27
Nov 16
publicado por Tempos Modernos, às 20:05link do post | comentar

Esta, das 18:54, onde Marcelo Rebelo de Sousa dizia que a "estabilidade do sistema financeiro" é "prioridade nacional" era para ser lida com esta, das 19:59, acerca da demissão de António Domingues da administração da Ciaxa Geral dos Depósitos.

 

Aparecem contratempos, dizia o Presidente da República, "uns dias de manhã", "outros diàs à tarde", "outros à noite" ou "à noitinha."


15
Nov 16
publicado por Tempos Modernos, às 11:32link do post | comentar

Em 2011, Judite de Sousa entrevistou sucessivos banqueiros sem se aperceber do movimento concertado para correr com o Governo de José Sócrates. Entretanto, depois disso, faliram bancos e até prenderam banqueiros (sim, e o então primeiro-ministro também, mas isso é outra questão).

 

Ora, anteontem, no Diário de Notícias e na TSF, lá tivemos uma entrevista a Ferraz da Costa com direito a comentários acerca da administração da Caixa Geral dos Depósitos. “Se a administração sair há responsabilidades políticas”, disse o histórico dirigente dos patrões portugueses. Há dias, Sol e jornal i tinham anunciado a saída breve de Mário Centeno. São os termos exactos em que Ferraz da Costa se expressa. E se a coisa até é uma possibilidade genérica, o texto das versões digitais do texto jornalístico não tinham uma única declração que lhes sustentasse a manchete.

 

Entretanto, também anteontem, mas à noite, na SIC, Marques Mendes, que até é o autor da questão da declaração de rendimentos, reclamou da oposição por não atacar mais António Domingues, o presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos.

 

Ontem, na Renascença, esteve António Saraiva, a dizer que o dossiê “Caixa foi gerido desastrosamente, desde a nomeação da administração". Faz algum sentido, não todo, veja-se a recapitalização, mas a situação recebida do Governo de Passos Coelho e de Paulo Portas remete o lado realmente desastroso para tempos bem anteriores.

 

Do ponto de vista jornalístico e da ética, a questão da entrega das declarações de rendimentos é mais que óbvia notícia. Todavia, do ponto de vista empresarial e da economia, interessaria mais tratar da coisa em modo discreto. Como lembra, hoje, o nem sempre interessante Augusto Mateus, na mesma Rádio Renascença, há questões bem mais relevantes a discutir a propósito da CGD.

 

Ferraz da Costa, num dia, António Saraiva no outro, já são muitos patrões a bater na mesma coisa. Ainda por cima quando batem pelo mesmo lado e intercalados com o propagandista Marques Mendes – um que no tempo de Cavaco tratava de alinhamentos de telejornal. Nalguma coisa lembra a fronda bancária de 2011.

 


07
Nov 16
publicado por Tempos Modernos, às 16:49link do post | comentar

Há jornalistas que recebem em mão, papinha feita, o documento com a privatização da TAP que vai no dia seguinte ao último Conselho de Ministros de um Governo à beira de ser substituído por outro que já avisou que irá reverter qualquer privatização da transportadora aérea. Remetem a coisa para um rodapé mal-amanhado da primeira página, de tal modo que a bomba será aproveitada por outros ao longo do dia. É o que se chama estragar lagosta da melhor.

 

Há jornalistas que ouvem alguém do Governo dizer haver obrigação de toda a gente declarar rendimentos e património, na sequência da polémica com a administração da Caxa Geral de Depósitos. Sem outra citação, concluem que essas palavras querem dizer que o ministro das Finanças, que tem a tutela da CGD, sairá do Governo em Janeiro. É o que se chama fazer croquetes de raspas de carne para os cães.


27
Ago 16
publicado por Tempos Modernos, às 10:48link do post | comentar

O orçamento rectificativo e a injecção de capital são obviamente relevantes, mas é estranho que a ninguém ocorra perguntar da vitória política que o acordo de Bruxelas significa, mesmo que haja muitos, muitos pormenores para esclarecer:

 

"Mário Centeno sorriu, com ar espantado, talvez pelo facto de ninguém na sala, naquela conferência de imprensa, lhe perguntar pela vitória que reclamava. As televisões não destacaram e os jornais no dia seguinte não puxaram pela frase que na altura  fez questão de frisar: «O acordo é uma boa notícia, uma muito boa notícia». A ideia não passou e o que ficou no papel foi que as contas orçamentais teriam de ser revistas para acomodar a injecção de capital. Centeno não apareceu como o salvador da Caixa nem da pátria, pelo menos da financeira."

 

In Público


05
Jan 16
publicado por Tempos Modernos, às 14:19link do post | comentar | ver comentários (9)

 

superbock-praias.jpg

Pede-se na direita avaliação da reposição dos feriados. Deve ser a mesma direita da profunda reflexão e dos muitos estudos que justificaram a sua eliminação.

