26
Jun 17
publicado por Tempos Modernos, às 20:15link do post | comentar

O primeiro-ministro que mandou os portugueses emigrarem e deixarem de ser piegas resolveu cavalgar o incêndio de Pedrógão Grande falando de um suicídio ocorrido por falta de apoio psicológico.

 

Mesmos queitinhos, seria complicado que Passos Coelho e o PSD não fossem politicamente beneficiados pela catástrofe.

 

A voracidade com que o presidente laranja se atirou à oportunidade que viu nascer da tragédia ilumina um carácter.

 

Escusa de pedir desculpas e dizer que se enganou. Há coisas indizíveis.


12
Jun 17
publicado por Tempos Modernos, às 10:49link do post | comentar

Animam-se muitos (aqui e aqui, por exemplo) à esquerda com os resultados do trabalhista Jeremy Corbyn nas legislativas do Reino Unido. Acreditam mesmo que poderá ditar reversões a nível internacional nas tendências liberalizantes da social-democracia.

 

Em França, o candidato do PSF à presidência, Benoît Hamon, também veio da franja esquerda do partido socialista e acabou copiosamente derrotado. Ficou até atrás de Melenchon, o candidato presidencial apoiado pela esquerda da esquerda. Talvez tenha sido afectado pelo efeito Hollande que, militante do PSF e após a chegada ao Eliseu, depois de derrotar Sarkozy, deitara por terra as esperanças de muitos eleitores numa França governada à esquerda.

 

Depois, muitos socialistas um pouco por todo o lado garantiram que em França teriam votado em Macron, que fora ministro de um Executivo do PSF. Hamon pode não ter conseguido sobreviver à espargata entre Melenchon e Macron e à fuga de eleitores habituais provenientes das franjas esquerda e direita do PSF.

 

Jeremy Corbyn não tem contra si os efeitos erosivos de uma governação recente como teve Hamon, mas ainda assim talvez seja complicado antecipar mudanças definitivas de rumos políticos e de resultados.


11
Jun 17
publicado por Tempos Modernos, às 11:07link do post | comentar

Raquel Abecassis terá deixado o jornalismo para concorrer a uma junta de freguesia lisboeta nas listas do CDS-PP e de Assunção Cristas. Talvez seja melhor no exercício do cargo do que no exercício jornalístico.

 

Fez parte durante anos dos quadros da Rádio Renascença, um canal de referência noticiosa, onde chegou a directora-adjunta, e fez muitas vezes análise política nas televisões. Nos últimos tempos escreveu no digital da estação artigos contra a pós-verdade, embora nada a recomendasse para se insurgir contra as ideias falsas propaladas como verdadeiras.

 

A seguir às últimas legislativas, Raquel Abecassis insurgiu-se contra a Constituição que retardava a formação de Governo. A Lei Fundamental é um suspeito habitual, mas o prolongar do tempo para a entrada de um Governo em funções deveu-se mais à acção lenta e ressentida de Cavaco - em quem provavelmente Raquel Abecassis votou - do que ao que está escrito nos vários artigos do capítulo acerca da Formação e Responsabilidade do Governo.

 

Nada do que ali vem impede que um Governo entre em funções num prazo de duas semanas, no máximo de três, após as eleições. O Presidente da República tem de ouvir os partidos, o que pressupõe que estes falem primeiro entre eles, a remoer resultados, durante um par de dias após as eleições. Isso dá depois outro par de dias para o PR ouvir os partidos, outro tanto para para tomar uma decisão. E entretanto estamos no sábado seguinte. O PR nomeia, o Governo tem dez dias para apresentar o programa à Assembleia da República, o Parlamento três para o discutir. E o Governo entra em efectividade de funções. Está tudo escrito entre os artigos 187º e 192º da Constituição.

 

Mas Raquel Abecassis resolveu lançar-se à Constituição e opinar contra o que lá vem realmente escrito, sem que nas semanas seguintes isso a impedisse de criticar a chamada pós-verdade noticiosa - uma coisa que ela própria vinha ajudando a construir.

