06
Jul 17
publicado por Tempos Modernos, às 12:08link do post | comentar

Havia aí um jornal que ia ouvir Barreto de cada vez que o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas levava com um chumbo do Constitucional. Já se sabia que com o homem estava sempre garantido um par de frases de ataques à Lei Fundamental, uma coisa do PREC a pedir alteração de cabo a raso.

 

Agora, depois disto, logo depois disto, lá estava o sociólogo de serviço a uma entrevista de Vítor Gonçalves na RTP. Que era para ajudar a pensar o país na sequência dos fogos de Pedrógão Grande, justificava-se o membro da direcção do canal. E olha que dois para o fazerem.

 

As ideias estúpidas propagam-se com grande velocidade nos meios de comunicação social portugueses, que reproduzem como boas as superficialidades uns dos outros. Em regra para o mesmo lado, que falta-lhes em originalidade o que lhes sobra na constância das apostas pessoais. E Gonçalves faz parte do conjunto de jornalistas que não nos sossega propriamente quanto à qualidade da informação e do contraditório.

 

Entretanto, Judite Sousa, que nos andou a servir reportagens e directos com mortos nas imagens de fundo, serviu-nos também um debate que meteu os roubos de Tancos comentados pelos directores Paulo Ferreira e António Costa. Mas o canal podia ter convidado logo Assunção Costas e Passos Coelho, se era para a coisa ficar um bocado mais plural e diversa de pontos de vista. Ou aquele outro moço que garantia a pés juntos a existência de armas de destruição massiva no Iraque e que entretanto para fundar uma publicação sacou uns trocos a uns amigos de Durão Barroso.

 

Que se há-de fazer? Anda aí muita gente com carteira profissional de jornalista, mas sem perceber que jornais não são blogues.

 

 


25
Jun 17
publicado por Tempos Modernos, às 14:39link do post | comentar

Há excepções. Mas isto é a regra no jornalismo português.

 

Se se quiser informação asseada não é com os jornalistas e editores que hoje estão no terreno e nas redacções que a teremos. Viram os fogos de Pedógão Grande? Vêem a informação política, económica ou desportiva?

 

Também não será com o que se ensina nas faculdades e escolas de comunicação que se terá informação com real valor informativo. O produto intelectual que sai das universidades e que se reproduz nelas e fora delas não é adequado à função jornalística. É, até, jornalística e informativamente incompetente.


publicado por Tempos Modernos, às 13:55link do post | comentar

Entrevistados pelo canal Q, dois jornalistas, desses mais divertidos, contam histórias sem sequer darem conta de que estão a confessar atropelos deontológicos.

 

Num caso, confessa-se o interesse de um patrocinador na cobertura de um evento desportivo-radical por determinado jornalista.

 

No outro caso, confessam-se responsabilidades de uma redacção na exibição ao estilo apanhados da entrevista de uma mulher - com evidentes défices culturais - que nunca foi para o ar.


19
Jun 17
publicado por Tempos Modernos, às 16:58link do post | comentar

Os dias não recomendam a escrita.

 

Apenas assinalo a data de hoje para depois voltar ao tema.

 

Recebi pelo correio, hoje, dia 19 de Junho, a Jornalismo & Jornalistas, nº 64 Jul/Set 2017.

 

Esta edição da revista do Clube dos Jornalistas é dedicada ao 4ª Congresso dos Jornalistas - que se realizou em Janeiro (e que depois teve de ser esticado para mais umas pinguinhas em Março).


11
Jun 17
publicado por Tempos Modernos, às 11:07link do post | comentar

Raquel Abecassis terá deixado o jornalismo para concorrer a uma junta de freguesia lisboeta nas listas do CDS-PP e de Assunção Cristas. Talvez seja melhor no exercício do cargo do que no exercício jornalístico.

 

Fez parte durante anos dos quadros da Rádio Renascença, um canal de referência noticiosa, onde chegou a directora-adjunta, e fez muitas vezes análise política nas televisões. Nos últimos tempos escreveu no digital da estação artigos contra a pós-verdade, embora nada a recomendasse para se insurgir contra as ideias falsas propaladas como verdadeiras.

 

A seguir às últimas legislativas, Raquel Abecassis insurgiu-se contra a Constituição que retardava a formação de Governo. A Lei Fundamental é um suspeito habitual, mas o prolongar do tempo para a entrada de um Governo em funções deveu-se mais à acção lenta e ressentida de Cavaco - em quem provavelmente Raquel Abecassis votou - do que ao que está escrito nos vários artigos do capítulo acerca da Formação e Responsabilidade do Governo.

 

Nada do que ali vem impede que um Governo entre em funções num prazo de duas semanas, no máximo de três, após as eleições. O Presidente da República tem de ouvir os partidos, o que pressupõe que estes falem primeiro entre eles, a remoer resultados, durante um par de dias após as eleições. Isso dá depois outro par de dias para o PR ouvir os partidos, outro tanto para para tomar uma decisão. E entretanto estamos no sábado seguinte. O PR nomeia, o Governo tem dez dias para apresentar o programa à Assembleia da República, o Parlamento três para o discutir. E o Governo entra em efectividade de funções. Está tudo escrito entre os artigos 187º e 192º da Constituição.

