10
Fev 17
publicado por Tempos Modernos, às 13:08link do post | comentar

Mário Centeno vem frustrando sucessivos avisos catastrofistas acerca da economia portuguesa feitos pelo PSD, CDS, Comissão Europeia, OCDE, FMI e eurogrupo.

 

Os partidos da oposição esperam fazê-lo cair com os contornos trapalhões da nomeação de António Domingues para a administração da Caixa Geral de Depósitos. Mas o Governo de Pedro Passos Coelho e de Paulo Portas deixou o banco público armadilhado. Apesar da surpresa deixada por aqueles dois governantes, o ministro das Finanças do Governo de António Costa conseguiu negociar uma solução aprovada por Bruxelas.

 

A estratégia da oposição é de desgaste - quer do titular das Finanças, quer do banco público - mas está-se mesmo a ver a vontade que António Costa, PS e as esquerdas parlamentares terão de deixar cair o ministro.


27
Nov 16
publicado por Tempos Modernos, às 20:05link do post | comentar

Esta, das 18:54, onde Marcelo Rebelo de Sousa dizia que a "estabilidade do sistema financeiro" é "prioridade nacional" era para ser lida com esta, das 19:59, acerca da demissão de António Domingues da administração da Ciaxa Geral dos Depósitos.

 

Aparecem contratempos, dizia o Presidente da República, "uns dias de manhã", "outros diàs à tarde", "outros à noite" ou "à noitinha."


15
Nov 16
publicado por Tempos Modernos, às 11:32link do post | comentar

Em 2011, Judite de Sousa entrevistou sucessivos banqueiros sem se aperceber do movimento concertado para correr com o Governo de José Sócrates. Entretanto, depois disso, faliram bancos e até prenderam banqueiros (sim, e o então primeiro-ministro também, mas isso é outra questão).

 

Ora, anteontem, no Diário de Notícias e na TSF, lá tivemos uma entrevista a Ferraz da Costa com direito a comentários acerca da administração da Caixa Geral dos Depósitos. “Se a administração sair há responsabilidades políticas”, disse o histórico dirigente dos patrões portugueses. Há dias, Sol e jornal i tinham anunciado a saída breve de Mário Centeno. São os termos exactos em que Ferraz da Costa se expressa. E se a coisa até é uma possibilidade genérica, o texto das versões digitais do texto jornalístico não tinham uma única declração que lhes sustentasse a manchete.

 

Entretanto, também anteontem, mas à noite, na SIC, Marques Mendes, que até é o autor da questão da declaração de rendimentos, reclamou da oposição por não atacar mais António Domingues, o presidente do Conselho de Administração da Caixa Geral de Depósitos.

 

Ontem, na Renascença, esteve António Saraiva, a dizer que o dossiê “Caixa foi gerido desastrosamente, desde a nomeação da administração". Faz algum sentido, não todo, veja-se a recapitalização, mas a situação recebida do Governo de Passos Coelho e de Paulo Portas remete o lado realmente desastroso para tempos bem anteriores.

 

Do ponto de vista jornalístico e da ética, a questão da entrega das declarações de rendimentos é mais que óbvia notícia. Todavia, do ponto de vista empresarial e da economia, interessaria mais tratar da coisa em modo discreto. Como lembra, hoje, o nem sempre interessante Augusto Mateus, na mesma Rádio Renascença, há questões bem mais relevantes a discutir a propósito da CGD.

 

Ferraz da Costa, num dia, António Saraiva no outro, já são muitos patrões a bater na mesma coisa. Ainda por cima quando batem pelo mesmo lado e intercalados com o propagandista Marques Mendes – um que no tempo de Cavaco tratava de alinhamentos de telejornal. Nalguma coisa lembra a fronda bancária de 2011.

 


05
Nov 16
publicado por Tempos Modernos, às 19:58link do post | comentar

O jornal Sol noticia a saída do ministro das Finanças em Janeiro. E outras publicações vão atrás. António Costa reagiu dizendo ser “um disparate completo que o ministro esteja para sair”. Mas o facto está criado e o Público conclui que “Costa segura Centeno”, como se tivessem garantias cruzadas de que a hipótese de demissão de Centeno é um facto insofismável – é o que sugere o verbo escolhido pelo diário. Num Governo só se segura aquele que está para cair.

 

Infelizmente, este tipo de notícia, as que dão conta da dissolução iminente do Executivo do PS, têm sido uma tendência nas publicações do grupo editorial deste que o Governo tomou posse. Têm tido demasiadas manchetes e títulos a confundir desejos próprios com a realidade.

 

Desta vez, pelo que está disponível online, pouco se conclui quanto à consistência da informação veiculada. As fontes estão por identificar. E as declarações citadas que o jornal considera não poderem ser mais explícitas nada têm que ver com a saída de Centeno – que é o título da notícia e manchete do semanário. Falam sim da entrega das declarações de rendimentos e património da administração da Caixa Geral de Depósitos.

 

Às tantas, parte volumosa da informação política portuguesa assenta em factos criados e alimentados pelos jornais como se correspondessem à realidade. Um deixa cair e o outro apanha. Ainda se trata de jornalismo? Fica informado quem só leia as gordas e não esteja preparado para a hermenêutica do que é publicado pelos jornais?

 


15
Out 16
publicado por Tempos Modernos, às 11:25link do post | comentar

Para falar do Orçamento do Estado de 2017, José Gomes Ferreira levou ao programa Negócios da Semana, na SIC Notícias, João Duque, Paulo Núncio e Vasco Valdez.