 

Olhe-se por onde se olhe nada recomendará muito Raquel Abecassis como jornalista e analista política.

 

Raquel Abecassis pode não ter lido a Constituição e pode ter falado de cor, o que revela uma prática jornalística medíocre.

 

Raquel Abecassis pode ter lido a Constituição e não ter percebido o que leu, o que também não lhe revela especiais dotes no exercício da profissão.

 

Raquel Abecassis pode ter lido a Constituição, ter percebido o que lá vem escrito e mesmo assim ter opinado como opinou. E isso arrasa quaisquer qualidades jornalísticas.

 

Olhando à volta, para a classe, acredito bastante que Raquel Abecassis caiu numa das duas primeiras possibildiades. A classe tem as qualidades, competências e capacidades de reflexão que tem. Chamam-se uns aos outros e reproduzem-se. E então nas chefias a mediocridade inversamente proporcional aos egos é confrangedora. E isso reflecte-se dramaticamente na qualidade da informação produzida.


19
Fev 17
publicado por Tempos Modernos, às 11:58link do post | comentar

O Círculo de Leitores lança este trimestre O Arquipélago de Gulag, de Aleksandr Soljenítsin.

 

Há meia-dúzia de dias, através do formulário de contacto da Sextante que tem publicado os livros do autor, perguntei se estava prevista a edição da obra. Queria complementar com uma possível novidade algo que estava a escrever.

 

Ainda aguardo a resposta e ainda bem que publiquei o postado sem esperar por eles. Podia ter pegado no telefone, mas era aqui para o blogue, o que os desmotivará a responder, e não tinha especial urgência. Afinal, bastava que me tivessem escrito Sim, vai sair primeiro no Círculo de Leitores. Podiam até acrescentar, caso fosse o caso, que a informação estava embargada. Valia a pena estar a fazer a via sacra das passagens de telefonemas e ocupar um par de pessoas, além de mim, com uma resposta tão rápida?

 

Devo continuar a acreditar em elfos e no Pai Natal do mesmo modo que acredito no jornalismo asseado. Fala-se muito da instantaneidade das redes sociais, mas e o e-mail e os formulários de resposta - que permitem a mesma rapidez - continuam a não ser usados por uma série de gente. Nem sei para que os têm.

 

Quando o livro baixar dos 30 euros, daqui a uns 18 meses, compro-o. Quem já aguardou tanto tempo pela leitura de O Arquipélago de Gulag, pode esperar mais um pouco.

 

Ainda algumas notas: pela rápida vista de olhos à revista do Círculo de Leitores não se percebe se a tradução é feita do original russo. O texto de apresentação põe a tónica no prefácio de Natália Soljenítsina, a mulher do autor, que descreve as complicadas condições de escrita e de publicação da obra e perseguições políticas sofridas pelo vencedor do Nobel da Literatura de 1970, o ano em que nasci. Também não se faz um enquadramento do controverso percurso ideológico e intelectual do autor e da sua defesa de uma "Rússia profunda, ainda impregnada de cristianismo" - como se pode ler no texto de apresentação de A Casa de Matriona seguido de Incidente na Estação de Kotchetovka, outras obras disponíveis.

 

E, entretanto, ainda não sei se está também prevista a reedição de O Pavilhão de Cancerosos.


08
Fev 17
publicado por Tempos Modernos, às 18:29link do post | comentar

Às vezes, o politólogo André Freire sai-se com umas ideias de aproximação dos eleitos aos eleitores que não se vê muito bem que efeito trarão que não o de estragar a proporcionalidade, beneficiar os candidatos a deputado que aparecem muito nas televisões e reforçar a bipolarização.

