15
Nov 16
publicado por Tempos Modernos, às 12:18link do post | comentar

No pico da luta dos taxistas com a Uber, João Matos Fernandes, o ministro do Ambiente, disse que a Uber não é uma operadora de transportes.

 

É caso para lhe perguntar então o que é que a Uber está sendo se não uma operadora de transportes?

 

Pouco depois, Vieira da Silva, ministro da Solidariedade, recusou pôr robôs a pagar segurança social pelos trabalhos que destroem, uma ideia que ouviu da boca do Reitor da Universidade de Coimbra:

 

"Num ambiente em que a geração atual deve pagar as pensões daqueles que estão aposentados, então nos casos em que objetivamente a máquina substitui as pessoas, essa máquina deve contribuir para as pensões dos que estão aposentados"

 

Abrem-lhe caminhos para continuar a manter um sistema público e universal de segurança social e o ministro recusa sequer considerar a hipótese, que a robotização do emprego, disse, faz parte do processo de modernização competitiva das empresas. Vieira da silva chega ao ponto de se preocupar com eventuais gastos da empresa com a fiscalidade, como se não poupassem o suficiente na eliminação de postos de trabalho,

 

Não se vai muito longe com este tipo de raciocínio tão amigo da desregulamentação e da supressão dos humanos.


15
Out 16
publicado por Tempos Modernos, às 11:25link do post | comentar

Para falar do Orçamento do Estado de 2017, José Gomes Ferreira levou ao programa Negócios da Semana, na SIC Notícias, João Duque, Paulo Núncio e Vasco Valdez.

 

Nos primeiros tempos da tróica, e já antes, João Duque era um dos mais fervorosos apoiantes das medidas de austeridade e do Governo PSD/CDS-PP.  Paulo Núncio, do CDS-PP, e Vasco Valdez, do PSD, são dois antigos secretário de Estado dos Assuntos Fiscais - o primeiro com Pedro Passos Coelho, o segundo com Cavaco Silva e com Durão Barroso

 

Onde é que está cumprida aquela ideia peregrina de que os "factos devem ser comprovados, ouvindo AS PARTES com interesses atendíveis no caso"?

 


01
Set 16
publicado por Tempos Modernos, às 10:10link do post | comentar

Pelas 18h10 de ontem, várias publicações davam como certa a contratação de Rafa, campeão europeu e jogador do SC Braga, pelo SL Benfica.

 

No dia anterior, várias publicações desportivas diziam que a contratação do futebolista pelo Sporting CP era uma possibilidade. Esta aquisição potencial culminaria o par de semanas de impasse que se seguiram ao primeiro anúncio da sua contratação pelo Benfica e ao contra-vapor feito, entretanto, devido a exigências do empresário do jogador.

 

Ontem, entre as 18h10 e as 18h30, pelo menos O Jogo, A Bola e a TVI 24 anunciaram a contratação de Rafa pelo Benfica. Às 23h30 quando por acaso voltei a zapar entre canais, Rafa voltara a estar em dúvida no plantel encarnado. Estas e outras passos-falsos deviam levar os jornalistas a ponderar melhor a credibilidade e real valia das suas fontes.

 

Nas vésperas do fecho do mercado de contratações futebolísticas, a que audiências interessará a notícia de que um clube rival planeia adquirir um jogador que já fora dado como certo num clube rival? Que consequências decorrem das manchetes de 180 graus, dadas no mesmo dia, pel'A Bola e pelo Record, cada uma delas garantindo o mesmo jogador em simultâneo em dois clubes diferentes?

 

Andar informado obriga a acompanhar as correntes noticiosas. Obriga a perceber aquilo que é publicado pelos jornais, mas também a olhar para o quando é que essa notícia foi dada.


31
Ago 16
publicado por Tempos Modernos, às 15:58link do post | comentar

Perante o pedido de pagamento de IMI de prédios da igreja feito por algumas repartições de finanças, a presidente do CDS-PP ameaça.

 

Pelo menos é isso que parece decorrer do modo como Assunção Cristas põe a questão. Um estilo causa-efeito plasmado como vingança:

se cobrarem impostos à Igreja, o CDS-PP exigirá o fim da isenção do IMI de partidos e sindicatos.

 

É a responsável máxima de um partido civil a retaliar sobre os partidos e os sindicatos em nome da Igreja a que pertence.

