30
Mai 16
publicado por Tempos Modernos, às 12:43link do post | comentar

Vieira da Silva, ministro do Trabalho de António Costa, tem atrás um homónimo ministro daninho de José Sócrates.

 

Ao contrário do dito por muitos analistas aquando da formação do Governo em funções, Vieira da Silva estará muito longe de agradar à esquerda.

 

recuperação do encosto dos feriados aos fins-de-semana é bandeira de que muito gostam os que acabaram com quatro feriados da última vez que estiveram do Governo. Curiosamente são os mesmos que se zangam com as greves marcadas para as sextas-feiras, que o mesmíssimo argumento serve-lhes para tudo. Ignoram também os ganhos do turismo e da restauração com as pontes, assim como o retorno em IVA e IRC.

 

Para já, o anúncio de duas medidas decentes que só pecam por tardias e limitadas. Por um lado, os cortes - devia ser o fim deste regime de trabalho forçado - nos contratos emprego-inserção, por outro o aumento da Taxa Social Única nos contratos a prazo.

 


05
Jan 16
publicado por Tempos Modernos, às 14:19link do post | comentar | ver comentários (9)

 

superbock-praias.jpg

Pede-se na direita avaliação da reposição dos feriados. Deve ser a mesma direita da profunda reflexão e dos muitos estudos que justificaram a sua eliminação.

 

Já há muitos uns anos vi pela primeira vez um um deputado a vender aos colegas de hemiciclo a perda para a economia que constituía cada feriado. Referia, claro, a existência de estudos que não me lembro de algum jornalista lhe ter pedido.

 

Simples como costumam ser estes trabalhos de estimativa económica, imagino que tenha assentado num daqueles modelos de aritmética simples, algo como PIB/365. Na economia* dizem-se, demasiadas vezes, demasiadas coisas, apenas por se achar.

 

Feriados geram, por exemplo, uma economia de lazer, uma economia turística, que nunca se vê referida pela direita ou pelos economistas de plantão ao comentário. Nas empresas cujos trabalhadores gozam feriados ignora-se também a poupança nos custos energéticos, de limpeza, etc. E, um pormenor, muitas das pontes são gozadas tirando dias às férias. Esses dias seriam, de qualquer modo, dias perdidos para a produção.

 

Um feriado gerará quebras no sector financeiro, mas isso é dinheiro que escapa para o estrangeiro através da relocalização de dividendos. O dinheiro do grosso dos restaurantes e de muitos pequenos hotéis há-de ficar por Portugal. Mesmo que nem todo seja apanhável através da máquina fiscal, boa parte dele entrará no bolso dos funcionários que assim pagam as suas contas, outra parte servirá para pagar a fornecedores.

 

Com a eliminação de feriados, em que medida os ganhos da Finança ou da indústria serão compensados pelas perdas do Turismo? O que ganhou o país, o Estado fornecedor de serviços públicos, de Saúde, Educação, com os ganhos obtidos pelos bancos portugueses através do corte de quatro feriados? Quanto teria ganhado através do Turismo se os quatro feriados tivessem ficado? E criou a Banca mais empregos? Teria o turismo criado mais postos de trabalho?

 

Passos Coelho e Paulo Portas não têm respostas para isso. Interessava era, ideologicamente, dificultar o descanso. Minar o espaço de ócio. Era mais importante destruir direitos do trabalho do que defender a produção. Nos últimos anos, as fábricas que tinham sido geridas pelo (pen)último ministro da Economia despediram gente – fábricas no sector agro-industrial, uma daquelas áreas cuja produção (sumos, cervejas, etc.) se escoa mais facilmente com um turismo vivo. Em que medida o aumento de produção de cerveja conquistada pelos quatro feriados eliminados foi escoado pela subtracção de quatro dias ao descanso?

 

 

* Aquilo não é, nunca foi, ciência, apenas a manipulação algébrica e uma matemática vagamente aplicada (que deita fora os milhares de variáveis potencialmente significativas que qualquer universo social gera) lhe dão uma respeitabilidade naturalizada que não justifica. Por exemplo, o efeito da subida do salário mínimo na criação/destruição de emprego estará por estudar de modo relativamente conclusivo.


10
Jun 15
publicado por Tempos Modernos, às 16:39link do post | comentar

 


01
Dez 13
publicado por Tempos Modernos, às 22:29link do post | comentar | ver comentários (1)

 

(Fonte: Alexandre Nevski)

 

Há uns anos, ouvi um qualquer político sacar do PIB, dividi-lo pelo número de dias úteis do ano e chegar publicamente à conclusão de que era esse o valor que o país perdia em cada feriado.

 

Foi com esta espécie de aritmética atamancada que os que lá estão agora no Governo sacaram dois feriados ao povo português - os outros dois foi a igreja de Policarpos e Clementes que lhes ofereceu o pescoço, desprezando pelo caminho a homenagem aos mortos dos seus e dos outros.

 

Conta-se hoje o segundo feriado laico retirado. E bom seria que todas as oposições se comprometessem a repor.

 

É apenas uma coincidência que tivesse andado um secretário de Estado pela Grécia para de lá sair apodado como "o alemão", na semana anterior à não celebração do 1º de Dezembro.

 

Afinal, todos os dias, há cerca de dois anos e meio, que o Executivo de Pedro Passos Coelho e de Paulo "Protectorado" Portas se comporta como agente de interesses estrangeiros ou, quando se dá o caso de defender interesses nacionais, apenas daqueles cujo capital não tem pátria e que muitas vezes está a render nas holandas e em outros paraísos fiscais.


