14
Out 17
publicado por Tempos Modernos, às 11:51link do post | comentar

Salvo erro, era para As Naus que António Lobo Antunes tinha um título de que foi forçado a desistir por já haver já um livro com o mesmo nome. Deve ter deixado de ser obstáculo. Mas

 

E, contudo, não faz absolutamente nenhum sentido editorial ou comercial que se publique um livro de um jornalista com o mesmo título do mais que clássico e fundador romance de não-ficção de Truman Capote.


10
Out 17
publicado por Tempos Modernos, às 13:04link do post | comentar

Bernardo Ferrão diz que Pedro Santana Lopes é um animal político e a gente ri-se. Como é que certa gente chega à direcção de um dos mais importantes órgãos de comunicação social portugueses?


07
Out 17
publicado por Tempos Modernos, às 16:15link do post | comentar

O uso pelos jornalistas do termo Geringonça para designar o Governo chefiado por  de António Costa e viabilizado pela esquerda parlamentar é deontologicamente inaceitável.

 

Que o utilizem dezenas de quadros das secções de política de jornais e televisões mostra um grupo incapaz de reflexão crítica.


01
Out 17
publicado por Tempos Modernos, às 09:56link do post | comentar

Sempre preocupado com os custos da democracia, o Correio da Manhã "revela", como se não fosse público e estivesse no maior secretismo, quanto irá ganhar cada presidente de Câmara.

 

Pelos jornais, blogues e redes sociais multiplicam-se os comentários contra o dia de reflexão pré-eleitoral. Como se da existência desse dia viesse algum mal ao mundo, ao país, ao civismo, à cidadania.


27
Set 17
publicado por Tempos Modernos, às 12:11link do post | comentar

Os anúncios de pedidos de passagem à reserva de oficiais-generais  tenderão a multiplicar-se por razões que pouco têm que ver com a condução política conjuntural do Ministério da Defesa, como certos comentários podem fazer crer.

 

O dispositivo operacional do exército português assentou durante bastante tempo numa lógica de quadrícula territorial. Isto multiplicava os lugares de generais de três estrelas e dos seus segundos comandantes.

 

No pós-25 de Abril, no essencial, com quatro regiões militares e duas zonas militares, comandadas por oficiais-generais. Em regra, as primeiras eram comandadas por generais de três estrelas e as segundas por generais de duas estrelas. Brigadeiros (e depois os seus substitutos majores-generais) comandavam brigadas operacionais independentes - durante muito tempo apenas a (Mista e depois Mecanizada) de Santa Margarida.

 

Havia ainda estruturas com competências técnicas no âmbito da acção das armas e dos serviços: cinco direcções de armas e várias direcções de serviços. Os directores das armas eram generais de três estrelas e os dos serviços generais de duas estrelas.

 

Em relação ao antecedente, o novo paradigma assenta em grandes unidades operacionais de nível brigada, que são neste momento comandadas por generais de uma estrela - uma novidade já com alguns anos. A já não tão recente lei orgânica limita bastante o quadro de oficiais-generais, designadamente no que toca aos generais de três estrelas - que perderam pelo menos nove lugares.

 

Neste contexto, de cada vez que ocorrerem promoções a tenente-general o mais provável é que se assista ao pedidos de passagem à reserva dos majores-generais que não foram promovidos e que se viram ultrapassados na antiguidade.


16
Set 17
publicado por Tempos Modernos, às 00:00link do post | comentar

Publiquei o texto que se segue, há cinco anos, no Porto 24. Republico-o hoje, aqui, mas agora no centenário da última execução ordenada por um tribunal português:

 

 

 

«ÚLTIMA VÍTIMA DA PENA DE MORTE EM PORTUGAL FOI FUZILADA Há 85 ANOS

 

Assinalam-se este domingo 95 anos sobre a execução de João Augusto Ferreira de Almeida, o último português condenado à morte por um tribunal português. Era do Porto e combateu na Primeira Guerra Mundial.

 

João Augusto Ferreira de Almeida tinha 23 anos e falava de mais. Natural da Foz do Douro, onde nascera a 3 de Abril de 1894, na Rua Alto de Vila, desembarcou em Brest, França, a 21 de Março de 1917, mobilizado como soldado chofer para o Corpo Expedicionário Português (CEP) que combateria na Primeira Guerra Mundial ao lado dos ingleses.

 

No final de Julho, incorrera já numa pena correccional de 60 dias e fora compulsivamente integrado no batalhão de infantaria n.º 23 para a cumprir. Quase sete semanas na linha da frente, junto às trincheiras, os alemães a escassos metros. Manifestamente descontente, não tencionava cumprir o castigo até ao fim. E não cumpriria.

