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Jan 16
publicado por Tempos Modernos, às 14:19link do post | comentar

 

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Pede-se na direita avaliação da reposição dos feriados. Deve ser a mesma direita da profunda reflexão e dos muitos estudos que justificaram a sua eliminação.

 

Já há muitos uns anos vi pela primeira vez um um deputado a vender aos colegas de hemiciclo a perda para a economia que constituía cada feriado. Referia, claro, a existência de estudos que não me lembro de algum jornalista lhe ter pedido.

 

Simples como costumam ser estes trabalhos de estimativa económica, imagino que tenha assentado num daqueles modelos de aritmética simples, algo como PIB/365. Na economia* dizem-se, demasiadas vezes, demasiadas coisas, apenas por se achar.

 

Feriados geram, por exemplo, uma economia de lazer, uma economia turística, que nunca se vê referida pela direita ou pelos economistas de plantão ao comentário. Nas empresas cujos trabalhadores gozam feriados ignora-se também a poupança nos custos energéticos, de limpeza, etc. E, um pormenor, muitas das pontes são gozadas tirando dias às férias. Esses dias seriam, de qualquer modo, dias perdidos para a produção.

 

Um feriado gerará quebras no sector financeiro, mas isso é dinheiro que escapa para o estrangeiro através da relocalização de dividendos. O dinheiro do grosso dos restaurantes e de muitos pequenos hotéis há-de ficar por Portugal. Mesmo que nem todo seja apanhável através da máquina fiscal, boa parte dele entrará no bolso dos funcionários que assim pagam as suas contas, outra parte servirá para pagar a fornecedores.

 

Com a eliminação de feriados, em que medida os ganhos da Finança ou da indústria serão compensados pelas perdas do Turismo? O que ganhou o país, o Estado fornecedor de serviços públicos, de Saúde, Educação, com os ganhos obtidos pelos bancos portugueses através do corte de quatro feriados? Quanto teria ganhado através do Turismo se os quatro feriados tivessem ficado? E criou a Banca mais empregos? Teria o turismo criado mais postos de trabalho?

 

Passos Coelho e Paulo Portas não têm respostas para isso. Interessava era, ideologicamente, dificultar o descanso. Minar o espaço de ócio. Era mais importante destruir direitos do trabalho do que defender a produção. Nos últimos anos, as fábricas que tinham sido geridas pelo (pen)último ministro da Economia despediram gente – fábricas no sector agro-industrial, uma daquelas áreas cuja produção (sumos, cervejas, etc.) se escoa mais facilmente com um turismo vivo. Em que medida o aumento de produção de cerveja conquistada pelos quatro feriados eliminados foi escoado pela subtracção de quatro dias ao descanso?

 

 

* Aquilo não é, nunca foi, ciência, apenas a manipulação algébrica e uma matemática vagamente aplicada (que deita fora os milhares de variáveis potencialmente significativas que qualquer universo social gera) lhe dão uma respeitabilidade naturalizada que não justifica. Por exemplo, o efeito da subida do salário mínimo na criação/destruição de emprego estará por estudar de modo relativamente conclusivo.


Muito bem! a direita é um entrave à evolução do país.
Teodoro a 5 de Janeiro de 2016 às 16:00

Bom texto.

Creio que a supressão dos feriados teve o intuito de motivar a poupança e manter o negócio aberto para os turistas.

Aliás, o único ponto que prejudica este texto é/são os dados do Turismo. (Até dizem que 2014 foi o melhor ano de sempre no sector), bem sei que à custa dos estrangeiros, muitos deles "low-cost", mas é melhor que nada.

Em relação ao consumo de cerveja, ou estamos a ficar mais focados no trabalho ou estamos a mudar os hábitos de consumo (dizem que o sector dos vinhos e afins está bem e recomenda-se)
Fabio Belchior a 5 de Janeiro de 2016 às 22:51

Acho que é um exercício muito redutor. Então os únicos sectores que são afectados pelos sucessivos feriados e pontes são a Industria e a Finança?
Não são com toda a certeza. Os serviços do estado são com toda a certeza um exemplo que não se enquadra nessa redutora linha de pensamento.
Foram mais dias de escola, mais dias em que a justiça funcionou, mais dias em que se pode tratar de documentos, etc.
Se se quer atacar alguém ou alguma medida ao menos que se escreva de forma coerente.
Ricardo a 5 de Janeiro de 2016 às 23:18

Certissimo! E se ter mais feriados é bom para a economia, então porque só repor os que foram suprimidos, e não criar mais uns 20 adicionais? Eram menos 20 dias que as empresas tinham despesas com electricidade e limpeza, 20 dias com maior consumo nos restaurantes, hoteis, etc...! Argumentação ridicula. Quem escreve o artigo claramente não tem uma empresa para gerir. Menos dias de produção pelo mesmo salário = maior custo do trabalho = economia menos competitiva...
Anónimo a 6 de Janeiro de 2016 às 09:10


Concordo em absoluto com o seu comentario.

Hoje em dia com a Internet toda a gente tem direito a ter opiniao...o que nao significa que seja a correcta. O autor deste texto claramente esta equivocado.
Nuno a 8 de Janeiro de 2016 às 12:22

Sim de facto foram estes 4 dias que promoveram p.exp. as grandes evoluções da justiça! Vá-se catar! que parvoíce!
Teodoro a 6 de Janeiro de 2016 às 10:41

Proponho mais: mercado de trabalho dividido por 2 ou seja, 15 dias de trabalho mensal a 6 horas por dia sem redução de salário - para cada tarefa 2 trabalhadores e 2 turnos dia. Numa família decente, quando um bem escasseia raciona-se o bem em falta, ou seja-se divide-se o dito por todos. Se falta trabalho para todos pois racione-se o dito. Isto sim, digo eu, seria a revolução social. Mas prontos, "eles é que têm os livros!"
P.S. prefiro isto ao Rendimento básico garantido se bem que um sistema não excluísse a possibilidade do outro.
P.P.S. a minha dúvida seria a pressão sobre o ambiente que representaria tanta gente com algum dinheiro e tempo livre mas, presumo, nada que a dura mão da fiscalidade não contivesse :D
:P a 6 de Janeiro de 2016 às 09:50

Totalmente de acordo!

Porém...
Faltou dizer que... quem primeiro se lembrou de reduzir o nº de feriados (chegou mesmo a ter uma "comissão" para isso), foi o PS.
Pedro R a 6 de Janeiro de 2016 às 11:56

Aqui fica mais uma opinião de um MERDAS FALANTE , "Em entrevista à rádio TSF, o presidente da Confederação da Indústria Portuguesa (CIP) critica a medida do Governo em repor os feriados religiosos e não fazer o mesmo com os civis, matéria que, diz, devia ser levada à concertação social."
Teodoro a 6 de Janeiro de 2016 às 13:49

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