15
Nov 16
publicado por Tempos Modernos, às 12:18link do post | comentar

No pico da luta dos taxistas com a Uber, João Matos Fernandes, o ministro do Ambiente, disse que a Uber não é uma operadora de transportes.

 

É caso para lhe perguntar então o que é que a Uber está sendo se não uma operadora de transportes?

 

Pouco depois, Vieira da Silva, ministro da Solidariedade, recusou pôr robôs a pagar segurança social pelos trabalhos que destroem, uma ideia que ouviu da boca do Reitor da Universidade de Coimbra:

 

"Num ambiente em que a geração atual deve pagar as pensões daqueles que estão aposentados, então nos casos em que objetivamente a máquina substitui as pessoas, essa máquina deve contribuir para as pensões dos que estão aposentados"

 

Abrem-lhe caminhos para continuar a manter um sistema público e universal de segurança social e o ministro recusa sequer considerar a hipótese, que a robotização do emprego, disse, faz parte do processo de modernização competitiva das empresas. Vieira da silva chega ao ponto de se preocupar com eventuais gastos da empresa com a fiscalidade, como se não poupassem o suficiente na eliminação de postos de trabalho,

 

Não se vai muito longe com este tipo de raciocínio tão amigo da desregulamentação e da supressão dos humanos.


07
Dez 15
publicado por Tempos Modernos, às 15:59link do post | comentar

metro.JPG

(fonte: sol.pt)

 

Sobre a greve do Metro escreveu-se ontem, aqui, o evidente. Haver para aí gente a dizer que o Metro ia parar, uma mesmíssima gente cujo raciocínio não sai da linha.

 

Mais do que previsivelmente, a greve acabaria desconvocada. A paralisação estava marcada desde o governo de Passos e Portas, há questões que vêm de trás, a necessidade de as reafirmar; o novo governo estará sustentado em acordos que muitos jornalistas, na linha do argumentário da direita, teimam em considerar frágeis; o ponto final nas privatizações das transportadoras é já público. Era uma situação de onde só podiam sair vencedores.

 

O país mudou os paradigmas políticos, mas muitos analistas e comentadores mostram-se incapazes de ver além da linearidade do dito e do declarado. Cãezinhos de Pavlov, é o que é.

 

 


06
Dez 15
publicado por Tempos Modernos, às 17:19link do post | comentar

Ainda aí gente a dizer que vai haver greve do metro esta semana. Estão preocupados, dizem, com a postura dos maquinistas, que prejudica o povo trabalhador, e receiam que isso traga Passos e Portas de volta. É o que se podem chamar Raciocínios que não saem da linha.


11
Dez 12
publicado por Tempos Modernos, às 11:05link do post | comentar | ver comentários (1)

 

(Foto: guardian.co.uk)

 

Álvaro Santos Pereira quase que pareceu aceitar uma boa ideia: Reindustrializar o país (e a Europa)


Afinal, não. Era só um pretexto para acabar com a legislação ambiental.


15
Nov 12
publicado por Tempos Modernos, às 11:39link do post | comentar | ver comentários (1)

 

(Foto: Eventos Cicloturísticos, blogue da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta)

 

Ciclistas estão descontentes com a Avenida da Liberdade. E eu estou arrependido de ter defendido a criação de condições para que os ciclistas pudessem circular em Lisboa.

 

É rara a semana em que não tenho de me desviar de ciclistas circulando em cima do passeio. Já por várias vezes quase fui passado a ferro em passadeiras por bicicletas que não páram ao sinal vermelho para veículos e que não respeitam o sinal verde dos peões.

 

Depois, há também uma quantidade grande de ciclistas que acha razoável usar as passadeiras para atravessar a rua, e mudar de direcção, ziguezagueando entre os peões sem se dar ao trabalho de desmontar.

 

Achava que o ciclista-tipo seria um cidadão educado, consciente, preocupado com o ambiente, com o consumo energético, com a saúde. A experiência pessoal como peão diz-me o contrário. São demasiadas ocorrências para achar que é mera coincidência. 


25
Jul 12
publicado por Tempos Modernos, às 12:08link do post | comentar | ver comentários (1)

 

(Foto: A Bola.pt)

 

A realidade anda demasiado atroz para se escrever sobre ela.

 

Nos blogues, vejo que barretos e manuelas ferreiras leites continuam a catequizar telespectadores e a entorpecer sinapses neuronais.

 

A Alemanha, finalmente ameaçada pelos mercados, grita - como antes gritou Portugal que não era  Grécia - que não é a Espanha, a Itália: "Nós somos a âncora do euro." Por cá, o Governo segue viagem numa ampla e antológica frente de disparates estratégica e ideologicamente criminosa.

