06
Jul 17
publicado por Tempos Modernos, às 12:08link do post | comentar

Havia aí um jornal que ia ouvir Barreto de cada vez que o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas levava com um chumbo do Constitucional. Já se sabia que com o homem estava sempre garantido um par de frases de ataques à Lei Fundamental, uma coisa do PREC a pedir alteração de cabo a raso.

 

Agora, depois disto, logo depois disto, lá estava o sociólogo de serviço a uma entrevista de Vítor Gonçalves na RTP. Que era para ajudar a pensar o país na sequência dos fogos de Pedrógão Grande, justificava-se o membro da direcção do canal. E olha que dois para o fazerem.

 

As ideias estúpidas propagam-se com grande velocidade nos meios de comunicação social portugueses, que reproduzem como boas as superficialidades uns dos outros. Em regra para o mesmo lado, que falta-lhes em originalidade o que lhes sobra na constância das apostas pessoais. E Gonçalves faz parte do conjunto de jornalistas que não nos sossega propriamente quanto à qualidade da informação e do contraditório.

 

Entretanto, Judite Sousa, que nos andou a servir reportagens e directos com mortos nas imagens de fundo, serviu-nos também um debate que meteu os roubos de Tancos comentados pelos directores Paulo Ferreira e António Costa. Mas o canal podia ter convidado logo Assunção Costas e Passos Coelho, se era para a coisa ficar um bocado mais plural e diversa de pontos de vista. Ou aquele outro moço que garantia a pés juntos a existência de armas de destruição massiva no Iraque e que entretanto para fundar uma publicação sacou uns trocos a uns amigos de Durão Barroso.

 

Que se há-de fazer? Anda aí muita gente com carteira profissional de jornalista, mas sem perceber que jornais não são blogues.

 

 


27
Jun 17
publicado por Tempos Modernos, às 10:10link do post | comentar

Conto de memória e sujeito a erros. Há uns anos no Instituto de Defesa Nacional, onde fazia um curso de Segurança e Defesa para Jornalistas, contava um dos formadores que em determinada altura se tinha entregue a alimentação das forças da NATO na ex-Jugoslávia a empresas civis de catering. Queria-se poupar e o concurso foi vencido por uma companhia italiana.

 

Todavia, talvez nem tudo tenha corrido tão bem como o lado financeiro. A tropa portuguesa, por exemplo, já tinha pouca paciência para tanta massa. E as marinhas mundiais já há muito que perceberam a importância da boa alimentação a bordo para manter o moral.

 

Mas nem é a questão dos apetites que interessa por aí além. Todos os problemas fossem esses. Em determinada altura, uma qualquer unidade militar de um qualquer país acabou uns dias largos cercada e sem abastecimento. Por causa dos riscos, os funcionários das empresas civis recusaram-se a ir alimentar os homens. Coisa que não aconteceria se em vez de companhias de catering, tivessem enviado companhias de administração militar.

 

Lembro-me sempre destas histórias quando vejo histórias como as do fecho ou alienação do Laboratório Militar, dos hospitais militares, da Manutenção Militar, das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento e de vários estabelecimentos fabris militares, como os Estaleiros Navais do Alfeite.

 

Há algum laboratório farmacêutico interessado em desenvolver medicação para o paludismo quando os medicamentos para a queda de cabelo dão mais dinheiro? Tem-se preferido fechar, privatizar, em vez de procurar modelos de gestão, produção e de investigação mais modernos. Lembrei-me de tudo isto por causa dos custos e falhas do SIRESP, que talvez com contratação de meios civis e outra organização das coisas, pudesse ter sido desenvolvido pelos armas, classes e especialidades de transmissões e comunicações das Forças Armadas.

 

Não é que as coisas não falhem. A minha confiança é até relativamente baixa. Mas os Estados Unidos da América há muito que perceberam a importância para a economia do desenvolvimento de equipamentos. Nem tudo tem de ser aplicado em material de guerra e boa parte dos inventos tem aplicações civis.


06
Jan 17
publicado por Tempos Modernos, às 11:37link do post | comentar

Lê-se em rodapé de noticiário televisivo que

 

"Exército manda regressar a Portugal o militar alegadamente criticado pela ONU por ter dançado com uma guerrilheira das FARC".

 

Passando por alto o "alegadamente", vale a pena perguntar como é que o Exército dá ordens a um capitão-de-fragata.


mais sobre mim
Julho 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
17
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30
31


pesquisar neste blog
 
blogs SAPO