18
Jan 16
publicado por Tempos Modernos, às 15:08link do post | comentar

Um alegado receio dos investidores estrangeiros no mercado português tem sido repetido nos últimos dias pelo noticiário económico.

 

Olhando de perto talvez não seja assim. Que investimento estrangeiro houve em Portugal nos últimos anos? Compra de empresas públicas? Mas essas já cá estavam e até davam lucro.

 

Quando muito o dinheiro entrado com privatizações antecipou ao Estado os rendimentos de alguns anos. Em contra-partida, afastou de vez a possibilidade de aquelas empresas contribuírem positivamente para as receitas públicas.

 

Onde tem estado investimento que se veja, investimento que tenha trazido dinheiro novo, que criasse realmente postos de trabalho e riqueza, e que não se aproveitasse de rendas que já por cá andavam?

 

Hoje, a insistência vai para aqueles que receiam investir na dívida nacional. Devem ter acordado agora, mas apostar em dívida é jogatana e casino, tem pouco de investimento.

 

preocupação das publicações económicas com agiotas pode ter muitas justificações e até ajuda a queimar a mudança de ciclo governamental e de políticas, mas passa ao lado do investimento estrangeiro que interessa a Portugal.


publicado por Tempos Modernos, às 15:03link do post | comentar

Um destes dias sairá texto dedicado ao clube dos directores dos órgãos de informação portugueses.

 

Tem muito que se lhe diga a presença em lugares de topo de figuras como Pedro Sousa Carvalho ou João Vieira Pereira.


17
Jan 16
publicado por Tempos Modernos, às 14:15link do post | comentar

Paulo Baldaia andou quatro anos e meio com o Governo de Passos Coelho e de Paulo Portas ao colo.

 

Depois, durante o processo de nomeação de António Costa como primeiro-ministro, deu um mortal à retaguarda. Passou a bater nos que amara. Se não no Governo, ao menos em Cavaco.

 

Deixa agora a direcção da TSF  e vai substituído por David Dinis, um que foi assessor de imprensa de Durão Barroso e que tem, ultimamente, dirigido um jornal digital de rapaziada amiga do ex-presidente da Comissão Europeia.

 


publicado por Tempos Modernos, às 13:51link do post | comentar

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 (Fonte: O Leopardo, Luchino Visconti e Tomasi di Lampedusa)

 

Houve uma melhoria do pluralismo da cobertura jornalística em Portugal após as eleições de 4 de Outubro e do processo de nomeação de António Costa como primeiro-ministro.


Já há notícias dos partidos e de ideias de esquerda nas primeiras páginas dos jornais. Também por lá começaram a surgir títulos e manchetes com alternativas às políticas do Governo de Passos Coelho e de Paulo Portas e até, pasme-se, há gente de esquerda em vários painéis de comentários.

 

Mas esta melhoria tem um lado perverso. Corre-se o risco de que leitores, espectadores e jornalistas acreditem nesta mudança conjuntural dos modos de fazer informação. Ora, sem bater no fundo, sem mudar a lógica de financiamento e de propriedade dos órgãos de comunicação social, ficará tudo na mesma.


07
Jan 16
publicado por Tempos Modernos, às 22:00link do post | comentar

transtejo.jpg

 

(fonte: setubalnarede.pt)

 

O Governo reverteu a subconcessão a privados dos transportes públicos de Lisboa e Porto. Fez bem. Muito bem, mesmo que não seja essa a convicção do grosso das sensatas direcções jornalística.

 

Já há umas semanas, Joana Petiz, da direcção do Diário de Notícias, reclamava da opção anunciada pelo PS ainda durante a campanha eleitoral - uma posição contrária à entrega dos STCP, Carris, Metro e Transtejo a privados e igual à, há muito, defendida pelo BE e pela CDU.

A argumentação não era propriamente sofisticada:

 

“A intenção […] não vem de provas dadas de que o negócio foi mau, de que a nova gestão não convence, de que o público ficou mal servido. É motivada por divergências ideológicas: a esquerda não concorda com a entrega da gestão das empresas de transportes a privados e quer voltar a pôr o Estado à frente. O Estado, esse gestor de mão cheia!”

