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Set 13
publicado por Tempos Modernos, às 10:38link do post | comentar

(Fonte: arepublicano.blogspot.pt)

 

Este post anda para ser escrito desde dia 16. Nesse dia, já em fim de artigo, com origem na Lusa, dera com repetição de declarações de presidente da Comissão Nacional de Eleições (CNE) sobre a cobertura jornalística das autárquicas.

 

“Fernando Costa Santos reafirmou a interpretação da lei do tratamento jornalístico que deve ser dado às diversas candidaturas, que é de 2010: deve ser mantido o princípio de igual tratamento e oportunidade.


«Onde as televisões forem, onde puderem ir, pois que não podem ir a todos os círculos eleitorais, como é evidente, mas onde forem devem dar um tratamento não discriminatório» às diferentes candidaturas, defendeu.”

 

Grosso modo, dizia-se aquilo que já aqui tinha sido dito: que absolutamente nada obrigava a que fosse feita a cobertura jornalística das 308 autarquias, conforme haviam propalado, histéricos, centros de poder da comunicação social.

 

Esta interpretação entra em evidente colisão com o ponto de vista convertido em boicote dos três canais televisivos. E, ao contrário do que se passou com as direcções de informação da RTP, SIC e TVI, quem aqui tinha chegado a essa conclusão tinha sido um jornalista formado em engenharia, que nunca teve o apreço das chefias, nem sequer dos pares, mas sem qualquer auxílio de gabinetes jurídicos. Apenas com um entendimento muito diferente do que é o dever de isenção e pluralismo e do que é jornalismo e a obrigação de informar.

 

Claro que entra também em óbvio confronto com o apelo à desobediência civil de prestigiados jornalistas da praça. Uns com um passado lustroso (e profissionalmente vantajoso) de confronto pessoal com um primeiro-ministro; outros com uma mão-cheia de livros publicados - quando eu só tenho um, a meias, e, ainda por cima, embora o tema até o facilitasse, sem embarcar em escândalos próprios de coscuvilheiras.

 

A campanha intoxicante da comunicação social contra a lei da cobertura jornalística das eleições tem como origem a tresleitura de um simples artigo, o 49º. Pouco interessa que o artigo não diga o que tanta gente de responsabilidade diz que diz. O que exigem é a mudança da lei toda, embora se saiba bem quem lucrará com isso. E não será o leitor, nem o espectador. Um editor de televisão até escreveu sem confirmar e sem contraditório que a lei remontava aos tempos de um dos governos do general, quando afinal foi produzida em 2001.

 

No dia 17, embora ainda na véspera a Lusa tivesse transcrito as declarações de Fernando Costa Santos, presidente da CNE transcritas acima, prosseguia a desinformação aos leitores.

 

No Público, em “Novo membro da CNE eleito por maioria, p. 12, escreveu-se que “os três canais de televisão […] decidiram não acompanhar as candidaturas locais, mas apenas noticiai a participação dos líderes nacionais na campanha autárquica com o argumento de que a CNE exigia igualdade de tratamento para todas as candidaturas para todas os candidatos.Na passada semana, o presidente da CNE, Fernando Costa Santos, reiterou a posição daquele órgão, dizendo que «as candidaturas têm todo o direito de serem ouvidas pelas televisões»”.

 

O pior é que faltava acrescentar o que Costa Santos dissera mais:

 

«Onde as televisões forem, onde puderem ir, pois que não podem ir a todos os círculos eleitorais, como é evidente, mas onde forem devem dar um tratamento não discriminatório»

 

Transcrever a totalidade das declarações tornava falsa a notícia que tanta comunicação social tem tentado fazer passar. Afinal, já vários dirigentes partidários se chegaram à frente, na última semana, defendendo a mudança da lei que não precisa para nada de ser mudada. O artigo 49º não obriga a que se faça a campanha nos 308 municípios. Alegando a liberdade de informar, órgãos de comunicação e alguns dos seus profissionais activos afunilam a escolha para o lado que lhes interessa. Semeiam menos pluralismo, menos democracia, menos isenção. Mais propaganda, mas menos jornalismo.

 


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