 

A decisão de se passar para o inimigo e de tentar encontrar o alemão Höfle, para quem trabalhara em Portugal, ia custar-lhe a vida. Embora abolida para todos os crimes, a 16 de Março de 1911, a participação de Portugal na Grande Guerra faria com que a pena de morte se reinstalasse pelo decreto n.º 2867, de 30 de Novembro de 1916, limitada em caso de guerra com “país estrangeiro e apenas no teatro de guerra”.

 

Segundo testemunhas ouvidas pelo tenente Artur Barros Basto, em processo de averiguações, Ferreira de Almeida contara os seus planos a vários soldados, no decurso do dia 29 de Julho.

 

Cerca das 11h, Francisco Alves Carneiro, 25 anos, de Álvares, Góis, estava de serviço ao posto de gás, junto ao cruzamento da trincheira de comunicação com a segunda linha, no sector de Neuve-Chapelle, não muito longe da fronteira com a Bélgica. Terá sido este soldado o primeiro a ouvir Ferreira de Almeida dizer que tencionava desertar. Aos 2 militares juntaram-se, entretanto, Adelino Alves, 23 anos, de Pomares, Arganil, e António Rei, de Vale de Pedra, Soure, todos da Infantaria 23.

 

Durante a conversa, com os 3 homens, Ferreira de Almeida queixou-se da pena de 60 dias e contou que só não desertara para junto dos alemães por ainda não conhecer o caminho até eles. Armando com uma pistola Savage, que mostrou, abriu e exibiu os mapas que lhe viriam a ser apreendidos. E apontou-lhes a localização de pontos estratégicos: o quartel-general, depósitos de munições, de gasolina, batalhões de infantaria, fortes de artilharia.

 

De acordo com o relato dos 3 soldados, Ferreira de Almeida oferecera já entre 60 a 100 francos a um soldado de outra unidade para o levar até às linhas inimigas. Os testemunhos quanto ao valor exacto variam, mas, embora se tratasse de uma verba considerável para quem cumpria o serviço militar – uma galinha adquirida aos camponeses franceses para fugir à ração de combate atingia os seis francos –, o outro recusara.

 

António Rei, o homem que preocupado com as consequências da entrega dos mapas aos alemães denunciaria Ferreira de Almeida, tentou demovê-lo. “Mas vossemecê imagina que lá o tratam tão bem, como aqui?” “Você é doido, tomara-me eu lá que é bem melhor que aqui… e mesmo é para dar cabo desta merda que está aqui para a retaguarda”, lê-se nos autos.

 

Já com a sorte traçada, e aparentemente absolutamente inconsciente em relação ao impacto que teriam as suas palavras, Ferreira de Almeida dirigiu-se ao local onde se preparavam os géneros para o rancho. Seria cerca do meio-dia. Desta vez, foi a José Maria, 26 anos, da Lousã, e a António Baptista, 21 anos, de Ceira, que o chofer descreveu o seu plano: “gostava que uma granada caísse pelo quartel-general abaixo”.

 

Ao tenente Barros Basto, o soldado Baptista diria que o militar da Foz lhe manifestara desconfiança em relação aos seus camaradas de Infantaria 23 e que fora por isso que tinha oferecido antes os 100 francos a um soldado do batalhão 24.

 

Segundo as declarações de José Maria, Ferreira de Almeida tentara num dia anterior juntar-se à socapa a uma unidade do 24 que preparava um raid contra os alemães. Contados os militares, o subalterno que os comandava deu conta de que tinha um homem a mais e impedira-o de participar na acção.

 

De alguma forma, embora corresse já que Ferreira de Almeida tencionava desertar, terá sido na sequência das conversas de dia 29 que ele se incriminou definitivamente. Pelas 16h desse dia, ainda seria visto por João Custódio da Rosa, um soldado natural da Esgueira, que o mandou apresentar na secretaria onde o procuravam.

 

Estava com outro militar em cima de uma banqueta e metade do corpo fora do parapeito que os protegia do fogo inimigo. O chofer apontava: “acolá é a primeira linha, acolá são os alemães, onde são aquelas árvores escangalhadas”. A caminho da companhia onde tinha de entregar ordens, Rosa cruzou-se com um detido a quem disse desconfiar “que o chofer anda[va] para praticar alguma coisa”. Sim, o interlocutor também já tinha ouvido dizer que Ferreira de Almeida se queria entregar aos alemães.

 

Encarregado pelo comandante de companhia de dirigir uma construção no reduto Sign Post, o segundo-sargento Mário Luís Marques levara Ferreira de Almeida para trabalhar na obra com a recomendação de sobre ele exercer especial vigilância – constava que queria desertar para o inimigo.

