06
Jul 17
publicado por Tempos Modernos, às 12:08link do post | comentar

Havia aí um jornal que ia ouvir Barreto de cada vez que o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas levava com um chumbo do Constitucional. Já se sabia que com o homem estava sempre garantido um par de frases de ataques à Lei Fundamental, uma coisa do PREC a pedir alteração de cabo a raso.

 

Agora, depois disto, logo depois disto, lá estava o sociólogo de serviço a uma entrevista de Vítor Gonçalves na RTP. Que era para ajudar a pensar o país na sequência dos fogos de Pedrógão Grande, justificava-se o membro da direcção do canal. E olha que dois para o fazerem.

 

As ideias estúpidas propagam-se com grande velocidade nos meios de comunicação social portugueses, que reproduzem como boas as superficialidades uns dos outros. Em regra para o mesmo lado, que falta-lhes em originalidade o que lhes sobra na constância das apostas pessoais. E Gonçalves faz parte do conjunto de jornalistas que não nos sossega propriamente quanto à qualidade da informação e do contraditório.

 

Entretanto, Judite Sousa, que nos andou a servir reportagens e directos com mortos nas imagens de fundo, serviu-nos também um debate que meteu os roubos de Tancos comentados pelos directores Paulo Ferreira e António Costa. Mas o canal podia ter convidado logo Assunção Costas e Passos Coelho, se era para a coisa ficar um bocado mais plural e diversa de pontos de vista. Ou aquele outro moço que garantia a pés juntos a existência de armas de destruição massiva no Iraque e que entretanto para fundar uma publicação sacou uns trocos a uns amigos de Durão Barroso.

 

Que se há-de fazer? Anda aí muita gente com carteira profissional de jornalista, mas sem perceber que jornais não são blogues.

 

 


28
Jun 17
publicado por Tempos Modernos, às 10:14link do post | comentar

António Barreto é um dos mais insuportáveis comentadores nacionais. Verborreico, pedante, elitista. E sem fibra.

 

A João Miguel Tavares (cujas qualidades comerciais passaram e passam, no essencial, por dizer mal de Sócrates como se não houvesse amanhã e por se comportar de modo bastamente parvinho - atributos que muito se apreciam na imprensa a que chegámos) ocorreu propor o ex-funcionário da fundação do merceeiro holandizado para chefiar uma comissão de investigação independente aos fogos de Pedrógão Grande.

 

Foi o que de independente ocorreu ao jornalista na coluna que lhe deram no Público. E propôs Barreto sem se rir. O que deve afastar a intenção piadística que cultiva.


27
Jun 17
publicado por Tempos Modernos, às 10:10link do post | comentar

Conto de memória e sujeito a erros. Há uns anos no Instituto de Defesa Nacional, onde fazia um curso de Segurança e Defesa para Jornalistas, contava um dos formadores que em determinada altura se tinha entregue a alimentação das forças da NATO na ex-Jugoslávia a empresas civis de catering. Queria-se poupar e o concurso foi vencido por uma companhia italiana.

 

Todavia, talvez nem tudo tenha corrido tão bem como o lado financeiro. A tropa portuguesa, por exemplo, já tinha pouca paciência para tanta massa. E as marinhas mundiais já há muito que perceberam a importância da boa alimentação a bordo para manter o moral.

 

Mas nem é a questão dos apetites que interessa por aí além. Todos os problemas fossem esses. Em determinada altura, uma qualquer unidade militar de um qualquer país acabou uns dias largos cercada e sem abastecimento. Por causa dos riscos, os funcionários das empresas civis recusaram-se a ir alimentar os homens. Coisa que não aconteceria se em vez de companhias de catering, tivessem enviado companhias de administração militar.

 

Lembro-me sempre destas histórias quando vejo histórias como as do fecho ou alienação do Laboratório Militar, dos hospitais militares, da Manutenção Militar, das Oficinas Gerais de Fardamento e Equipamento e de vários estabelecimentos fabris militares, como os Estaleiros Navais do Alfeite.

 

Há algum laboratório farmacêutico interessado em desenvolver medicação para o paludismo quando os medicamentos para a queda de cabelo dão mais dinheiro? Tem-se preferido fechar, privatizar, em vez de procurar modelos de gestão, produção e de investigação mais modernos. Lembrei-me de tudo isto por causa dos custos e falhas do SIRESP, que talvez com contratação de meios civis e outra organização das coisas, pudesse ter sido desenvolvido pelos armas, classes e especialidades de transmissões e comunicações das Forças Armadas.