 

Nos primeiros tempos da tróica, e já antes, João Duque era um dos mais fervorosos apoiantes das medidas de austeridade e do Governo PSD/CDS-PP.  Paulo Núncio, do CDS-PP, e Vasco Valdez, do PSD, são dois antigos secretário de Estado dos Assuntos Fiscais - o primeiro com Pedro Passos Coelho, o segundo com Cavaco Silva e com Durão Barroso

 

Onde é que está cumprida aquela ideia peregrina de que os "factos devem ser comprovados, ouvindo AS PARTES com interesses atendíveis no caso"?

 


29
Ago 16
publicado por Tempos Modernos, às 12:12link do post | comentar | ver comentários (4)

É curioso que a Associação Lisbonense de Proprietários (ALP) peça agora o fim da isenção de IMI para os partidos e se coíba de pedir o mesmo para a Igreja Católica.

 

Depois de ter sido noticiado que algumas repartições de Finanças começaram a cobrar IMI à igreja, já o Expresso tratou de noticiar o património imobiliário dos partidos. Agora lembra-se a ALP de pedir o fim das isenções dos partidos.

 

Espera-se que algum jornal (o Expresso, por exemplo) contabilize a dimensão da propriedade predial da Igreja Católica. Muitos desses bens foram obtida por doação, em mais de quatro mil paróquias em todo o território nacional. Seria, pois, muito interessante que todos percebessemos a dimensão da propriedade imobiliária nas mãos da Igreja.

 

Já agora, perceber quanto pagaram de impostos pelas doações de bens dos particulares e perceber quanto IMI deixou de ser cobrado quando essas propriedades passaram das mãos dos privados não isentos para as mãos da isenta Igreja.


27
Ago 16
publicado por Tempos Modernos, às 10:48link do post | comentar

O orçamento rectificativo e a injecção de capital são obviamente relevantes, mas é estranho que a ninguém ocorra perguntar da vitória política que o acordo de Bruxelas significa, mesmo que haja muitos, muitos pormenores para esclarecer:

 

"Mário Centeno sorriu, com ar espantado, talvez pelo facto de ninguém na sala, naquela conferência de imprensa, lhe perguntar pela vitória que reclamava. As televisões não destacaram e os jornais no dia seguinte não puxaram pela frase que na altura  fez questão de frisar: «O acordo é uma boa notícia, uma muito boa notícia». A ideia não passou e o que ficou no papel foi que as contas orçamentais teriam de ser revistas para acomodar a injecção de capital. Centeno não apareceu como o salvador da Caixa nem da pátria, pelo menos da financeira."

 

In Público


03
Jul 16
publicado por Tempos Modernos, às 18:57link do post | comentar

"Temos de punir os pecados do passado, mas com o olho numa futura redenção”, justifica uma fonte da Comissão Europeia a antecipar três semanas que Bruxelas dará a Portugal e Espanha para tomarem medidas que lhes permita cumprir o défice de 2015.

 

O articulado traz ranço protestante, uma linguagem de castigo e provação. Uma crença fundamentalista no divino do velho Testamento que lhes justificará a ideia omnipotente de que dois países possam actuar retroativamente sobre contas passadas.

 

Ontem, Marcelo Rebelo de Sousa afirmava não se dever aplicar nenhuma sanção ao "Governo de Passos Coelho, porque não merece", nem ao "Governo de António Costa porque, na pior das hipóteses, ainda não merece, ou nunca merecerá".

 

O que a Comissão Europeia promete é castigar o actual primeiro-ministro pela governação daquele que lhes seguiu (com gosto) as imposições. A juntar à vontade várias vezes anunciada, há as estranhas declarações de Maria Luís Albuquerque: Se fosse ela a ministra das Finanças o país não sofreria sanções.

 

Como foi sob o seu exercício que o país falhou o défice que pode provocar as sanções, não deve ser de especial competência que Maria Luís se gaba. Do que a ex-ministra se fia é de a Comissão Europeia ser constituída maioritariamente por parceiros europeus do PSD e do CDS-PP. E esses preferem ajudar os seus e fazer a folha a um governo apoiado por uma maioria de esquerda que tem apresentado bons resultados em termos de execução orçamental.

 

 


30
Jun 16
publicado por Tempos Modernos, às 12:31link do post | comentar

Subir Lall falhou sem explicações a reunião que tinha marcada com o Conselho de Concertação Social (CCS). No seu lugar mandou uns senhores que ninguém sabia quem eram, mas que ouviram e tomaram nota.

 

Da próxima, o chefe de missão do Fundo Monetário Internacional corre o risco de que - ao menos uma das centrais sindicais - mande um dos seus administrativos à reunião. Lall bem se pode justificar com uma falha de comunicação. Quem acredita que tanta gente, e de interesses tão divergentes, tenha ido ao engano a uma reunião do CCS que afinal era outra coisa?

 

Todavia, nem tudo foi tempo perdido em mais uma actuação do FMI em Portugal. Enquanto por aí andava, Subir Lall aproveitou para deixar recados acerca da política económica e social do governo. Com um sentido de oportunidade curioso, antecipava o tom e conteúdo das declarações de Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças alemão. E vincava a vontade sancionatória da comissão bruxelense.

 

 


20
Nov 15
publicado por Tempos Modernos, às 10:48link do post | comentar

Embora conduzido pelo Núncio do CDS-PP, o plano da devolução da sobretaxa na véspera das legislativas faz parte destes repertórios.


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