 

O Partido do Paulinho das Feiras terá dado lugar ao Partido da Sãozinha das Freiras.


29
Ago 16
publicado por Tempos Modernos, às 12:12link do post | comentar | ver comentários (4)

É curioso que a Associação Lisbonense de Proprietários (ALP) peça agora o fim da isenção de IMI para os partidos e se coíba de pedir o mesmo para a Igreja Católica.

 

Depois de ter sido noticiado que algumas repartições de Finanças começaram a cobrar IMI à igreja, já o Expresso tratou de noticiar o património imobiliário dos partidos. Agora lembra-se a ALP de pedir o fim das isenções dos partidos.

 

Espera-se que algum jornal (o Expresso, por exemplo) contabilize a dimensão da propriedade predial da Igreja Católica. Muitos desses bens foram obtida por doação, em mais de quatro mil paróquias em todo o território nacional. Seria, pois, muito interessante que todos percebessemos a dimensão da propriedade imobiliária nas mãos da Igreja.

 

Já agora, perceber quanto pagaram de impostos pelas doações de bens dos particulares e perceber quanto IMI deixou de ser cobrado quando essas propriedades passaram das mãos dos privados não isentos para as mãos da isenta Igreja.


05
Dez 15
publicado por Tempos Modernos, às 20:23link do post | comentar

Portugal precisa de dinheiro. Portugal precisa não só de cumprir as estúpidas metas do défice a que se comprometeu com Bruxelas, como também, de manter um estado social e índices de desenvolvimento humano compatíveis com os do grupo dos países ocidentais desenvolvidos a que pertence. Portugal precisa de dinheiro. E, com as regras a que está forçado a obedecer, só o terá se subir os salários. De contrário, a riqueza criada em Portugal será escoada, sob a forma de dividendos, para contas externas na Holanda, Zona Franca da Madeira e paraísos fiscais.

 

Ainda agora, na Gulbenkian, Joseph Stiglitz, nobel da Economia, vincou a necessidade de combater desigualdades e de aumentar impostos. Mas é difícil. A tentação do boicote ao novo Executivo é não só grande como sistematicamente anunciada. E são as próprias empresas que se mostram intransigentes e pouco colaboradoras que se põem na posição de serem forçadas a subir os salários dos seus funcionários.

 

No dia em que António Costa foi indicado para formar Governo, António Saraiva, patrão dos patrões, disse à Renascença que os dias de indefinição política no país tinham levado alguns empresários a “retirar dinheiro do país pelos sinais negativos que foram dados em termos de fiscalidade”.

 

Boa parte desta gente, dos que são realmente representados pela CIP, que Saraiva dirige, e por outras confederações patronais, não paga há muito tempo impostos em Portugal. Isso fica para os empresários miúdos, que nem por isso têm especial consciência da sua posição. Os primeiros ganham muito dinheiro, mas escapam-se com ele para lugares onde a fiscalidade lhes é vantajosa.

 

Pagam, pois, os impostos em Portugal, não os que têm maior capacidade para o fazer, mas os que ganham menos, os com lucros mais baixos, os que não têm capacidade para encontrar soluções que lhes desonerem a carga fiscal. Pior, se as maiores empresas pagassem impostos em Portugal, as pequenas, médias e micro empresas teriam uma carga fiscal mais baixa. O que estas nem sequer vêem.

 

Para concluir: O Estado português precisa de dinheiro, mas as empresas portuguesas que podiam pagar impostos que se vissem e redistribuir o dinheiro dos dividendos que alcançam não pagam impostos em Portugal. Uma solução para ir buscar o dinheiro que ganham, em Portugal, com trabalhadores portugueses, e com o mercado português, é forçá-las a aumentar os salários dos seus trabalhadores. De contrário, todo o dinheiro que estas empresas fazem será taxado apenas residualmente, nunca sendo redistribuido, mas regressando às grandes empresas e aos cofres dos seus donos.

 

Assim, as empresas forçadas a redistribuir o dinheiro que ganham através de um aumento significativo da massa salarial terão menos dinheiro para depositar no estrangeiro. Aumentados, os trabalhadores poderão ter maior qualidade de vida. E o Estado pode recuperar, a partir do IRS dos novos aumentados, parte do valor que engrossaria os dividendos das empresas e dos seus patrões.

