11
Jun 17
publicado por Tempos Modernos, às 10:46link do post | comentar

José Gomes Ferreira, que logo na escolha do nome profissional não evitou confundir-se com o poeta, continua por aí, director-adjunto da SIC, a querer confundir o que faz com jornalismo. Será entretenimento, será até opinião, mas sem o lado da análise jornalística, sem verdadeiro contraditório e sem pluralismo, mas jornalismo não é.

 

Esta semana, José Ferreira mais que do uma entrevista terá entrado num debate com o primeiro-ministro António Costa, "o António" como tratou o governante em plano de igualdade. Depois, após as críticas que choveram, que o pessoal tornou-se mais atento, veio escrever um lençol digital onde acusa os críticos e as redes sociais de pulsão censória

 

José Ferreira é parte bem visível da má moeda jornalística, a  moeda da lei de Grisham, que Cavaco celebrizou. A moeda má que afasta a boa. O jornalismo é infrequentável por causa dos Josés ferreiras - e de muitos outros com quem partilho carteira profissional, mas não espaço nas redacções - que a má moeda evacou-as de asseio jornalístico.

 

Ferreira até pode indignar-se como uma virgem ofendida com as críticas que lhe fazem. Mas se José Ferreira quiser mesmo falar de calar pontos de vista e de pulsões censórias talvez devesse olhar em redor, olhar para o jornalismo português e perguntar-se onde estarão e em que quantidade e em que cargos os que têm pontos de vista diferentes dos seus. O proveito lúbrico está mostruosamente longe de estar do lado dos que o criticam.

 

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 10:42link do post | comentar

O tempo não abunda e a vontade de chover no molhado também não.

 

É um regresso talvez com duas notícias das notícias.


22
Abr 17
publicado por Tempos Modernos, às 17:06link do post | comentar

morte de uma pessoa por atropelamento no contexto de um confronto entre adeptos de futebol junto ao estádio da Luz tem vários cúmplices morais.

Entre eles contam-se vários directores, editores, jornalistas e canais de televisão. Não só semeiam as tempestades como depois lucram com elas.

Cúmplices são também, pelo menos, um presidente de clube, alguns assessores de imprensa clubísticos e vários comentadores afectos a clubes de futebol. 


26
Fev 17
publicado por Tempos Modernos, às 17:11link do post | comentar

Paulo Núncio mostrou uma grande elevação de carácter e o país deve muito ao doutor Paulo Núncio pelo trabalho de combate à fraude e à evasão fiscal", disse Assunção Cristas aos jornalistas.


23
Fev 17
publicado por Tempos Modernos, às 09:25link do post | comentar

Seis anos desta segunda série. Duas efemérides: a morte de José Afonso, em 1987, e o golpe espanhol, o 23F de 1981.


22
Fev 17
publicado por Tempos Modernos, às 14:32link do post | comentar

Criério jornalístico é deixar cair rapidamente no esquecimento uma fuga de dez mil milhões de euros para offshores ocorrida durante anos e agarrar com unhas e dentes durante semanas e semanas o conteúdo de um SMS.

 

 


21
Fev 17
publicado por Tempos Modernos, às 11:24link do post | comentar

Bill Gates é mais progressista que Vieira da Silva, o ministro do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social.

 

Pelo menos Bill Gates percebe o óbvio, que Vieira da Silva não percebeu.

 

Os robôs criam riqueza, tornando a mão de obra humana obsoleta destroem postos de trabalho e esvaziam as contribuições para a segurança social. Então tem de se arranjar maneira de redestribuir essa riqueza.

 

 


20
Fev 17
publicado por Tempos Modernos, às 16:24link do post | comentar

Livro de Cavaco esgotou em cinco dias.


19
Fev 17
publicado por Tempos Modernos, às 11:58link do post | comentar

O Círculo de Leitores lança este trimestre O Arquipélago de Gulag, de Aleksandr Soljenítsin.