 

Mas Raquel Abecassis resolveu lançar-se à Constituição e opinar contra o que lá vem realmente escrito, sem que nas semanas seguintes isso a impedisse de criticar a chamada pós-verdade noticiosa - uma coisa que ela própria vinha ajudando a construir.

 

Olhe-se por onde se olhe nada recomendará muito Raquel Abecassis como jornalista e analista política.

 

Raquel Abecassis pode não ter lido a Constituição e pode ter falado de cor, o que revela uma prática jornalística medíocre.

 

Raquel Abecassis pode ter lido a Constituição e não ter percebido o que leu, o que também não lhe revela especiais dotes no exercício da profissão.

 

Raquel Abecassis pode ter lido a Constituição, ter percebido o que lá vem escrito e mesmo assim ter opinado como opinou. E isso arrasa quaisquer qualidades jornalísticas.

 

Olhando à volta, para a classe, acredito bastante que Raquel Abecassis caiu numa das duas primeiras possibildiades. A classe tem as qualidades, competências e capacidades de reflexão que tem. Chamam-se uns aos outros e reproduzem-se. E então nas chefias a mediocridade inversamente proporcional aos egos é confrangedora. E isso reflecte-se dramaticamente na qualidade da informação produzida.


publicado por Tempos Modernos, às 10:46link do post | comentar

José Gomes Ferreira, que logo na escolha do nome profissional não evitou confundir-se com o poeta, continua por aí, director-adjunto da SIC, a querer confundir o que faz com jornalismo. Será entretenimento, será até opinião, mas sem o lado da análise jornalística, sem verdadeiro contraditório e sem pluralismo, mas jornalismo não é.

 

Esta semana, José Ferreira mais que do uma entrevista terá entrado num debate com o primeiro-ministro António Costa, "o António" como tratou o governante em plano de igualdade. Depois, após as críticas que choveram, que o pessoal tornou-se mais atento, veio escrever um lençol digital onde acusa os críticos e as redes sociais de pulsão censória

 

José Ferreira é parte bem visível da má moeda jornalística, a  moeda da lei de Grisham, que Cavaco celebrizou. A moeda má que afasta a boa. O jornalismo é infrequentável por causa dos Josés ferreiras - e de muitos outros com quem partilho carteira profissional, mas não espaço nas redacções - que a má moeda evacou-as de asseio jornalístico.

 

Ferreira até pode indignar-se como uma virgem ofendida com as críticas que lhe fazem. Mas se José Ferreira quiser mesmo falar de calar pontos de vista e de pulsões censórias talvez devesse olhar em redor, olhar para o jornalismo português e perguntar-se onde estarão e em que quantidade e em que cargos os que têm pontos de vista diferentes dos seus. O proveito lúbrico está mostruosamente longe de estar do lado dos que o criticam.

 

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 10:42link do post | comentar

O tempo não abunda e a vontade de chover no molhado também não.

 

É um regresso talvez com duas notícias das notícias.


22
Abr 17
publicado por Tempos Modernos, às 17:06link do post | comentar

morte de uma pessoa por atropelamento no contexto de um confronto entre adeptos de futebol junto ao estádio da Luz tem vários cúmplices morais.

Entre eles contam-se vários directores, editores, jornalistas e canais de televisão. Não só semeiam as tempestades como depois lucram com elas.

Cúmplices são também, pelo menos, um presidente de clube, alguns assessores de imprensa clubísticos e vários comentadores afectos a clubes de futebol. 


22
Fev 17
publicado por Tempos Modernos, às 14:32link do post | comentar

Criério jornalístico é deixar cair rapidamente no esquecimento uma fuga de dez mil milhões de euros para offshores ocorrida durante anos e agarrar com unhas e dentes durante semanas e semanas o conteúdo de um SMS.

 

 


13
Fev 17
publicado por Tempos Modernos, às 11:09link do post | comentar

O título Quinta-feira e outros dias, livro de memórias de Cavaco Silva, parte de uma ideia interessante - é o dia que em Belém se reserva para as reuniões com o primeiro-ministro - mas acaba a meio caminho entre o de uma novela romântica e o de um livro de auto-ajuda. A capa lembra as estilizações modernas dos livros que em tempos pertenciam à colecção Sabrina.

 

Deve pressupor-se, pois, que os destinatários são os mesmos? Diria que não, mas depois há a pré-publicação da coisa no Expresso que não favorece esta expectativa. Falta sumo às revelações. O que o semanário destacou, a fazer fé nas televisões, foram as reuniões sonolentas de Cavaco primeiro-ministro com o Presidente da República Mário Soares; os atrasos sem aviso de Sócrates, em quem Cavaco não acreditava; a pontualidade de Passos Coelho, que aguardava calado as perguntas do inquilino de Belém.

 

Algum jornalismo há-de gostar disto a que chamam detalhes, pormenores que só por mero acaso definem um carácter. Mas se editores e jornalistas não encontraram no livro mais do que estes circunstancialismos sem concretização substancial, confirma-se pela enésima vez a espessura do autor. Ou então querem fazer suspense com o sumo.


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