 

Assunção Cristas, um ente político bem kitado pela comunicação social, abre caminho à eucaliptização do país. Segundo parece, do ministério da Agricultura, Ambiente e Ordenamento sairá legislação pondo fim à necessidade de pedido de autorização para o tipo de árvore a plantar em terrenos de até cinco hectares (dez no caso da rearborização).

 

Desde há muito que especialistas em incêndios florestais têm apontado a monocultura florestal como uma das grandes reponsáveis pela rapidez de progressão dos fogos em Portugal. Tiro e queda. A brilhante ideia sai do gabinete da ministra cá para fora e o país leva a semana a arder. Talvez Assunção Cristas volte a propor a reza do terço, desta vez como solução para os fogos e seu impacto económico.

 

Com o incentivo pirómano saído do Ministério de Assunção não haverá muito mais a fazer. É a aposta na Economia de Catástrofe: Um inferno repleto de helicópteros de combate a incêndio, de  pesados meios humanos e técnicos a pagar pelo Estado. Com que impacto no crescimento da Indústria? É que as exportações de pasta de papel são próprias de uma economia terceira-mundista. Os países crescidos produzem mesmo é papel. Deixam a matéria-prima para as colónias. Aulinhas de História Económica faziam muita falta a muita gente, turbo-licenciada ou doutorada que seja.

 

Nuno Crato, cuja telegenia e saudosismo da escola salazarista converteram em especialista em educação muito requisitado pelos jornais, lá vai fazendo os possíveis para recolocar Portugal no caminho do atraso educativo. Catedrático de matemática, na mesma escola que teve Bento de Jesus Caraça como referência, evidencia ruidosamente que nem tudo era mau nos anos 1940. Ou de como alguns de agora se podiam trocar pelos de então.

 

Mostrando como os economistas aprendem a fazer contas, com a costumeira justificação da falta de dinheiro, Crato decidiu aumentar a dimensão das turmas. Reduziu administrativamente a necessidade de professores, mas aumentou a prazo o insucesso escolar e de aprendizagem.

 

De repente, talvez alertado pelas queixas sindicais, reparou que as escolas ficariam com umas quantas dezenas de milhares de horários zero. Além dos contratados, muitos salários para pagar. Gente do quadro sem horários disponíveis nas escolas. Para grandes males, grandes remédios. Escasso par de dias após forçar milhares de professores a novo concurso, decidiu que as escolas deveriam reavaliar mais uma vez as necessidades.

 

Para os professores emprateleirados pediu às escolas inventassem colocações administrativas ou no apoio ao ensino. Muitos irão parar a bibliotecas, outros ajudarão a dar aulas no primeiro ciclo do ensino básico. Por um lado, mina-se a qualidade do ensino aumentando o tamanho das turmas, depois atiram-se os professores sobrantes, sem preparação e desmotivados, para as antigas escolas primárias.

 

Uma nota pessoal: Aqui há dias fiz intensa campanha pessoal junto de uma professora de português para dar positiva a um aluno com média de 46% permitindo-lhe passar para o 9º ano. Haverá algum motivo para ser exigente com o Zézito, estudante com dificuldades, quando ministros, dos mais cotados, demonstram não ter percebido nada das lições que o dia-a-dia lhes dá? Quando os ministros se comportam como comparsas dos Malucos do Riso, haja um resto de seriedade nalgum lado. O mérito e o rigor não podem ser apenas para os mais pequenos.

 

 

* Um verso de Sá de Miranda já usado por Lobo Antunes, António, como título de romance.


01
Mar 12
publicado por Tempos Modernos, às 19:46link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

Chove.


05
Jan 12
publicado por Tempos Modernos, às 19:45link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Assunção Cristas ainda não teve tempo de deitar cá para fora a lei orgânica do seu super-ministério, um concentrado megalómano com competências na Agricultura, Mar, Ordenamento do Território e Ambiente. E isto pese embora saber-se que andam passeando por outras mãos alguns dos presumíveis pelouros da estrelinha ultra-católica do CDS-PP.

 

 

Miguel Relvas ficou-lhe há dias com os restos mortais da Frente Tejo, uma cena de requalificação ribeirinha que se a governação fizesse sentido deveria pertencer ao Ordenamento, território da ministra. Em simultâneo, na Defesa, Aguiar Branco vai-se entretendo com os assuntos dos Estaleiros Navais de Viana do Castelo. Ora, como se sabe, barcos são coisa que nada tem a ver com Mar, verdade?


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