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Jan 17
publicado por Tempos Modernos, às 11:11link do post | comentar

Podem ler-se pela blogosfera várias críticas de civis que aproveitam o IV Congresso dos Jornalistas para bater na corporação e manifestar a sua convicção de que esta não faz falta absolutamente nenhuma. Diz-se, por exemplo, que existe uma coisa que se chama informação e que essa nada tem a ver com jornalismo, actividade fechada que até prejudica a informação.

 

O jornalismo deixou para muitos de ser visto como um lugar onde procura apresentar e verificar factos, de modo pluralista, com recurso ao contraditório e onde se dá ao leitor a hipótese de escolher a sua verdade e fundar uma convicção cívica. Muitos podiam ver nele antes uma oportunidade de distracção, mas a importância desta dimensão democrática coexistiu sempre com ela. Hoje já não.

E há culpados. Têm nomes. E não foram os que foram sendo postos à margem da profissão e que acabam também queimados na sua reputação pela acção de outros. Os culpados estão aí identificados, mais para baixo, em sucessivos postados, de distanciamento e crítica, de combate pelo jornalismo, publicados desde 23 de Fevereiro de 2011. Não chegámos aqui apenas por causa das mutações do mercado, dos suportes e das redes sociais. Chegámos também aqui por causa de um conjunto limitado de pessoas que foram ocupando lugares decisivos de chefias da comunicação social e que tornaram as direcções editoriais clubes fechados. Entre um ou outro que possa escapar, a paisagem mais que de monocultura é monolítica.

 

Esta gente tem estragado o presente da profissão, mas com isso vive-se. O pior é que também lhe estragaram o futuro. Vai ser preciso recuperar do mal que lhe fazem, e nos fazem, diariamente, directores, chefias e muitos dos profissionais. Tornar o jornalismo um lugar com que os cidadãos possam contar, onde os leitores procurem não diversão, mas factos verificados e sujeitos a contraditórios. Onde alguém, obrigado pelo código deontológico procure alcançar uma possível verdade material e discursiva, oluralista, sem alienar nenhum facto, quer sejam a favor, quer sejam contra as suas próprias convicções pessoais.

 

Aí os leitores e os espectadores terão a certeza de que, ao contrário do que sucede nas redes sociais e nos blogues, a informação está caucionada por esse métodozinho ridículo de ir procurar o contraditório e perguntar O Quê, Quem, Quando, Onde, Como e Porquê.

 

A questão é: ainda será possível reverter os estragos provocados no jornalismo pela actual mediocracia directiva e pela orientação dos outrora chamados órgãos de informação?


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