 

E será de recear a fuga dos investimentos das grandes empresas? De algumas, sim, de muitas delas obviamente que não. Alguém acha que se Alexandre Soares dos Santos ou os Azevedos deslocalizassem as suas empresas, ninguém as substituiria ou que os portugueses deixariam de ter onde fazer compras?


publicado por Tempos Modernos, às 15:41link do post | comentar

Sem estender muito o perímetro, conto aqui, em redor de casa, seis cafés familiares. Desses geridos por um casal, vivendo de cafés rápidos ao balcão, um ou outro bolo ou salgado, uma dúzia de refeições ligeiras diárias. Quatro contam com um terceiro familiar como empregado, filhos, todos eles. O quinto mantém uma funcionária, apenas à hora das refeições, sem qualquer parentesco com os donos.

 

Rodo-os a todos nos meus cafés diários, distribuindo mais ou menos equitativamente os 60 cêntimos do consumo. Quando lá entro fora das horas de ponta, sou, muitas vezes, o único cliente. No café com empregada, tirando os donos, não me recordo de ter visto alguém a almoçar.

 

Nenhum deles fará grande dinheiro ao fim do mês. Vão andando, uma vida atrás do balcão, abrindo das 8h às 20h, alguns até durante mais horas. São o tipo de negócio que o primeiro governo de Passos Coelho e Paulo Portas quis dar à morte. Sem competitividade, sem capacidade de afirmação no mercado, tão diferentes da pastelaria vizinha, empreendedora, sempre cheia, umas duas dezenas de empregados, bolos e pão feitos na casa, em contínuo, uma centena de almoços diários, sucursais noutros pontos da cidade, carrinhas de distribuição própria – um negócio certificado.

 

A subida do IVA dos 13 para os 23 por cento terá fechado muitos cafés e restaurantes. Estes aqui, em redor de casa, aguentaram-se. Duvido muito que corrijam os preços quando o imposto voltar aos 13 por cento. E, é verdade, nem sempre me dão a factura. Também não a quero para nada e acaba quase sempre por ficar em cima do balcão ou perdida entre a minha muita papelada doméstica.

 

Nestes anos de tróica, Passos e Portas, sem estes muito milhares e milhares de negócios familiares, parados no tempo, não competitivos, longe de modelares, sem qualquer valor acrescentado, de que teriam vivido estas famílias de gente com a quarta classe? Onde teriam ido parar as famílias do casal proprietário e da filha empregada dos seis cafés aqui em redor de casa?

 


25
Mar 14
publicado por Tempos Modernos, às 19:07link do post | comentar | ver comentários (1)

Primeiro, a ideia de sortear automóveis entre os pedidores de facturas é pacóvia e só podia ter saído das cabecitas de patos bravos.

 

Depois, aumenta as importações, o que joga mal com uma muito auto-publictada aposta governamental.

 

Por fim, quem ganha com a coisa volta a ser a Alemanha que lá consegue vender em Portugal mais meia dúzia de unidades automóveis.

 

E nem sequer são carros que saiam da Auto-Europa.

 

Simbólico, mas ainda assim absolutamente revelador de um certo quadro de indigência mental.


03
Out 12
publicado por Tempos Modernos, às 19:50link do post | comentar | ver comentários (1)

 

 

(Foto:rr.sapo.pt)

 

Aguarda-se a todo o momento que seja divulgada a carta que Paulo Portas escreveu a Passos Coelho manifestando-se contra o aumento de impostos.


11
Jul 12
publicado por Tempos Modernos, às 11:51link do post | comentar | ver comentários (1)

Em Espanha, o líder do PSOE, na oposição, recupera a proposta de um imposto sobre as grandes fortunas, a exemplo do que sucede em França,e à semelhança daquele que o seu partido eliminou, em 2008, quando estava no Governo. É uma alternativa ao aumento do IVA e do corte de subsídios impostos por Rajoy e pelo Partido Popular.

 

Justo, por vários motivos. Para já, é menos penalizador para a Economia: A espanhola e as domésticas. Depois, as grandes fortunas beneficiaram com o processo que conduziu a Europa à crise e sempre o incentivaram. Passarem incolumes pelas gotas da chuva apenas potencia sentimentos de impunidade. E quando falam tanto em moral e castigo será lícito que fiquem de fora dos passeios em sambenito?


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