 

Se a jornalista conseguia reconhecer a existência de divergências ideológicas – bravo!, em regra, a direita faz-se de sonsa e refugia-se num alegado pragmatismo técnico -, já não conseguiu escapar à falácia de que o Estado tem o ADN contaminado por qualquer bicheza que o obriga a ser mau gestor.

 

É uma ideia peregrina que, como lembrou, há uns anos, a então deputada bloquista Ana Drago, esbarra antes em apostas partidárias que tratam mal a coisa pública e que depois se servem desses maus tratos para justificar a sua entrega a privados: é a história do parricida que pedia clemência ao juiz por ser órfão.

 

 

Esta gente gosta muito dos privados, mas em vez de os deixar competir num mercado livre onde possa com risco produzir riqueza, opta antes por lhes garantir rendas estatais em sectores sem concorrência, como os dos transportes e outros.

 

Os transportes públicos são uma área de actividade cuja obrigatoriedade de prestação do serviço obriga à manutenção de linhas e carreiras, de uma qualidade mínima dos meios circulantes . Áreas que serão sempre deficitárias, de onde nenhum privado, por excelente que seja a gestão, tirará lucro e cuja manutenção seria suprida por indemnizações compensatórias.


publicado por Tempos Modernos, às 13:45link do post | comentar

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Primeiras páginas como essa aí de cima; a emissão de festa de despedida de Marcelo Rebelo de Sousa dos programas de comentário-propaganda velhos de 15 anos na TVI; boicotes de direcções de informação a coberturas de campanhas eleitorais; o processo de entronização televisiva do actual chefe de Estado, reforçado pelas motos de repórteres de imagem da SIC a fazer de batedores no desfile de Cavaco entre a sua casa na travessa do Possolo e o Centro Cultural de Belém onde anunciaria a candidatura presidencial.

 

Direcções de informação e editores chamam-lhes critérios editoriais. Alguém mais crítico chama-lhes fretes, recusa do pluralismo, conivência com interesses não informativos. Directores de informação e editores têm todo o direito a ter os seus candidatos e até a apoiá-los publicamente e em espaços de opinião. Misturar tudo, como se estivessem a dar notícias - ainda para mais, tendo Portugal o reduzido e cercado mercado informativo que tem -, seria irresponsabilidade desvio deontológico se não fosse antes irresponsabilidade democrática.


05
Jan 16
publicado por Tempos Modernos, às 14:19link do post | comentar | ver comentários (9)

 

superbock-praias.jpg

Pede-se na direita avaliação da reposição dos feriados. Deve ser a mesma direita da profunda reflexão e dos muitos estudos que justificaram a sua eliminação.

 

Já há muitos uns anos vi pela primeira vez um um deputado a vender aos colegas de hemiciclo a perda para a economia que constituía cada feriado. Referia, claro, a existência de estudos que não me lembro de algum jornalista lhe ter pedido.

 

Simples como costumam ser estes trabalhos de estimativa económica, imagino que tenha assentado num daqueles modelos de aritmética simples, algo como PIB/365. Na economia* dizem-se, demasiadas vezes, demasiadas coisas, apenas por se achar.

 

Feriados geram, por exemplo, uma economia de lazer, uma economia turística, que nunca se vê referida pela direita ou pelos economistas de plantão ao comentário. Nas empresas cujos trabalhadores gozam feriados ignora-se também a poupança nos custos energéticos, de limpeza, etc. E, um pormenor, muitas das pontes são gozadas tirando dias às férias. Esses dias seriam, de qualquer modo, dias perdidos para a produção.

 

Um feriado gerará quebras no sector financeiro, mas isso é dinheiro que escapa para o estrangeiro através da relocalização de dividendos. O dinheiro do grosso dos restaurantes e de muitos pequenos hotéis há-de ficar por Portugal. Mesmo que nem todo seja apanhável através da máquina fiscal, boa parte dele entrará no bolso dos funcionários que assim pagam as suas contas, outra parte servirá para pagar a fornecedores.