 

Não é que as coisas não falhem. A minha confiança é até relativamente baixa. Mas os Estados Unidos da América há muito que perceberam a importância para a economia do desenvolvimento de equipamentos. Nem tudo tem de ser aplicado em material de guerra e boa parte dos inventos tem aplicações civis.


27
Ago 16
publicado por Tempos Modernos, às 14:52link do post | comentar

Os incêndios florestais em Portugal trazem sempre alguns tópicos populistas de discussão.

 

Primeiro, surge a ideia peregrina de lançar os incendiários às chamas. Já a ouvi da boca da mesma pessoa que lançava beatas de cigarro pela janela do carro e que se zangava por lhe chamarem a atenção.

 

Depois, fala-se dos desempregados e dos beneficiários do rendimento de inserção que devem se postos a limpar matas. Não ocorre aos proponentes que a falta de limpeza das florestas portuguesas também decorre das poupanças obtidas com o fim dos guardas florestais, atirados para a GNR, e até dos cantoneiros da antiga JAE. Entre a criação de empregos ligados à floresta e o forçar desempregados e pobres a limpar as matas há sempre uns quantos a preferir a segunda opção.

 

Por fim, outro tópico recorrente é o do uso dos militares no combate aos incêndios. Se há quem queira aproveitar desempregados e beneficiários do rendimento mínimo em trabalhos de limpeza de mata para o qual não têm vocação nem treino, é natural existir quem queira desviar as Forças Armadas daquilo para que elas servem e para o que são treinados.

 

Isto, embora, em caso de necessidade, as Forças Armadas possam e devam apoiar os bombeiros e a protecção civil. Como ainda agora se viu claramente na Madeira. A Força Aérea até poderá usar horas de voo em treino de ataque a incêndio. Durante o Verão o Exército pode e deve fazer treino de campo e patrulhas nas matas. A arma de Engenharia pode e deve abrir picadas e estradas corta-fogos. 

 

Mas se calhar, sem treino específico, os militares do Exército apenas serão aproveitáveis como auxiliares, na retaguarda dos bombeiros, e nas situações mais dramáticas. Não se substituem a forças de combate a incêndios bem treinadas e bem equipadas. Mas não é disso que se trata, o pressuposto desses críticos (e, por um variado conjunto de motivos, há jornalistas entre os mais excitados pelas chamas) é que as Forças Armadas gastam dinheiro e não fazem nada, tal como os desempregados e os beneficiários do rendimento mínimo. Entre a opção de planear e ordenar para evitar catástrofes e emergências, há sempre uns quantos que preferem improvisar.

 

 

 

 

 

 


27
Ago 13
publicado por Tempos Modernos, às 20:19link do post | comentar

O inquilino de Belém corre sistematicamente atrás do prejuízo. Não por se encontrar acometido por qualquer bambúrrio de azar, olho gordo ou obsessão persecutória de adversários mesquinhos – como acreditará intuir –, mas por manifesta inadequação pessoal e política para o cargo que ocupa e para o qual o elegeram duas vezes.

 

Escolhas tanto mais grave quando na última delas já se sabia da inventona das escutas de Belém e dos lucros com acções saídas do aparato criminoso-financeiro que atirou o país ao buraco e que faziam com que só os muitíssimo distraídos comprassem Cavaco por Presidente. À segunda, cai quem quer.

 

No seu critério, Cavaco pode muito bem ter entendido apresentar, de modo discreto, as condolências às famílias e corporações dos bombeiros mortos este ano no combate aos fogos florestais. Mas por força das circunstâncias, estas mortes colaram-se à morte de António Borges.

 

E, sem acesso ao poder, António Nuno Ferreira, Pedro Rodrigues, Ana Rita Pereira e Bernardo Figueiredo são heróis que deram a vida pelo bem comum.

 

Já António Borges era um amigo de Cavaco, muito bem pago, de currículo polémico, tornado conhecido por declarações da mais manifesta insensibilidade social e que usou sempre o muito poder e influência que tinha para dar mais dinheiro a ganhar aos habituais grupos económicos e financeiros. Os seus préstimos para a sociedade e para o país foram para um grande número de portugueses duvidosos ou mesmo prejudiciais.