 

Finalmente, parecia dizer umas coisinhas com mais sentido. Mas estragou tudo quando explicou o título do seu novo livro, Para lá da "Geringonça":

 

"A capa mostra os festejos da queda do Muro de Berlim, mas é a palavra geringonça que se destaca. Está entre aspas, pois André Freire não se revê na adjetivação promovida pela direita: «Tive alguma resistência em o aceitar após ter sido sugerido pelo editor, mas acabei por dizer sim porque é um título mais sexy do que o académico e enfadonho que eu tinha». Não gosta do termo porque é «pejorativamente criado, por Vasco Pulido Valente e depois Paulo Portas, para tentar classificar uma parte de forma depreciativa», mas reconhece que facilita a vida ao leitor."

 

Em desacerto deontológico cedeu à pressão comercial e escolheu um título que engana o leitor quanto às convicções e pressupostos científicos e de cidadania de que o autor parte.


06
Fev 17
publicado por Tempos Modernos, às 17:53link do post | comentar

Cavaco receia "ignorância de alguns" dirigentes europeus


03
Fev 17
publicado por Tempos Modernos, às 13:25link do post | comentar

Lá foram contratar o fascista para continuar a defender a tortura de músicos nas páginas dos jornais.


28
Jan 17
publicado por Tempos Modernos, às 12:00link do post | comentar

Já se contou aí para baixo como, há uma dezena de anos, a minha interpretação do artigo 187º da Constituição foi desqualificada por um ex-editor de política de um grande diário nacional. Já se contou também como, em 2015, num canal televisivo, tantos jornalistas de política descobriram o artigo que tornava possível um partido com menos votos que outro formar Governo. Esses mesmos que não tinham lido a Constituição espantavam-se com o que só tinham visto em Borgen, uma série acerca da política dinamarquesa. E esses mesmos continuam a fazer jornalismo, com toda a presciência que a ignorância e o preconceito lhes garantem.

 

Dá-se de barato que, há pouco mais de um ano, o grosso dos jornalistas que fazem política não tivesse percebido o que se estava a passar. Não valem mesmo grande coisa enquanto colectivo pomposo, inculto e influente. Mas esta semana, confirmou-se que no PSD se continua também sem perceber o que lhes aconteceu por conta do referido artigo.

 

No recente debate parlamentar acerca da descida da TSU, vários parlamentares laranjas, entre eles o presidente do partido, voltaram a vincar a ilegitimidade do PS para governar. Zangaram-se, disseram que a maioria não consegue fazer aprovar as suas próprias medidas e fazê-las cumprir. E, hoje, Aguiar Branco, voltou ao mesmo numa entrevista ao Diário de Notícias: Que

 

"sem maioria parlamentar, Governo não tem legitimidade para governar."

 

Sim, claro, apetece dizer ao deputado e ex-ministro de um governo, o segundo e último de Passos Coelho, que caiu ao fim de pouco mais de um par de semanas na sequência da rejeição do programa pela maioria dos partidos de esquerda na Assembleia da República.

 

O Governo sem legitimidade de que falaram Passos Coelho e Aguiar Branco sempre tem acrescentado meses ao tempo que a PàF conseguiu para o seu segundo Governo. Mas no PSD continua-se a assobiar e a fazer de conta. António Costa pode bem a atitude. Quando os cubes perdem tempo com erros de arbitragem e com injustiças, outros entretêm-se a jogar.


14
Nov 16
publicado por Tempos Modernos, às 09:53link do post | comentar

Noutros tempos, aguardar-se-ia com interesse a publicação de uma obra do cardeal patriarca de Lisboa.

 

Com Manuel Clemente ainda saem de lá defesas da PàF ou dos colégios privados - uma boa fonte de rendimento da Igreja. 

 

Ao contrário dos antecessores imediatos, Manuel Clemente mete-se demais nas coisas de César.


publicado por Tempos Modernos, às 09:49link do post | comentar

Confesso alguma dificuldade em perceber organizações nacionalistas chamadas Portugal Hammerskins e a identificar os seus recrutas como hangarounds e prospects.


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