 

Há meia-dúzia de dias, através do formulário de contacto da Sextante que tem publicado os livros do autor, perguntei se estava prevista a edição da obra. Queria complementar com uma possível novidade algo que estava a escrever.

 

Ainda aguardo a resposta e ainda bem que publiquei o postado sem esperar por eles. Podia ter pegado no telefone, mas era aqui para o blogue, o que os desmotivará a responder, e não tinha especial urgência. Afinal, bastava que me tivessem escrito Sim, vai sair primeiro no Círculo de Leitores. Podiam até acrescentar, caso fosse o caso, que a informação estava embargada. Valia a pena estar a fazer a via sacra das passagens de telefonemas e ocupar um par de pessoas, além de mim, com uma resposta tão rápida?

 

Devo continuar a acreditar em elfos e no Pai Natal do mesmo modo que acredito no jornalismo asseado. Fala-se muito da instantaneidade das redes sociais, mas e o e-mail e os formulários de resposta - que permitem a mesma rapidez - continuam a não ser usados por uma série de gente. Nem sei para que os têm.

 

Quando o livro baixar dos 30 euros, daqui a uns 18 meses, compro-o. Quem já aguardou tanto tempo pela leitura de O Arquipélago de Gulag, pode esperar mais um pouco.

 

Ainda algumas notas: pela rápida vista de olhos à revista do Círculo de Leitores não se percebe se a tradução é feita do original russo. O texto de apresentação põe a tónica no prefácio de Natália Soljenítsina, a mulher do autor, que descreve as complicadas condições de escrita e de publicação da obra e perseguições políticas sofridas pelo vencedor do Nobel da Literatura de 1970, o ano em que nasci. Também não se faz um enquadramento do controverso percurso ideológico e intelectual do autor e da sua defesa de uma "Rússia profunda, ainda impregnada de cristianismo" - como se pode ler no texto de apresentação de A Casa de Matriona seguido de Incidente na Estação de Kotchetovka, outras obras disponíveis.

 

E, entretanto, ainda não sei se está também prevista a reedição de O Pavilhão de Cancerosos.


18
Fev 17
publicado por Tempos Modernos, às 13:53link do post | comentar

No discurso de aceitação do prémio Camões, o escritor Raduan Nassar criticou o governo de Michel Temer e o Supremo Tribunal Federal brasileiro.

 

E, a seguir, Roberto Freire, ministro da Cultura de Temer, disse ao escritor que "quem dá prémio a um adversário político não é a ditadura" e acrescentou também que quem dá o prémio é o Governo brasileiro. O governante percebe mal o que caracteriza uma democracia e pelo caminho ainda provoca um conflito diplomático. Freire esqueceu-se de modo deselegante da contraparte portuguesa, que é tida e achada nesta questão. Atribuído pela primeira vez a Miguel Torga, em 1989, o prémio é subsidiado não apenas pelo governo brasileiro, mas também pelo português. Foi criado em conjunto pelos dois países. E é atribuído por causa da língua comum e não por qualquer poder político de turno. É o mais importante prémio literário da língua portuguesa, mas Freire vê-o como instrumental. O ministro da Cultura brasileiro sugere mesmo que se Nassar não gosta do Governo devia recusar o prémio.

 

Este tipo de pensamento não é original. Já há um par de anos, na entrega do Grande Prémio do Romance e Novela da Associação Portuguesa de Escritores, Jorge Barreto Xavier, secretário de Estado da Cultura do Governo de Passos Coelho e de Paulo Portas, disse à premiada, Alexandra Lucas Coelho, que ela devia estar grata por viver em democracia o que lhe permitia ter feito um discurso de aceitação do prémio onde batia no Governo e em Cavaco. Xavier terá acrescentado ainda que se a autora estava a receber os quinze mil euros do prémio isso também se devia ao Governo que o subsidiava.

 

Nos dois governantes, uma mesma crença. A de que a língua lhes pertence a eles. É também um querer castrar a voz do outro. Uma voz permitida se fizer parte de um ritual. E uma voz não tolerada se se quiser tornar acção.

 

 


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