 

O soldado da Foz voltaria a auto-incriminar-se. Na presença de Marques e do também segundo-sargento José de Sousa Amaral, comandante da secção de metralhadoras ligeiras da guarnição do referido reduto, Ferreira de Almeida quis saber se a primeira linha dos alemães ficava próxima daquele posto.

 

Marques disse-lhe que a estrada que passava junto ao arame farpado ia lá direita, mas o chofer desconfiou. Já tinha caminhado bastante sem lhe ter sido possível encontrar qualquer caminho por onde se pudesse “raspar para lá”. Os 2 sargentos ouviram-no contar que já “tinha estado empregado em casa de um alemão em Lisboa e que nunca tinha encontrado pessoa que o estimasse tão bem, que talvez esse alemão já fosse oficial, que logo lá chegasse perguntaria por ele e ele o empregaria no quartel-general ou em qualquer serviço.”

 

Algum tempo depois, Marques receberia ordem para deter Ferreira de Almeida e passar-lhe revista ao fato. Na presença de 2 cabos, o sargento apreendeu-lhe a pistola Savage, que nunca se determinaria como fora parar às mãos do militar; um carregador com balas; uma navalha de bolso; uma chave magnética; uma carta pequena com o departamento de Pas de Calais, e 2 cartas topográficas na escala de um para 100 mil (uma de Calais e outra de Arzebruck) que Ferreira de Almeida garantiu estarem na sua posse pelo facto de ser chofer e pertencer aos quadros do Comboio Automóvel do CEP.

 

Rapidamente preparado, o julgamento teria lugar no dia 15 de Agosto de 1917, em Roquetoise, e seria presidido pelo coronel António Luís Serrão de Carvalho. Ferreira de Almeida compareceu perante o tribunal de guerra do CEP, defendido pelo defensor oficioso capitão Joaquim Leone Baptista Junior e acusado pelo capitão promotor Herculano Jorge Ferreira.

 

O tribunal, secretariado pelo tenente José Rosário Ferreira, contava ainda com a participação de um juiz auditor, Joaquim Aguiar Pimenta Carneiro, e com um júri constituído pelo major Joaquim Freire Rua, pelos capitães Adriano Augusto Pires e David Magno, e pelos alferes Joaquim António Bernardino e Arnaldo Armindo Martins.

 

Embora dos sete quesitos da acusação, apenas o d’”o mau comportamento do réu” e o facto de “o crime ser cometido em tempo de guerra terem sido aprovados por unanimidade”, João Augusto Ferreira de Almeida seria condenado à morte por traição.

 

Dados como provados foram “o facto de o arguido em 29 de Julho, encontrando-se na primeira linha, tentar passar para o inimigo perguntando a várias praças o caminho e oferecendo a uma dinheiro para que lhe prestasse essa informação” – um dos pontos em que o alferes Martins votou vencido – e o “querer indicar ao inimigo os locais ocupados pelas tropas portuguesas, constantes d[as] cartas itinerárias de que era portador.”

 

Agravantes, também com a reprovação de Martins, foram os factos de “o réu ter cometido o crime com premeditação” tendo “a obrigação especial de o não cometer” e “conhecimento do mal” que fazia. Serrão de Carvalho, segundo testemunhas, assinaria a sentença com a mão a tremer.

 

A condenação à morte com exautoração serviria a Leone Baptista Junior para recorrer da sentença, uma vez que a retirada das insígnias militares desaparecera da nova legislação. Por este motivo seria marcado novo julgamento para 12 de Setembro, que o defensor ainda tentou travar. No dia anterior à sessão, fez entrar um requerimento pedindo o exame médico das capacidades mentais de Ferreira de Almeida. O chofer, alegava, era filho de um louco e depois da primeira condenação dera indícios de alienação, tal como ouvira dizer a médicos como o tenente-coronel José Gomes Ribeiro.

 

O requerimento, tal como outro em moldes semelhantes entregue após a segunda condenação à morte, acabou indeferido pelo novo juiz auditor, António Augusto de Almeida Arez.

 

O chofer seria fuzilado às 7h45 da manhã do dia 16 de Setembro de 1917, em Picantin, próximo de Laventie, faz este domingo 95 anos.

 

Para assistir à execução foram chamados contingentes de várias unidades do CEP e foi constituído um pelotão de fuzilamento integrado por 4 sargentos e 8 praças comandados por um alferes e pertencente ao batalhão de infantaria 14, a que o condenado pertencia.

 

Ferreira de Almeida chorou sempre, arrancou a venda por 4 vezes e pediu com a voz embargada que o pelotão de fuzilamento não lhe atirasse à cara por não querer ficar desfigurado.

