27
Ago 16
publicado por Tempos Modernos, às 14:52link do post | comentar

Os incêndios florestais em Portugal trazem sempre alguns tópicos populistas de discussão.

 

Primeiro, surge a ideia peregrina de lançar os incendiários às chamas. Já a ouvi da boca da mesma pessoa que lançava beatas de cigarro pela janela do carro e que se zangava por lhe chamarem a atenção.

 

Depois, fala-se dos desempregados e dos beneficiários do rendimento de inserção que devem se postos a limpar matas. Não ocorre aos proponentes que a falta de limpeza das florestas portuguesas também decorre das poupanças obtidas com o fim dos guardas florestais, atirados para a GNR, e até dos cantoneiros da antiga JAE. Entre a criação de empregos ligados à floresta e o forçar desempregados e pobres a limpar as matas há sempre uns quantos a preferir a segunda opção.

 

Por fim, outro tópico recorrente é o do uso dos militares no combate aos incêndios. Se há quem queira aproveitar desempregados e beneficiários do rendimento mínimo em trabalhos de limpeza de mata para o qual não têm vocação nem treino, é natural existir quem queira desviar as Forças Armadas daquilo para que elas servem e para o que são treinados.

 

Isto, embora, em caso de necessidade, as Forças Armadas possam e devam apoiar os bombeiros e a protecção civil. Como ainda agora se viu claramente na Madeira. A Força Aérea até poderá usar horas de voo em treino de ataque a incêndio. Durante o Verão o Exército pode e deve fazer treino de campo e patrulhas nas matas. A arma de Engenharia pode e deve abrir picadas e estradas corta-fogos. 

 

Mas se calhar, sem treino específico, os militares do Exército apenas serão aproveitáveis como auxiliares, na retaguarda dos bombeiros, e nas situações mais dramáticas. Não se substituem a forças de combate a incêndios bem treinadas e bem equipadas. Mas não é disso que se trata, o pressuposto desses críticos (e, por um variado conjunto de motivos, há jornalistas entre os mais excitados pelas chamas) é que as Forças Armadas gastam dinheiro e não fazem nada, tal como os desempregados e os beneficiários do rendimento mínimo. Entre a opção de planear e ordenar para evitar catástrofes e emergências, há sempre uns quantos que preferem improvisar.

 

 

 

 

 

 


10
Ago 16
publicado por Tempos Modernos, às 21:38link do post | comentar

Ana Sá Lopes tem-se rendido ao termo partidário geringonça com que o seu jornal (o i) e os apoiantes do PSD e do CDS-PP se referem ao Governo de António Costa viabilizado pela esquerda parlamentar. Tinha obrigação (e experiência) de pensar melhor na escolha semântica política e nos seus efeitos.

 

Hoje não falou de geringonças. Fez antes uma pergunta acerca do paradeiro da ministra da Administração Interna, o que fará algum sentido. Só que na explanação da ideia estampava-se um bocadinho:

 

"Onde anda a ministra da Administração Interna? De férias noutro fuso horário? Ninguém a substitui?"

 

Se Ana Sá Lopes se preocupa com a falta de supervisão política de topo, a conversa é uma. Se se encanita com a falta de um suplente, então aí devia ver mais televisão.

 

É que já teria topado com Jorge Gomes, secretário de Estado da Administração Interna, a falar acerca dos incêndios em vários canais televisivos. Se a cabeça politica do Ministério não se mostrou, já não se pode considerar que os responsáveis do sector tenham desaparecido do espaço publicado.

 

Outras questão passa pela eficácia dos governantes. Terá Jorge Gomes sido eficaz? Não sei, confesso. E, aqui entre nós, parece-me que Ana Sá Lopes - uma jornalista respeitável, que é injusto associar ao mau jornalismo português - também não saberá grande coisa da eficácia ou falta de eficácia da acção do secretário de Estado.

 

De qualquer modo, perguntar pelo paradeiro de Constança Urbano de Sousa faz menos sentido do que parece.

 

O problema dos incêndios é um problema do Ministério da Agricultura. Lugar onde o ministro da Agricultura Capoula Santos não está pela primeira vez e que foi ocupado nos quatro anos e meio antes dele por Assunção Cristas.

 

Verão após Verão, os fogos florestais repetem-se em Portugal com uma regularidade dramática. Perda de bens, perda de vidas, perda de memórias. Das outras vezes de Capoulas, já havia fogos. Havia fogos quando chegou e continuou a haver fogos depois de deixar a pasta.

 

A propósito dos incêndios, o comunista Vítor Dias repesca hoje uma intervenção do seu partido. Foi feita em 2003, já Sevinate Pinto, no Governo de Durão Barroso e Paulo Portas, substituíra Capoula Santos. Pelo resumo do que Agostinho Lopes então disse se percebe como parte das questões de há 13 anos eram já as mesmas,

 

Nos quatro anos e meio de Assunção Cristas na pasta das florestas prosseguiram  os fogos. Aliás, o Verão de 2013, quando a ministra esteve de licença de maternidade, foi brutalmente mortal. Nesse ano, nove bombeiros perderam a vida no combate a incêndios florestais.

