29
Nov 15
publicado por Tempos Modernos, às 11:38link do post | comentar

 

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(fonte: jn.pt)

 

Eu não percebia como se podia transferir para um sistema privado as pensões mais altas pagas pela segurança social.

 

Quando lhe disse não ver o sentido de querer encher o poço, secando-lhe as maiores fontes que o alimentavam, chamou-me demagogo.

 

Os últimos anos bem nos mostraram como a realidade se tornou demagógica. E apesar dos incontáveis programas televisivos apresentados por comissários da tróica e do Governo PSD, CDS/PP, acreditava-se haver noutros a honestidade do repensar velhas ideias feitas.

 

Nada disso. Não esperava que acontecesse ainda durante a minha vida, mas, depois da falência do Lehman Brothers, vi documentários demagógicos mostrando gente de 90 anos forçada a regressar ao trabalho por ter perdido os planos poupança reforma feitos em sistemas de segurança social privados. Depois foram as falências na Banca por cá.

 

Gente na rua, gritando e exigindo a intervenção do Estado para repôr ou para se substituir às promessas quebradas das financeiras privadas. Muitos dos que hoje se manifestam e queixam do Banco Espírito Santo são a imagem - mais viva do que as 1000 palavras - do que pode vir a acontecer aos pensionistas que se fiarem das promessas dos sistemas de segurança social dirigidos pelas seguradoras e pelos bancos. Todo este tempo, esteve para se retorquir aqui com qualificativos sustentados na realidade a quem procurara insultar com o demagogo .

 

Só o facto de, durante esta fase, os Tempos Modernos se terem tornado bissextos, impediu de escrever que, depois de tudo que acontecera à banca, apenas sociopatas e criminosos defenderiam o plafonamento propondo a transferência das pensões mais altas, as dos contribuintes que fazem maiores descontos, para um sistema privado de segurança social.

 

Foi pena não o ter escrito. Depois disso, já em fim de vida, o Governo do PSD/CDS-PP lembrou-se de querer introduzir o plafonamento .e o sistema privado de segurança social. Esperava eu que os jornais, escaldados com o Lehman Brothers, o BPN, o BES, se lembrassem ao menos de reavivar na memória dos leitores os problemas de solvência e de sustentabilidade surgidos em vários sistemas mundias de segurança social privada.

 

Nada disso, a publiação onde está o mesmo editor que me chamou demagogo fez, imediatamente, um especial de corrida a explicar a proposta de plafonamento do Governo PSD/CDS-PP. Mesmo que a coisa não passasse, havia que ir insistindo para criar nas pessoas a ideia de que de uma péssima ideia brotará maná e mel. Que interesses por trás de tantas peça de jornais? De certeza não serão os dos leitores.

 

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 11:09link do post | comentar

O bom em perenes discussões, sobre os mais variados assuntos, com antigos editores é que à razão da sua força hierárquica respondeu a realidade com uma força que lhes perspectiva a estupidez dos argumentos. Como se diz noutro lado, a propósito de outras figuras, "Os vossos desejos não são notícia".

 

Ainda assim, muitas vezes, tenta-se salvar a aparência e a cara ignorando a substância. As razões da folha salarial alguma força lhes dará. O respeito intelectual de outros é que não.


publicado por Tempos Modernos, às 11:07link do post | comentar

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(Fonte: SAS Universidade de Lisboa)

 

Nos meus últimos anos de Técnico cruzei-me com um pequeno e simpático grupo de colegas. Gente inteligente, mas neo-liberal ou coisa ainda pior. Ainda a seu desfavor, sabe-se lá porquê, o apreço político por dois dos sinistros alas de Durão Barroso, figuras já misturadas com o negro mundo da advocacia dos negócios e com a alma prestes a enegrecer, ainda mais, em cumplicidades bélicas que os manchariam de sangue e os tornariam, a ambos os dois, infrequentáveis por gente decente e asseada.

 

Em conversa, um dia, um desses colegas tentava convencer-me de como só havia vantagens em entregar a privados a cantina pertencente aos serviços sociais da Técnica: melhorias no serviço, na qualidade alimentar. O serviço não era o melhor, concedo, a qualidade das refeições andava longe de satisfatória. Mas não percebi a defesa do privado feita pelo meu colega. Ainda hoje não percebi a ideia, nem depois de ter, noutra escola, feito um segundo curso superior, e notado, e reclamado, como a qualidade de serviço prestada prossegue muito aquém do desejável.

 

Admito que a comparação entre empresas possa aguçar a vontade de fazer melhor. Mas ter uma única empresa a servir refeições no mesmo espaço não é grande incentivador de comparações. E a realidade e o contexto ecológico de uma cantina são uns e não outros. O privado que substituia a acção social escolar não tem com quem se comparar. Ainda se várias empresas funcionassem no mesmo espaço e à mesma hora, havia a possibilidade de se escolher que refeição se queria.

 

Se numa cantina, com preços condicionados, por razões óbvias e evidentíssimas, a refeição desagradar, e com o mesmo preço e quantidade (pão, sopa, refeição, sumo ou água e sobremesa), a facilidade da não deslocação, o estudante só tem uma opção. A própria cantina. O serviço competindo, privado ou público, consigo próprio. E, no final, ajustamento residual dos gastos do Estado: a mesma verba que era paga aos serviços sociais escolares substituída pela indemnização compensatória paga pelos contribuintes de modo a permitir à empresa vencedora do concurso manter os preços controlados e sociais.

