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Set 13
publicado por Tempos Modernos, às 21:26link do post | comentar

 

Volta não volta regressa um certo discurso de uns ainda mais certos, mas confusos, arautos da liberdade de imprensa.

 

Há os que por muitas e frenéticas justificações que carreiem e em que se desdobrem não se livram das acusações de beneficiar o Governo enquanto demonstram falta de qualidades e vocação para estar à frente de um serviço público de informação.

 

Há também os que torturam ideias, com incorrecções e ligeireza. Os que se reclamam, arrogam e presumem de uma qualquer superioridade na classe.

 

Supreendentes são algumas aparentes rendições ao complexo corporativo-mediático, se calhar suficientemente satisfeitas com as próprias quotas de notoriedade.

 

As mesmas estações que obtiveram a concessão de frequências públicas convergem na recusa em prestar serviços a que se comprometeram. Falta de meios, dizem elas, quando são às mãos cheias os repórteres enviados para qualquer evento futebolístico ou se perdem minutos e meios preciosos a cobrir banalidades como o galo de Resende.

 

Claro que as arruadas nada informam. Nada se perde por as televisões não as acompanharem. Claro que os meios dos órgãos de informação não são infinitos, nem conseguem chegar a todo o lado. Claro que muitas questões têm apenas interesse local. Mas, por muito que se aleguem outros motivos, os boicotes dos canais televisivos nacionais à cobertura jornalística das autárquicas justificam-se mais por preguiça intelectual, má gestão dos meios disponíveis e espírito corporativo.

 

A mero título de exemplo, distribuídas pelos três canais abertos que costumam entre si combinar a emissão de debates, podiam passar-se reportagens temáticas sobre as capitais de distrito e maiores cidades das regiões autónomas. Fazer o mesmo com umas quantas autarquias mais sensíveis ou de resultados mais imprevisíveis. A lei - que data de 2001 (pdf) e não do PREC, como algumas almas bastante mal informadas fazem passar - permite-o: o articulado é suficientemente aberto a interpretações que não forcem à cobertura da totalidade dos 308 concelhos. As direcções de informação optaram por esticar a corda e deitar fora o bebé com a água do banho

 

Sobre este assunto, salva-se a posição do Sindicato dos Jornalistas. Ao menos por lá percebe-se que são os cidadãos que têm Direito à Informação e que a classe apenas existe para servir e salvaguardar este direito. Os jornalistas não existem para arrogantemente se armarem em cão com pulgas. Não existem para atropelar pluralismo e democracia em nome de valores que passam no essencial pelo que alguns - com seus critérios aboslutamente pessoais - garantem ser o mercado mediático.



Nota: o título deste post foi alterado e alguns parágrafos foram reescritos.


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