 

Com a eliminação de feriados, em que medida os ganhos da Finança ou da indústria serão compensados pelas perdas do Turismo? O que ganhou o país, o Estado fornecedor de serviços públicos, de Saúde, Educação, com os ganhos obtidos pelos bancos portugueses através do corte de quatro feriados? Quanto teria ganhado através do Turismo se os quatro feriados tivessem ficado? E criou a Banca mais empregos? Teria o turismo criado mais postos de trabalho?

 

Passos Coelho e Paulo Portas não têm respostas para isso. Interessava era, ideologicamente, dificultar o descanso. Minar o espaço de ócio. Era mais importante destruir direitos do trabalho do que defender a produção. Nos últimos anos, as fábricas que tinham sido geridas pelo (pen)último ministro da Economia despediram gente – fábricas no sector agro-industrial, uma daquelas áreas cuja produção (sumos, cervejas, etc.) se escoa mais facilmente com um turismo vivo. Em que medida o aumento de produção de cerveja conquistada pelos quatro feriados eliminados foi escoado pela subtracção de quatro dias ao descanso?

 

 

* Aquilo não é, nunca foi, ciência, apenas a manipulação algébrica e uma matemática vagamente aplicada (que deita fora os milhares de variáveis potencialmente significativas que qualquer universo social gera) lhe dão uma respeitabilidade naturalizada que não justifica. Por exemplo, o efeito da subida do salário mínimo na criação/destruição de emprego estará por estudar de modo relativamente conclusivo.


04
Jan 16
publicado por Tempos Modernos, às 19:19link do post | comentar

banifTN.jpg

 

Alguns líricos da profissão dizem que a existência de muita informação, inclusive nas redes sociais, em nada substitui o jornalismo. O jornalismo garante o rigor que toda essa informação disponível não garante.

 

Numa estação de televisão, na sequência da comunicação de Costa sobre o Banif, fazia-se o resumo dos tweetts do dia. Num deles, um tal Mamede, não apanhei a identificação completa, admirava-se com Jerónimo de Sousa que ouvira a elogiar, ou pelo menos a aprovar, a solução do Governo PS para o banco. O tuítador reforçava a ideia ao dizer que já não o espantaria ver a Festa do «Avante!» patrocinada pelo Pingo Doce.

 

Desconfiei. Só ouvira Jorge Pires, da comissão política do PCP, falar sobre o assunto, em tom e substância bem longe da leitura feita no referido tweett. Também não dera com declarações do secretário-geral comunista sobre a solução de Costa e de Centeno - o que aliás se confirma visitando o sítio do partido.

 

Dois dias depois, a 23 de Dezembro, o PCP rejeitaria a solução do Governo ao votar contra o Orçamento Rectificativo de 2015. Ou seja, uma graçola falsa numa rede social aproveitada pelo jornalistas sem espírito crítico ou preocupação de rigor, verificação de consistência e de veracidade. 

 

O resultado foi uma informação falsa dada aos espectadores pelos jornalistas. Será de admirar que cada vez menos gente leia jornais?

 


publicado por Tempos Modernos, às 18:59link do post | comentar

Francisco Louçã declara a morte do "pá". Di-lo substituído pelo "tipo". Talvez não se devesse armar ao linguista instantâneo.

 

Pode já não ter a força obsessiva que teve (por exemplo, na boca dos militares - ouça-se Otelo Saraiva de Carvalho), mas o obituário de Louçã parece manifestamente exagerado. 

 

Saltando várias gerações, passando por cima da minha e da seguinte, ainda no ano passado, tive uma colega de 20 anos, na FCSH, que nos metralhava com "pás". Pá isto, pá aquilo. E não é caso singular.

 

Quanto ao "tipo" ter origem brasileira, será mesmo assim? Nos comentários, Louçã desconfia de alguém que lhe sugere esta hipótese, mas andará distraído há muito tempo: o "tipo" não virá antes do "like" de tanto filme americano, como já me sugeria um colega do Técnico há mais de 20 anos?


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