ministro.

 

Um bispo é acusado de assédio sexual e canalhamente dois dos seus companheiros de igreja aproveitam para o tirar do armário.

 

Cada um dos parágrafos podia remeter para vários sítios, mas falta a vontade de chafurdar na estrumeira.

 


23
Fev 13
publicado por Tempos Modernos, às 16:39link do post | comentar | ver comentários (2)

Quase nem dava conta. Completam-se hoje dois anos sobre o nascimento aqui do blogue.


publicado por Tempos Modernos, às 16:08link do post | comentar

 

 

Mais de 200 anos após Maria Antonieta ter mandado os pobres franceses comerem brioches, continuam em alta os que nunca ouviram falar do episódio e das suas consequências.

 

Se não lhes sobra sensibilidade ou inteligência, podiam ao menos safar-se com a literacia histórica.


21
Fev 13
publicado por Tempos Modernos, às 17:48link do post | comentar | ver comentários (1)

José Alberto Carvalho anuncia que os três canais televisivos andam a ver se se concertam já nos debates autáquicos para mudar a lei eleitoral que os obriga a não privilegiar os cincos maiores partidos. Só que, lamentavelmente para o jornalismo e para a informação, o que está mal não é a lei. O que está mal são as capacidades operacionais das estações e o que perdem para o espectáculo comunicacional. Será menos esclarecedor um debate com dez partido em vez de cinco? Depende de como fôr feito. Se calhar tem de demorar mais tempo do que aquele que as estações estão dispostas a dispensar.

 

O director de informação da TVI prefere o ruído e as luzes à informação, jornalismo e democracia, mesmo que afirme o contrário. O que diz sobre o caso das vaias a Relvas no ISCTE adensa essa convicção. Bem pode acusar Estrela Serano de fazer uma avaliação política ao afirmar que Relvas não tem autoridade para falar do que será o jornalismo nos próximos 20 anos. Ao convidá-lo, a avaliação de José Alberto Carvalho foi também política. Tal como foi a de todos os directores de jornais que agora defenderam o ministro. Ao não ter previsto o que ia acontecer, Carvalho deixa também a desejar no que toca à capacidade de análise.

 

* Já depois de escrito o post, descobre-se que o recurso ao argumento "político"  de José Alberto Carvalho vai mais longe do que parecia quando escolheu Relvas para discursar no ISCTE e quando saíu em sua defesa. Alguns arautos da isenção política  têm dificuldade em lidar com factos e com rigores que lhes ponham em causa ideias feitas.


10
Fev 13
publicado por Tempos Modernos, às 10:04link do post | comentar

Depois de, ontem, o Dinheiro Vivo ter entrevistado António Borges, o grupo do Diário de Notícias parece prosseguir um especial ângulo doutrinante.  Hoje, foi a vez de dar grande destaque online a Vítor Bento, outro defensor do estado a que chegámos.

 

"Gente que conta" é uma rubrica de entrevistas partilhada entre o DN a TSF e contaram agora com quem nunca contou com os portugueses. Como Vítor Bento já se vê pouco pelos jornais devia ter algo de novo para dizer, ou então não havia mais ninguém disponível para botar faladura.

 

De certeza que não encontraram gente que pagasse contas e a taxa social única para colocar em lugar de honra. É sempre mais fácil ligar a um representante dos banqueiros, um pessoal que, sempre que pode, e pode sempre, se pira com as massas para qualquer sítio longe da mão do Estado.


09
Fev 13
publicado por Tempos Modernos, às 11:32link do post | comentar

António Borges tem razão quando afirma ao Diário de Notícias que "somos um país dominado por interesses fortíssimos".

 

Nunca falta palco nos jornais nem a ele nem aos que com ele partilham interesses ideológicos e económicos e lugares à mesa do Estado.

 

Nem quando nada de relevante tem para dizer como se conclui pelo título*.

 

O resto não li. Já tive toda a catequese de que precisava, e aposto que ninguém lhe fez perguntas sobre as causas dos acidentes da CP (aqui ou aqui) ou das mortes nos hospitais britânicos e da forma como tudo isso resulta do cumprimento da agenda dos Borges que para aí andam.

 

 

 

*O título ainda se safava se fosse uma ironia jornalística, mas em informação a ironia nunca resulta.


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