 

Já há muitos uns anos vi pela primeira vez um um deputado a vender aos colegas de hemiciclo a perda para a economia que constituía cada feriado. Referia, claro, a existência de estudos que não me lembro de algum jornalista lhe ter pedido.

 

Simples como costumam ser estes trabalhos de estimativa económica, imagino que tenha assentado num daqueles modelos de aritmética simples, algo como PIB/365. Na economia* dizem-se, demasiadas vezes, demasiadas coisas, apenas por se achar.

 

Feriados geram, por exemplo, uma economia de lazer, uma economia turística, que nunca se vê referida pela direita ou pelos economistas de plantão ao comentário. Nas empresas cujos trabalhadores gozam feriados ignora-se também a poupança nos custos energéticos, de limpeza, etc. E, um pormenor, muitas das pontes são gozadas tirando dias às férias. Esses dias seriam, de qualquer modo, dias perdidos para a produção.

 

Um feriado gerará quebras no sector financeiro, mas isso é dinheiro que escapa para o estrangeiro através da relocalização de dividendos. O dinheiro do grosso dos restaurantes e de muitos pequenos hotéis há-de ficar por Portugal. Mesmo que nem todo seja apanhável através da máquina fiscal, boa parte dele entrará no bolso dos funcionários que assim pagam as suas contas, outra parte servirá para pagar a fornecedores.

 

Com a eliminação de feriados, em que medida os ganhos da Finança ou da indústria serão compensados pelas perdas do Turismo? O que ganhou o país, o Estado fornecedor de serviços públicos, de Saúde, Educação, com os ganhos obtidos pelos bancos portugueses através do corte de quatro feriados? Quanto teria ganhado através do Turismo se os quatro feriados tivessem ficado? E criou a Banca mais empregos? Teria o turismo criado mais postos de trabalho?

 

Passos Coelho e Paulo Portas não têm respostas para isso. Interessava era, ideologicamente, dificultar o descanso. Minar o espaço de ócio. Era mais importante destruir direitos do trabalho do que defender a produção. Nos últimos anos, as fábricas que tinham sido geridas pelo (pen)último ministro da Economia despediram gente – fábricas no sector agro-industrial, uma daquelas áreas cuja produção (sumos, cervejas, etc.) se escoa mais facilmente com um turismo vivo. Em que medida o aumento de produção de cerveja conquistada pelos quatro feriados eliminados foi escoado pela subtracção de quatro dias ao descanso?

 

 

* Aquilo não é, nunca foi, ciência, apenas a manipulação algébrica e uma matemática vagamente aplicada (que deita fora os milhares de variáveis potencialmente significativas que qualquer universo social gera) lhe dão uma respeitabilidade naturalizada que não justifica. Por exemplo, o efeito da subida do salário mínimo na criação/destruição de emprego estará por estudar de modo relativamente conclusivo.


26
Mai 13
publicado por Tempos Modernos, às 12:46link do post | comentar

Ricardo Salgado é outro que não se entende muito bem quando se queixa de que portugueses preferem o subsídio de desemprego a trabalhar no Alqueva.

 

Paulo Morais não tem deixado de acusar o grupo Espírito Santo, que Salgado dirige, de ser um dos principais beneficiários das parcerias público privadas que arrecadarão seis a sete por cento dos recursos anuais do Orçamento de Estado.

 

Se é de subsídios que se fala, Salgado não prescinde do seu. Ainda por cima milionário.

 

Em 2012, Salgado pode ter visto o salário descer para os 548 mil euros anuais, mas que importa isso quando se sabe que nem sempre tem sido particularmente rigoroso nas contas?


20
Mar 13
publicado por Tempos Modernos, às 15:59link do post | comentar

(Foto: spox.com)

 

É natural que Wolfgang Schaüble, ministro das Finanças da Alemanha, lamente a decisão do parlamento cipriota. Cúpido, contava já com a transferência das contas russas para a banca alemã.

 

Duvida-se que o preocupasse por aí além a origem das massas. No caso de Chipre isso só trouxe preocupações agora que a coisa deu para o torto. Nunca antes.

 

Também pouco importa que os clientes da banca cipriota se vejam forçados a alavancar os falhanços das instituições financeiras locais, como um vulgar accionista habituado a ver os lucros bem remunerados. No fundo, é algo assim como obrigar o caríssimo leitor a entregar parte das suas poupanças para acudir ao dono do talho onde habitualmente se abastece e que está na iminência de falir.

 

O pessoal das energéticas, que não brinca em serviço, até já se ofereceu para assumir a reestruturação do sistema bancário cipriota. Se companhias fruteiras norte-americanas governaram países inteiros na América Latina, se o sistema bancário subjuga actualmente vários países europeus - Portugal incluído - haverá problema de maior caso a Gazprom venha a governar Chipre?


19
Mar 13
publicado por Tempos Modernos, às 20:46link do post | comentar

O parlamento cipriota recusou em bloco a medida de sequestro bancário e das poupanças decidida na sexta-feira no âmbito do Eurogrupo.