 

Há alturas em que a falta de consistência política e a duplicidade de critérios fazem um ruído aterrador.

 


25
Jul 12
publicado por Tempos Modernos, às 12:08link do post | comentar | ver comentários (1)

 

(Foto: A Bola.pt)

 

A realidade anda demasiado atroz para se escrever sobre ela.

 

Nos blogues, vejo que barretos e manuelas ferreiras leites continuam a catequizar telespectadores e a entorpecer sinapses neuronais.

 

A Alemanha, finalmente ameaçada pelos mercados, grita - como antes gritou Portugal que não era  Grécia - que não é a Espanha, a Itália: "Nós somos a âncora do euro." Por cá, o Governo segue viagem numa ampla e antológica frente de disparates estratégica e ideologicamente criminosa.

 

Assunção Cristas, um ente político bem kitado pela comunicação social, abre caminho à eucaliptização do país. Segundo parece, do ministério da Agricultura, Ambiente e Ordenamento sairá legislação pondo fim à necessidade de pedido de autorização para o tipo de árvore a plantar em terrenos de até cinco hectares (dez no caso da rearborização).

 

Desde há muito que especialistas em incêndios florestais têm apontado a monocultura florestal como uma das grandes reponsáveis pela rapidez de progressão dos fogos em Portugal. Tiro e queda. A brilhante ideia sai do gabinete da ministra cá para fora e o país leva a semana a arder. Talvez Assunção Cristas volte a propor a reza do terço, desta vez como solução para os fogos e seu impacto económico.

 

Com o incentivo pirómano saído do Ministério de Assunção não haverá muito mais a fazer. É a aposta na Economia de Catástrofe: Um inferno repleto de helicópteros de combate a incêndio, de  pesados meios humanos e técnicos a pagar pelo Estado. Com que impacto no crescimento da Indústria? É que as exportações de pasta de papel são próprias de uma economia terceira-mundista. Os países crescidos produzem mesmo é papel. Deixam a matéria-prima para as colónias. Aulinhas de História Económica faziam muita falta a muita gente, turbo-licenciada ou doutorada que seja.

 

Nuno Crato, cuja telegenia e saudosismo da escola salazarista converteram em especialista em educação muito requisitado pelos jornais, lá vai fazendo os possíveis para recolocar Portugal no caminho do atraso educativo. Catedrático de matemática, na mesma escola que teve Bento de Jesus Caraça como referência, evidencia ruidosamente que nem tudo era mau nos anos 1940. Ou de como alguns de agora se podiam trocar pelos de então.

 

Mostrando como os economistas aprendem a fazer contas, com a costumeira justificação da falta de dinheiro, Crato decidiu aumentar a dimensão das turmas. Reduziu administrativamente a necessidade de professores, mas aumentou a prazo o insucesso escolar e de aprendizagem.

 

De repente, talvez alertado pelas queixas sindicais, reparou que as escolas ficariam com umas quantas dezenas de milhares de horários zero. Além dos contratados, muitos salários para pagar. Gente do quadro sem horários disponíveis nas escolas. Para grandes males, grandes remédios. Escasso par de dias após forçar milhares de professores a novo concurso, decidiu que as escolas deveriam reavaliar mais uma vez as necessidades.

 

Para os professores emprateleirados pediu às escolas inventassem colocações administrativas ou no apoio ao ensino. Muitos irão parar a bibliotecas, outros ajudarão a dar aulas no primeiro ciclo do ensino básico. Por um lado, mina-se a qualidade do ensino aumentando o tamanho das turmas, depois atiram-se os professores sobrantes, sem preparação e desmotivados, para as antigas escolas primárias.

 

Uma nota pessoal: Aqui há dias fiz intensa campanha pessoal junto de uma professora de português para dar positiva a um aluno com média de 46% permitindo-lhe passar para o 9º ano. Haverá algum motivo para ser exigente com o Zézito, estudante com dificuldades, quando ministros, dos mais cotados, demonstram não ter percebido nada das lições que o dia-a-dia lhes dá? Quando os ministros se comportam como comparsas dos Malucos do Riso, haja um resto de seriedade nalgum lado. O mérito e o rigor não podem ser apenas para os mais pequenos.

 

 

* Um verso de Sá de Miranda já usado por Lobo Antunes, António, como título de romance.


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