 

Como se recorda no Aventar, a hoje presidente do CDS-PP teve más ideias para a floresta portuguesa. Favoreceu, por exemplo, a monocultura do eucalipto - uma opção que entre outros defeitos facilita a propagação das chamas. Não se pode dizer que a herança deixada por Assunção Cristas tenha sido brilhante. 

 

O problema é de ordenamento florestal e do território e não de meios e técnicas de combate. Marcelo Rebelo de Sousa tem razão. Não dá para encolher os ombros, nomear uma comissão, aguardar pelo próximo Verão e esperar que tudo volte a arder.


10
Jun 13
publicado por Tempos Modernos, às 18:29link do post | comentar

Os dias que devia usar para tentar salvar o país, gasta-os Cavaco a tentar salvar-se a si próprio.

 

Depois de, há umas semanas, ter parecido assumir algumas responsabilidades por erros cometidos enquanto primeiro-ministro nos sectores da agricultura e da pesca, meteu marcha à ré e fez mea culpa do mea culpa.

 

O País já não lhe diz nada. O discurso de Cavaco já só tem um destinatário: o próprio Cavaco esbracejante, tentando salvar-se para a História, para a eternidade.


05
Jan 13
publicado por Tempos Modernos, às 20:08link do post | comentar

Cavaco disse coisas importantes e relevantes na sua mensagem de Ano Novo. Mas dentro do comentário sincero feito por partidos políticos, o mais simpático foi o do Bloco de Esquerda: Cavaco é "inconsequente" com as coisas que diz. Tem sido essa a regra (veja-se o que não fez com as inconstitucionalidades do Orçamento de Estado de 2012), mas talvez o futuro traga outra acção.

 

Mesmo que considere o Bloco um partido radical e minoritária, a sua acusação parece ressoar estridente na consciência de Cavaco. Em entrevista, saída hoje no Expresso, o inquilino de Belém disse várias coisas. Infelizmente bem menos interessantes do que a mensagem de Ano Novo: "Ninguém chegou a Presidente com a minha experiência", "[h]oje temos uma agricultura que é competitiva", "[a minha relação com o BPN] está explicadíssim[a] em comunicado e numa declaração minha", "[c]omo posso não ter orgulho dos meus governos?", "[f]altam-me algumas qualidades dos políticos. A intriga cansa-me."

 

Desde que chegou a Belém, Cavaco perdeu o fulgor e prestígio que chegou a ter em muitos meios. Pode soar a profetismo barato, mas dificilmente a história lhe será leve. E a auto-justificativa entrevista ao Expresso evidencia bem como isso o contraria. 

 

De Cavaco, apetece dizer o que noutro contexto disse há dias a um amigo e que alguém também já afirmou a propósito do actual locatário da Presidência: Faria um excelente negócio quem o comprasse pelo que vale, para depois o vender pelo que ele julga valer.


21
Nov 12
publicado por Tempos Modernos, às 19:07link do post | comentar | ver comentários (1)

Cada tiro, cada melro. Agora Cavaco contesta o estigma que afastou Portugal do Mar, da Agricultura e da Indústria. Nas caixas de comentários de jornais online, a maioria dos leitores estranha estas novas preocupações.

 

Com o tempo que leva a perceber aquilo que era essencial, talvez daqui a outros tantos 27 anos Cavaco venha a estar preparado para ser Presidente da República.


28
Out 12
publicado por Tempos Modernos, às 16:43link do post | comentar | ver comentários (2)

 

(Foto:http://noticias.sapo.pt)

 

Felizmente, há um grupo de agricultores que já percebeu que uma das vantagens competitivas nacionais vai para as frutas, legumes e flores. Tudo produtos alienados pela Política Agrícola Comum e por sucessivos governos portugueses a troco de subsídios de não produção.

 

Por esta altura, a fruta portuguesa vai procurando mercados externos, vende-se fora da época dos outros até em países africanos e asiáticos.

 

Assunção Cristas foi há dias a uma feira em Madrid promover esta produção nacional. Aproveitou para fazer agulha para o peixe e para o sector das pescas que tutela. Aí é que se perdeu um bocado. Mas também, coitadinha, não sabe mais.

 

Feitos que estão os abates de embarcações negociados, disse a ministra da Agricultura e do Mar e de mais não sei quantas pastas, Portugal devia investir em novos sistemas de comunicação, em máquinas menos poluentes e com menor consumo de combustível.

 

Ou seja, em vez de solicitar a capacidade industrial instalada e para a qual existem competências nacionais - o projecto e construção de cascos hidrodinamicamente mais eficientes, por exemplo - lembra-se de apostar na importação de electrónicos e de motores. Não é que não faça também sentido, mas esquecem-se sempre de qualquer parte.

