28
Nov 15
publicado por Tempos Modernos, às 15:28link do post | comentar

A minha amiga é negra

 

"A dona Antónia vive em Lisboa, tem 93 anos. Ah, com ela eu nunca me permitiria a palavra "negra", nem agora, quando a palavra foi conquistada pela Francisca. Não que a ofendesse, claro. Ela era, assumia e praticava aquilo que era na nossa cidade - negra, o que não era mera circunstância, era condição. Mas para mim a dona Antónia é a senhora, ponto. Às vezes, agora, em Lisboa, quando ia recordar com o João ou falar com a Francisca, eu puxava pelo antigamente dela. Eu deixava ir a conversa, como a dona Antónia a faz, com silêncios, olhos tristes e boca amarga, mas estava sempre a vê-la a entregar-nos o embrulho dos bolos para levarmos à prisão."

 

Ferreira Fernandes, Diário de Notícias

 

 

Saramago

 

"Encontrava-me eu com [Saramago] mais tarde na Feira de Frankfurt [...] quando anunciaram que o Nobel lhe fora concedido. Acorremos a abraçá-lo, e apesar do muro de colegas e leitores que o saudavam, consegui entregar--lhe uma rosa vermelha, isto porque cravos revolucionários dificilmente se compram na cidade--escritório da Europa. E nessa noite, reunindo alguns do nosso ofício num jantarzinho alemão, Agustina Bessa-Luís teve o gesto lindíssimo de mandar abrir uma garrafa de Don Perignon, homenageando assim o triunfador que porventura haverá morrido sem que esta nobre delicadeza lhe chegasse ao conhecimento."

 

Mário Cláudio, Diário de Notícias

 

 

 


19
Mar 14
publicado por Tempos Modernos, às 12:36link do post | comentar

 

Explica-se devagarinho.

 

Uma pessoa - homem ou mulher, não interessa - tem um filho. Separa-se, divorcia-se, enviúva. O parceiro deixa de se interessar pela cria, desaparece, as opções são muitas e diversas.

 

Essa pessoa decide viver maritalmente com alguém do mesmo sexo. As duas pessoas criam a criança em conjunto, durante anos. Absolutamente nenhuma lei proíbe

 

Quem as proíbe de o fazer?

 

O progenitor morre. Quem fica com a criança? Os avós, se os houver? Os irmãos do progenitor? A lei defende que seja alguém da família.

 

Alguém que possa, alguém que queira. No caso de casais heterossexuais, a lei tem o mecanismo da co-adopção. O parceiro sobrevivente, de outro sexo, pode co-adoptar a criança, mantendo-a dentro da família nuclear em que sempre viveu.

 

Na falta, primeiro, do dito parceiro do seu progenitor, com quem vivia. Na ausência, depois, dos avós, dos tios, dos parentes, o Estado assegura, através de instituições próprias e de instituições contratadas, a tutela do menor, a sua criação.

 

O que a lei da co-adpoção, agora chumbada pelos votos da maioria PSD/CDS-PP, visava, era tão só garantir que a criança não perdesse a tutela dos seus mais próximos, da pessoa com quem já vivia enquanto o seu progenitor era vivo. Abria aos homossexuais a possibilidade já existente para hetereossexuais.

 

Ou seja, a co-adopção implica que duas pessoas criando em conjunto o filho ou os filhos de uma dela, filho ou filhos sem outro progenitor disponível que não o pertencente a este casal, possam legalmente continuar a assegurar a tutela e criação do menor em caso de falecimento do progenitor biológico. A co-adopção, impede, pois, que a criança seja retirada do meio onde vive.

 

No limite, o que PSD e CDS-PP –através de processo iniciado pela inenarrável Jota laranja e pelo seu igualmente inenarrável secreta-geral - defendem é a institucionalização e entrega aos Estado dos filhos naturais de homossexuais.

 

E basta ler os comunicados e ouvir as intervenções dos deputados da maioria e de mais meia dúzia de interventores (de que Marinho Pinto será dos mais irresponsável. Enquanto bastonário não se lhe admite a deturpação que fez acerca do que estava em causa), para perceber que chumbaram esta lei, argumentando como se se tratasse de uma lei de adopção por casais de homossexuais.

 

Como se o que estivesse em causa, fosse a adopção por casais de homossexuais de crianças que não tivessem laços biológicos com crianças disponíveis para adopção. Um embuste levado a cabo pela maioria.

 

 

 

 


24
Ago 13
publicado por Tempos Modernos, às 22:52link do post | comentar

14
Jul 13
publicado por Tempos Modernos, às 12:25link do post | comentar

 

(Foto: asmediastudiesjamesivett.blogspot.pt)

 

Foi proposto pelo PS e pelo BE um período de nojo de três anos na contratação privada dos agentes secretos portugueses que deixem o serviço.

 

A comissão que fiscaliza a coisa acredita que este lapso temporal desmotivará candidatos e dificultará contratações. Óptimo.

 

Tal como com os cargos políticos, um tipo que vê nas vantagens profissionais posteriores o principal motivo para escolher uma carreira, não faz absolutamente nada nessa carreira.

 


18
Jun 13
publicado por Tempos Modernos, às 08:10link do post | comentar

Primeiro um texto no blogue Jugular

 

"Os professores fizeram greve? está mal, porque isso prejudica os alunos. Os estivadores? pior, porque isso prejudica a economia. Os médicos? muito mau para os utentes. Idem para os enfermeiros. E os trabalhadores do setor dos transportes? infernizam a vida a milhares de pessoas. Os pilotos, os controladores de tráfego aéreo? colocam a TAP à beira do abismo. Os bancários, os contabilistas, os funcionários administrativos? prejudicam gravemente o país. Os técnicos municipais, os jardineiros, os que fazem recolha do lixo? afetam a rotina diária de muita gente. As greves gerais? paralisam a economia, causam milhões de prejuízo, fazem Portugal andar para trás."

 

 

E depois um texto no Diário de Notícias

 

 

"Os professores podem fazer greve, é um direito, mas essa luta não pode afetar a vida dos alunos. Os maquinistas, os ferroviários, os motoristas da Carris e da STCP também, é legítimo, mas devem salvaguardar o transporte das pessoas que querem trabalhar."


"A greve é um direito inalienável, mas os estivadores devem levar em conta o superior interesse nacional e descarregar os navios. Também os pilotos e os controladores aéreos podem fazer greve se os aviões importantes voarem. Os bombeiros têm direito à greve se ficarem em alerta para emergências. Os guardas prisionais grevistas devem levar os presos a passear ao pátio da cadeia. Mas, repito, não pode estar em causa o direito à greve."

 


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