 

Ainda não é certo que exista inteligência entre os governantes da zona euro, mas pelo menos evidenciaram um módico de instinto de sobrevivência. À última hora acobardaram-se com a jerica ideia


18
Mar 13
publicado por Tempos Modernos, às 22:16link do post | comentar

 

(Foto: jornada.unam.mx)

 

Segundo parece, na sequência da última reunião do Eurogrupo, o ministro cipriota das Finanças acabou por ficar sozinho com os homónimos holandês e alemão discutindo a situação na ilha enquanto òs restantes congéneres andavam pelos corredores**.

 

Terá sido do seio desse triunvirato que saiu a decisão de sequestrar os depósitos bancários cipriotas impondo-lhes uma taxa de 6,7% aos depósitos abaixo dos 100 mil euros e de 9,9% para os depósitos acima desse valor. Depois, a coisa terá sido votada unanimemente pelos ministros das Finanças. O outrora luminoso Gaspar incluído.  

 

Cavaco concluiu bem que "o bom-senso terá emigrado para outras paragens". Bagão Félix viu na ideia a "medida ideal" para acabar com o euro. Se a coisa for por diante, mais ninguém confiará na zona Euro, nem no seu sistema bancário. Um norte-americano, o Nobel Paul Krugman, considerou que a solução apresentada constitui um convite dos governos europeus para que todos os cidadãos corram aos bancos para levantar os seus depósitos.

 

Entretanto, demasiadas horas depois, os omnipotentes alemãs pareceram perceber a cretinice da medida. E, corajosos, lá garantiram nada ter tido a ver com o assunto. Hoje, o ministro alemão das Finanças negou ter sido a Alemanha a impor a taxa sobre os depósitos ao Governo cipriota. A justificação de Wofgang Schauble não evidencia um raciocínio particularmente brilhante: se tivesse surgido outra solução não teria havido problema em apoiá-la, disse. Demasiado curto e poucochinho que alguém com a responsabilidade impositiva de Schauble tenha sido incapaz de entender onde estavam a meter o euro e a União Europeia.

 

As justificações para a medida foram as do costume. Os sistematicamente superavitários contribuintes alemães não teriam de arcar com os desaires dos depositantes russos na banca cipriota. Sempre a questão moral brandida pelos nórdicos, em concreto por estes que pelo caminho que a coisa leva serão os responsáveis pela terceira destruição europeia no espaço de um século.

 

E finalmente chega o que parece ser um recuo. O Eurogrupo terá começado a pensar e talvez já não venha a impor a taxação dos depósitos abaixo dos 100 mil euros, para muita gente as poupanças de uma vida de trabalho.

 

A saída do euro tem de começar a ser pensada. Se o norte não quiser continuar na União Europeia, talvez o sul possa continuá-la com gente com  hábitos e práticas culturais de outra índole. 

 

* Em circunstâncias normais, o título do post seria calunioso. Já não é. Não seria possível que gente impreparada ou até completamente analfabeta em matérias económico-financeiras tomasse medidas mais desajustadas ou mais criminosas do que aquelas que sistematicamente são tomadas pelo conjunto dos ministros das Finanças europeus, vários deles apresentados como académicos e técnicos reputados. 

 

** À versão contada por um director de publicação económica (sem link) junta-se, esta do Expresso, onde se compara o que fizeram e disseram depois vários responsáveis políticos, da Comissão Europeia, do BCE e do FMI incluídos

 


17
Mar 13
publicado por Tempos Modernos, às 15:48link do post | comentar

 

 

(Foto: annefrankguide.com)

 

 

Estrela Serrano relembra hoje como jornalistas e comentadores embandeiraram em arco com a tróica por aqueles dias em que ela aterrou na Portela.

 

O trabalho de republicar o que então foi dito por muitos seria aquilo a que com propriedade se poderia chamar serviço público. Até por que com os resultados agora anunciados pelo então muito amado Gaspar permitiria expor o que esses jornalistas e comentadores valem enquanto analistas.

 

Mostraria ainda como o papaguear asneiras e defender comportamentos sociopatas e radicalismo se torna muito mais benéfico para uma carreira no jornalismo português do que chamar a atenção para a situação a que chegámos.

 

Os novos números de Gaspar e da tróica correm o risco de tornar Portugal em novo Chipre de contas encerradas. E Chipre das contas encerradas é um prenúncio do fim do Euro. Quem manda, das instâncias comunitárias aos governos nacionais, está em absoluto e irresponsável estado de negação enquanto tudo faz para apressar a entrada de Portugal em bancarrota e o fim da União Europeia. 

 

Nos jornais que sobreviverem vai-se reacertando a agulha comentarista como se os que falharam em toda a linha por motivações alheias ao jornalismo pudessem continuar credíveis nas direcções e editorias que já então ocupavam. 


mais sobre mim
Julho 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


pesquisar neste blog
 
subscrever feeds
blogs SAPO