 


22
Set 12
publicado por Tempos Modernos, às 14:09link do post | comentar | ver comentários (3)

 

(Foto: http://anajesusribeiro.wordpress.com em noticiasdeaveiro.pt)

 

Recebida, ontem, por uma multidão enfurecida na Agrovouga, Aveiro, e, procurada hoje, por um grupo ruidoso, no Peso da Régua, Assunção Cristas, ministra da Agricultura, talvez esteja assistindo ao soçobrar da aliança Lavoura-CDS-PP.


25
Jul 12
publicado por Tempos Modernos, às 12:08link do post | comentar | ver comentários (1)

 

(Foto: A Bola.pt)

 

A realidade anda demasiado atroz para se escrever sobre ela.

 

Nos blogues, vejo que barretos e manuelas ferreiras leites continuam a catequizar telespectadores e a entorpecer sinapses neuronais.

 

A Alemanha, finalmente ameaçada pelos mercados, grita - como antes gritou Portugal que não era  Grécia - que não é a Espanha, a Itália: "Nós somos a âncora do euro." Por cá, o Governo segue viagem numa ampla e antológica frente de disparates estratégica e ideologicamente criminosa.

 

Assunção Cristas, um ente político bem kitado pela comunicação social, abre caminho à eucaliptização do país. Segundo parece, do ministério da Agricultura, Ambiente e Ordenamento sairá legislação pondo fim à necessidade de pedido de autorização para o tipo de árvore a plantar em terrenos de até cinco hectares (dez no caso da rearborização).

 

Desde há muito que especialistas em incêndios florestais têm apontado a monocultura florestal como uma das grandes reponsáveis pela rapidez de progressão dos fogos em Portugal. Tiro e queda. A brilhante ideia sai do gabinete da ministra cá para fora e o país leva a semana a arder. Talvez Assunção Cristas volte a propor a reza do terço, desta vez como solução para os fogos e seu impacto económico.

 

Com o incentivo pirómano saído do Ministério de Assunção não haverá muito mais a fazer. É a aposta na Economia de Catástrofe: Um inferno repleto de helicópteros de combate a incêndio, de  pesados meios humanos e técnicos a pagar pelo Estado. Com que impacto no crescimento da Indústria? É que as exportações de pasta de papel são próprias de uma economia terceira-mundista. Os países crescidos produzem mesmo é papel. Deixam a matéria-prima para as colónias. Aulinhas de História Económica faziam muita falta a muita gente, turbo-licenciada ou doutorada que seja.

 

Nuno Crato, cuja telegenia e saudosismo da escola salazarista converteram em especialista em educação muito requisitado pelos jornais, lá vai fazendo os possíveis para recolocar Portugal no caminho do atraso educativo. Catedrático de matemática, na mesma escola que teve Bento de Jesus Caraça como referência, evidencia ruidosamente que nem tudo era mau nos anos 1940. Ou de como alguns de agora se podiam trocar pelos de então.

 

Mostrando como os economistas aprendem a fazer contas, com a costumeira justificação da falta de dinheiro, Crato decidiu aumentar a dimensão das turmas. Reduziu administrativamente a necessidade de professores, mas aumentou a prazo o insucesso escolar e de aprendizagem.

 

De repente, talvez alertado pelas queixas sindicais, reparou que as escolas ficariam com umas quantas dezenas de milhares de horários zero. Além dos contratados, muitos salários para pagar. Gente do quadro sem horários disponíveis nas escolas. Para grandes males, grandes remédios. Escasso par de dias após forçar milhares de professores a novo concurso, decidiu que as escolas deveriam reavaliar mais uma vez as necessidades.

 

Para os professores emprateleirados pediu às escolas inventassem colocações administrativas ou no apoio ao ensino. Muitos irão parar a bibliotecas, outros ajudarão a dar aulas no primeiro ciclo do ensino básico. Por um lado, mina-se a qualidade do ensino aumentando o tamanho das turmas, depois atiram-se os professores sobrantes, sem preparação e desmotivados, para as antigas escolas primárias.

 

Uma nota pessoal: Aqui há dias fiz intensa campanha pessoal junto de uma professora de português para dar positiva a um aluno com média de 46% permitindo-lhe passar para o 9º ano. Haverá algum motivo para ser exigente com o Zézito, estudante com dificuldades, quando ministros, dos mais cotados, demonstram não ter percebido nada das lições que o dia-a-dia lhes dá? Quando os ministros se comportam como comparsas dos Malucos do Riso, haja um resto de seriedade nalgum lado. O mérito e o rigor não podem ser apenas para os mais pequenos.

 

 

* Um verso de Sá de Miranda já usado por Lobo Antunes, António, como título de romance.


10
Abr 12
publicado por Tempos Modernos, às 22:10link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Assunção Cristas resolveu travesti-lo de preocupação com os pequenos produtores - com os lavradores, diria o líder do CDS-PP.

 

Infelizmente, nesta fase, talvez a ministra do Mar e de várias outras pastas devesse estar mais preocupados com as faltas de alimentos à mesa dos portugueses do que com a segurança alimentar.

 

A não ser que para isso vá já contando com a caridade do Banco Alimentar.


01
Mar 12
publicado por Tempos Modernos, às 19:46link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

Chove.


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