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Out 16
publicado por Tempos Modernos, às 20:58link do post | comentar

Há dias, num programa de debate futebolístico, o jornalista e comentador desportivo António Tadeia queixava-se da paragem dos jogos do campeonato nacional que o levava a estar 20 minutos a falar de relvados artificiais. Em causa estava o estádio onde a selecção de futebol portuguesa jogaria com as Ilhas Faroé.

 

Pouco depois, no Diário de Notícias, voltou à carga. Quer saber

 

"a quem aproveita esta interrupção no calendário competitivo dos clubes europeus para que se joguem os desafios de qualificação para o Mundial de futebol? Quer a verdade? A ninguém. Perdem os clubes, perdem as sele[c]ções, perdem os adeptos e perdem os meios de comunicação, que também são parte importante na mobilização de gente para o espe[c]táculo."

 

De acordo com Tadeia, o que interessa aos espectadores é falar do jogo e isso não acontece apenas com jogos da selecção. Lá terá as suas razões, mas sinceramente enquanto espectador fiquei a saber coisas coisas acerca de relvados artificiais que explicam parte do percurso da selecção portuguesa de futebol no Euro que acabaria por vencer. E também do percurso da selecção islandesa, um habitual bando de coxos, saco de pancada do futebol europeu, que, desta feita, acabou por chegar aos quartos-de-final da competição.

 

De há uns anos para cá, os islandeses, que por causa das condições atmosfericas apenas conseguiam jogar à bola um par de meses por ano, terão começado a construir grandes pavilhões municipais com relvados artificiais. Deste modo, os futebolistas daquele país inóspito começaram a poder treinar o ano inteiro. Ou seja, nas vésperas do último europeu, os jornalistas desportivos não informaram os espectadores portugueses de que a sua selecção de futebol ia jogar com uma equipa que tinha mudado drasticamente os hábitos de treino.

 

Ou seja, os jornalistas que acham  que conversa acerca de relvados artificiais não interessa a ninguém, não repararam que os relvados artificiais contribuiram para um amargo de boca de que a selecção portuguesa não estava à espera e que lhe podia ter custado caro. E nem a selecção à espera, nem os espectadores das dezenas de horas de debate futebolístico das televisões. Apetecia dizer aqui qualquer coisa acerca da função constitucional do jornalismo. Mas o texto de Tadeia é mais acerca de espectáculo e de como o servir, que acerca de jornalismo e de como servir a informação.

 


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