 

Metido ali, em substituição dos serviços sociais, o privado apenas ganharia uma renda estatal. Acabaria desviado da competição, livre do risco tão glorificado pelos empreendedores. Libertado da rua, onde os seus serviços de refeição poderiam, sim, competir e melhorar, em relação aos do restaurante vizinho, atraindo clientela, mexendo com a economia e não contribuindo para o défice público.


28
Nov 15
publicado por Tempos Modernos, às 15:28link do post | comentar

A minha amiga é negra

 

"A dona Antónia vive em Lisboa, tem 93 anos. Ah, com ela eu nunca me permitiria a palavra "negra", nem agora, quando a palavra foi conquistada pela Francisca. Não que a ofendesse, claro. Ela era, assumia e praticava aquilo que era na nossa cidade - negra, o que não era mera circunstância, era condição. Mas para mim a dona Antónia é a senhora, ponto. Às vezes, agora, em Lisboa, quando ia recordar com o João ou falar com a Francisca, eu puxava pelo antigamente dela. Eu deixava ir a conversa, como a dona Antónia a faz, com silêncios, olhos tristes e boca amarga, mas estava sempre a vê-la a entregar-nos o embrulho dos bolos para levarmos à prisão."

 

Ferreira Fernandes, Diário de Notícias

 

 

Saramago

 

"Encontrava-me eu com [Saramago] mais tarde na Feira de Frankfurt [...] quando anunciaram que o Nobel lhe fora concedido. Acorremos a abraçá-lo, e apesar do muro de colegas e leitores que o saudavam, consegui entregar--lhe uma rosa vermelha, isto porque cravos revolucionários dificilmente se compram na cidade--escritório da Europa. E nessa noite, reunindo alguns do nosso ofício num jantarzinho alemão, Agustina Bessa-Luís teve o gesto lindíssimo de mandar abrir uma garrafa de Don Perignon, homenageando assim o triunfador que porventura haverá morrido sem que esta nobre delicadeza lhe chegasse ao conhecimento."

 

Mário Cláudio, Diário de Notícias

 

 

 


26
Nov 15
publicado por Tempos Modernos, às 19:55link do post | comentar

Pôr Augusto Santos Silva nas Necessidades parece uma aposta na diplomacia estridente.

 

E, ao contrário do que muitos jornalistas foram dizendo, sabe-se lá porquê, Vieira da Silva está longe de agradar à esquerda.

 


publicado por Tempos Modernos, às 08:34link do post | comentar

Dizia-me não haver alternativas. Mas não és de esquerda, que sim, mas Alegre era um traidor. Votou nisso que aí está e hoje pertence à direcção de um órgão de comunicação social. 


25
Nov 15
publicado por Tempos Modernos, às 08:20link do post | comentar

Pelo menos é o que achará quem tenha seguido o que se foi dizendo da solução de Governo liderada por Costa.

 


20
Nov 15
publicado por Tempos Modernos, às 10:48link do post | comentar

Embora conduzido pelo Núncio do CDS-PP, o plano da devolução da sobretaxa na véspera das legislativas faz parte destes repertórios.


publicado por Tempos Modernos, às 10:23link do post | comentar

Domingos Andrade, dizia ontem na televisão que Cavaco não gosta de António Costa. O que até será bastante previsível.

 

De acordo com o director executivo do Jornal de Notícias, A desconfiança terá nascido na audiência de 20 de Outubro, quando o secretário-geral socialista deu a Cavaco garantias de um acordo à esquerda. O problema, segundo Andrade, é que o acordo só ficaria pronto a 8 de Novembro, na véspera da apresentação do programa de Governo da PaF.

 

A justificação do comentador peca por excesso de crença no Guião do PSD e do CDS-PP Para a Presente Situação. Por questões tácticas, anda muita gente interessada em identificar problemas na coligação à esquerda. É natural. Por isso mesmo é,  no mínimo, uma manifestação de ingenuidade política ignorar que o processo negocial à esquerda pôde prolongar-se até ao dia 8 de Novembro apenas por Passos Coelho ter sido indigitado para formar Governo. 


publicado por Tempos Modernos, às 09:03link do post | comentar

A JSD cuja extensão de métodos e processos pude apreciar em tempos na AEIST – e não, estão longe, tão longe, de serem todos iguais - parece refundar-se continuamente no lúmpen reflexivo.

 

Há dias para atacar os acordos à esquerda publicaram numa rede social a fotografia de um militar a içar a bandeira soviética no Reichstag Nazi. Na precipitação do sound-bite nem perceberam com quem se comparavam, em que companhia se metiam. Corpo inteiro na poça.

 

Por esses dias, e os dois casos andaram unidos nos comentários, Passos Coelho falou do reviralho pretendido pela esquerda. Azar, apropriou-se do apodo que a Ditadura Nacional e o Estado Novo tinham dado à oposição republicana democrática.

 

Posições como esta, esta ou esta não são meros acidentes de percurso. São a expressão pública da matriz intelectual da coisa, emanações catastróficas de um modo imaturo de pensar e estar na cidade. Um modo a lembrar desnecessariamente o dos chicos-espertos das associações juvenis ou o dos grémios empreendedores de uma vilória tacanha.

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