10
Jun 13
publicado por Tempos Modernos, às 18:54link do post | comentar

Via Viriato Soromenho Marques dou conta que Freitas do Amaral comparou o Portugal presente com o da crise de 1383-1385.

 

Em Dia de Portugal, repara-se mais nos Peres de Trava, nos Andeiros, nos Miguéis de Vasconcelos que andam por aí instalados no poder, defendendo sobretudo interesses externos e particulares.

 

No seu tempo, também eles se pareceram legítimos e eternos


01
Nov 12
publicado por Tempos Modernos, às 10:23link do post | comentar | ver comentários (2)

 

 

Em 2011, ainda vieram na manhã do dia 1, mas o estribilho para pedir bolinhos era já o das "gostosuras ou travessuras", tradução consagrada pelos brasileiros para as histórias da Disney e da Hanna-Barbera passadas na noite de Halloween.

 

Este ano, subiram ao prédio logo ontem à noite. O dia era o errado (os países do sul não assinalam a noite das bruxas ao estilo anglo-saxónico) e o pedido era o errado (mais uma vez pediram "gostosuras ou travessuras" em vez do pão-por-Deus).

 

Ou seja, uma tradição com fundamento nas práticas do catolicismo vê-se ultrapassada pela força do imaginário protestante. É que sem a carga de propaganda que atingiu a Inquisição católica, os países protestantes tiveram, na mesmo época, o contraponto bárbaro e fundamentalista da perseguição às bruxas.

 

O episódio pode ser comezinho, mas até aqui se mostra como do ponto de vista da instituição é pouco inteligente permitir o fim da celebração do dia de Todos os Santos. A igreja não sabe lidar com os paganismos contemporâneos

 

 


05
Out 12
publicado por Tempos Modernos, às 12:01link do post | comentar | ver comentários (1)

Cavaco falou sobre Educação, numa cerimónia escondida no pátio dos fundos no edifício da câmara municipal de Lisboa, depois de se hastear a bandeira nacional a fazer o pino.

 

Já tudo lhes passa ao lado.

 

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 08:59link do post | comentar | ver comentários (1)

Por questões de segurança - leia-se, medo de ser apupado -, Cavaco falha a habitual intervenção presidencial a partir da varanda da câmara de Lisboa. E em Belém, o povo também é para ficar à distância.

 

Em simultâneo, Passos Coelho vai a Bratislava participar num tal grupo dos países amigos da coesão, um clube europeu do qual basta ouvir o nome para lhe entender o grau de eficácia.

 

Quem achasse que o fim deste feriado se devia à necessidade de aumento de produtividade do país, tira aqui a prova dos noves. Se assim fosse, se Passos Coelho respeitasse a data, assinalar-se-ia este momento fundador do regime no ano em que previsivelmente se celebra pela última vez.

 

De qualquer forma, é bem provável que para o ano o 5 de Outubro já esteja reposto. A não ser no caso em que se passe primeiro por uma experiência de Bloco Central, terá de ser uma das medidas simbólica de quem suceder a este governo.


09
Mai 12
publicado por Tempos Modernos, às 16:18link do post | comentar

Inenarrável a decisão da hierarquia católica de trocar o do dia de Todos os Santos, um dos escassos feriados religiosos assinalados de norte a sul, de forma pública, por muitos e muitos milhares de portugueses, pelo 15 de Agosto, que uma boa parte dos crentes nem sabe o que celebra.

 

(Para não falar da aberrante inconsequência que configura a eliminação dos feriados: eliminados apenas por que sim, por uma questão de fé sem argumento numérico que o justifiquem. Bem podem directores e editores nos jornais afirmar o contrário, atrelados à ladainha governamental e das confederações patronais.)


11
Mar 12
publicado por Tempos Modernos, às 13:09link do post | comentar | ver comentários (1)

 

A discussão em torno do fim de feriados está aí para durar. E sem entrar na discussão da desejável laicidade do Estado, a extinção ou suspensão de feriados tem um impacto - nas pessoas e na Economia - que está muito longe de estar consistentemente estudado. No entanto, o assunto, como tudo que se relaciona com o Trabalho, tem sido tratado pelo Governo mais como uma questão de fé do que como de factos comprovados.

 

Talvez por isso, ainda antes de lhe perguntarem fosse o que fosse, a Conferência Episcopal se tenha lembrado de propôr largar alguns dias de mão. Só que o Vaticano não gostou das opções da Igreja Portuguesa e já avisou que prefere abdicar do Dia de Todos os Santos. Para a Santa Sé, os cismáticos dias marianos é que são indispensáveis.

 

A igreja costuma ser mais cautelosa. Tirar às pessoas o dia em que celebram os seus mortos é nada perceber da forma como os crentes, e não só, homenageiam os entes queridos desaparecidos. Se perguntarem na rua, verão a resposta das populações. Mesmo confundido com o dia dos Fiéis Defuntos, o 1 de Novembro, é das poucas datas de evocação religiosa amplamente celebrada.

 

Sabe-se o pé de vento que se levanta em certas comunidades quando entram em rota de colisão com os párocos. Não será a distante igreja romana que impedirá os levantamentos.

 


mais sobre mim
Setembro 2017
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2

3
4
5
6
7
8
9

10
11
12
13
14
15

17
19
20
21
22
23

24
25
27
28
29
30


pesquisar neste blog
 
blogs SAPO