 

A execução levantou polémica entre os militares do CEP e houve mesmo quem considerasse que apenas foi levada a cabo por imposição do alto comando inglês. João Augusto Ferreira de Almeida não chegou a passar para o inimigo, nem a entregar-lhe quaisquer mapas ou documentos, tendo apenas manifestado ruidosamente a vontade de o fazer.

 

A pena de morte para este tipo de crimes apenas seria retirada da legislação portuguesa após o 25 de Abril de 1974.

Ferreira de Almeida acabou por ser a última pessoa condenada à morte e a ser executada por decisão de um tribunal português.»


07
Set 17
publicado por Tempos Modernos, às 08:35link do post | comentar

Se um grupo de jornalistas tentar criar um jornal depara-se com alguns irritantes paradoxos.

 

Sabe-se que o sector está desacreditado e o mercado exangue. Os mais atentos, poucos e quase todos fora do activo, terão já percebido que existe um grupo enorme de pessoas a querer outra informação.

 

Contudo, o financiamento não é fácil. Boa parte dos jornalistas que querem fazer outras coisas não têm especial nome na praça, pelo que ao surgirem perante investidores com um projecto diferente estão desde logo excluidos de financiamentos.

 

Financiamento há apenas para gente saída do clube dos directores que aí andam há dez anos e que destruiram a qualidade da informação.O reconhecimento das televisões dá-çhes perante os homens do dinheiro uma credibilidade imerecida, até pelos resultados de vendas e leituras.

 

Este grupo minou o sector, condiciona o surgimento de alternativas e ainda fica para eles com o escasso dinheiro disponível.


06
Jul 17
publicado por Tempos Modernos, às 12:08link do post | comentar

Havia aí um jornal que ia ouvir Barreto de cada vez que o Governo de Passos Coelho e Paulo Portas levava com um chumbo do Constitucional. Já se sabia que com o homem estava sempre garantido um par de frases de ataques à Lei Fundamental, uma coisa do PREC a pedir alteração de cabo a raso.

 

Agora, depois disto, logo depois disto, lá estava o sociólogo de serviço a uma entrevista de Vítor Gonçalves na RTP. Que era para ajudar a pensar o país na sequência dos fogos de Pedrógão Grande, justificava-se o membro da direcção do canal. E olha que dois para o fazerem.

 

As ideias estúpidas propagam-se com grande velocidade nos meios de comunicação social portugueses, que reproduzem como boas as superficialidades uns dos outros. Em regra para o mesmo lado, que falta-lhes em originalidade o que lhes sobra na constância das apostas pessoais. E Gonçalves faz parte do conjunto de jornalistas que não nos sossega propriamente quanto à qualidade da informação e do contraditório.

 

Entretanto, Judite Sousa, que nos andou a servir reportagens e directos com mortos nas imagens de fundo, serviu-nos também um debate que meteu os roubos de Tancos comentados pelos directores Paulo Ferreira e António Costa. Mas o canal podia ter convidado logo Assunção Costas e Passos Coelho, se era para a coisa ficar um bocado mais plural e diversa de pontos de vista. Ou aquele outro moço que garantia a pés juntos a existência de armas de destruição massiva no Iraque e que entretanto para fundar uma publicação sacou uns trocos a uns amigos de Durão Barroso.

 

Que se há-de fazer? Anda aí muita gente com carteira profissional de jornalista, mas sem perceber que jornais não são blogues.

 

 


25
Jun 17
publicado por Tempos Modernos, às 14:39link do post | comentar

Há excepções. Mas isto é a regra no jornalismo português.

 

Se se quiser informação asseada não é com os jornalistas e editores que hoje estão no terreno e nas redacções que a teremos. Viram os fogos de Pedógão Grande? Vêem a informação política, económica ou desportiva?

 

Também não será com o que se ensina nas faculdades e escolas de comunicação que se terá informação com real valor informativo. O produto intelectual que sai das universidades e que se reproduz nelas e fora delas não é adequado à função jornalística. É, até, jornalística e informativamente incompetente.


publicado por Tempos Modernos, às 13:55link do post | comentar

Entrevistados pelo canal Q, dois jornalistas, desses mais divertidos, contam histórias sem sequer darem conta de que estão a confessar atropelos deontológicos.

 

Num caso, confessa-se o interesse de um patrocinador na cobertura de um evento desportivo-radical por determinado jornalista.

 

No outro caso, confessam-se responsabilidades de uma redacção na exibição ao estilo apanhados da entrevista de uma mulher - com evidentes défices culturais - que nunca foi para o ar.


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