08
Nov 16
publicado por Tempos Modernos, às 10:08link do post | comentar

Nos Estados Unidos, todos os dias são publicadas várias sondagens acerca das presidenciais. Há várias semanas. Têm as mais variadas origens (jornais, universidades, centros de sondagens, etc.) e o Real Clear Politics é um dos agregadores dessa informação.

 

Tem por isso sido bastante estranho ver os telejornais portugueses a noticiar de modo bombástico os resultados de sondagens concretas - como se fossem a única informação disponível e não conviesse perceber se dizem o mesmo que outras publicadas no mesmo dia.

 

Nos últimos dias, no LA Times mantém-se há muitas semanas a tendência de vitória de Trump, mas o grosso das restantes sondagens nacionais tendem a dar Hillary Clinton como a próxima presidente dos EUA.

 

Só que como nos Estados Unidos se pode ter mais votos a nível nacional e ainda assim ter menos grandes eleitores, convém olhar sempre para as eleições estado a estado.

 

E a oscilação dos gostos não pára nos estados dançarinos. Ou por outra, não pára num dos mais importantes. Na Florida, que elege 29 grandes eleitores, há sondagens para todos os gostos. Já no Ohio, que elege 18, a coisa parece estar decida. A favor de Trump.


02
Nov 16
publicado por Tempos Modernos, às 16:02link do post | comentar | ver comentários (2)

Pode dar tudo para o torto, mas apesar da interferência do FBI na campanha e de algumas sondagens, Hillary Clinton tem grande probabilidade de ser eleita presidente dos Estados Unidos da América.

 

A eleição dos presidentes norte-americanos é indirecta. E, para ser eleito, o candidato tem de garantir 270 votos do colégio eleitoral. Há estados pequenos, que elegem apenas três eleitores (por exemplo, o Alasca, o Wyoming, Washington DC) e estados populosos a eleger 55 eleitores (como a Califórnia), 38 (como o Texas) ou 29 (como a Florida).

 

Também há estados garantidamente democratas (o Massachussets é um, com 11 eleitores), onde os republicanos não fazem campanha por não valer a pena, e, vice-versa, estados assumidamente republicanos (veja-se o Tennessee, também com 11 eleitores) onde as caravanas democratas nem páram. Aí as urnas estão virtualmente fechadas e os dois maiores partidos norte-americanos contam há muito com esses eleitores como seus.

 

Depois há, como já se sabe, os estados dançarinos, onde a luta é renhida, e tanto podem cair para um lado como para o outro. E é aqui que tudo se joga. Em estados ambíguos, como a Florida (29 eleitores), Nevada (6), Iowa (6), Ohio (18) não se sabe se a vitória pende para Hillary Clinton ou para Trump.

 

Tudo contabilizado, no presente momento, Hillary Clinton terá 263 dos 270 eleitores de que necessita no colégio eleitoral para assegurar a eleição. Donald Trump terá 164.

 

Será expectável que todos os estados dançarinos acabem por votar em Trump, dando-lhe os mais de 100 votos de que necessita? Ou será mais provável que um ou dois desses estados, mesmo que pouco significativos em termos populacionais, acabem por dar a vitória a Hillary Clinton, assim como os sete votos de que necessita para ser eleita presidente dos EUA este domingo?

 

 

 


05
Ago 16
publicado por Tempos Modernos, às 21:19link do post | comentar

Já agora, mais mais duas coisas dignas de nota nesta curiosa conclusão editorial do Expresso, alargada ainda à SIC e à SIC-Notícias (e ao falido Económico),

 

1. Por um lado, na análise dos resultados desta sondagem ignora-se que a conversão dos votos em mandatos é feita por distrito e pelo método de Hondt. O que a ficha técnica  da sondagem diz é que os votos foram estratificados por regiões NUT de nível II. Não falam na distribuição por distritos, mas sim de uma leitura nacional.

 

Se um só partido obtivesse uma maioria absoluta a nível nacional, isso poderia indiciar e implicar a sua vitória e o direito a formar Governo. Já a soma das votações nacionais de vários partidos tende a ignorar os restos de cada distrito, votos efectivamente recebidos, mas não suficientes para serem convertidos em mandato de um deputado.

 

Vários restos acumulados a nível nacional em vários partidos podem indicar uma subida de votação, mas já não indicam necessariamente a otenção de votos que permitam ao partidos somados atingirem uma maioria absoluta.

 

2. Mas se a análise técnica e meramente numérica tem fragilidades, a análise política não se fica a rir. A realidade é que a sondagem não dá exactamente uma maioria absoluta de 45,2 por cento a dois partidos. O que a sondagem dá realmente é que, somados, os três partidos, PS, BE e CDU, atingiam já 53 por cento das intenções de voto a nível nacional. Dito como foi dito pelo Expresso, e repetido nos canais televisivos do grupo de Balsemão, até pode dar a impressão que a solução governativa não tem vindo a ganhar apoiantes e gente satisfeita com ela.

 

O que ocorre aos jornalistas que fizeram a análise (e aos que a repetiram) não é vincar a subida de votos da solução existente. O que lhes ocorre é ler os números de modo que ponham em causa a solução a três.

 


publicado por Tempos Modernos, às 17:06link do post | comentar

Há umas quantas semanas, jornalistas da secção de política de um dos periódicos nacionais queixavam-se das instruções diárias das chefias para fazer notícias que indiciassem cisões entre os partidos que apoiam o Governo de António Costa.

 

É um tipo de registo informativo que fala mais dos estados de alma dos jornalistas que o promovem que da realidade dos factos. Durante a última campanha eleitoral, só se viu um jornalista a acertar no Governo que aí viria, caso a coligação de Passos Coelho e Paulo Portas não chegasse à maioria absoluta.

 

O resto ignorou essa opção. Com desdém, desenhou cenários de menosprezo da capacidade de entendimento dos partidos da esquerda parlamentar. Bem se lixaram. E pagaram com um erro evitável a informação que deram aos leitores.

 

Mas a falha grosseira não teve grandes consequências a nível da consciência jornalística. Pelo menos, nada que afectasse por aí além um certo tipo de raciocínio. No Expresso, grande jornal político, persiste-se na análise de sondagens a partir do paradigma mental que determinou o espanto com a coligação parlamentar entre PS, BE e CDU.

 

Nova sondagem do semanário faz título com "PS e BE à beira da maioria absoluta". E continua-se na entrada com um "PS poderia dispensar CDU de um entendimento à esquerda para conseguir governar". Fazem-se, pois, contas com base na possibilidade de correr com um dos partidos de esquerda, procuram-se portas de entrada para o minar da confiança entre parceiros de uma coligação que tem funcionado.

 

A leitura de quem faz a análise é formalmente inatacável. Os números não deixam de poder ser lidos como foram. Infelizmente, confunde informar com estados de alma pessoais e colectivos da corporação activa e evita pôr outros dados na mesa.

 

A força da coligação que apoia o Governo PS decorre também da amplitude de forças que a constituem. Tem mais peso só por si uma solução com os três partidos que uma solução que contasse apenas com um deles. Não é indiferente me termos simbólicos ter o apoio de toda a esquerda parlamentar ou ter apenas o apoio de parte desses partidos. Os ganhos desta solução são muitos. Já as perdas não as conheço.

 

Ter BE e CDU na equação permite ao PS jogar um com o outro (e até com um contra o outro, nas muitas circunstâncias em que ambos se queiram emular). Ter  o BE permite ao PS justificar muitas das chamadas medidas fracturantes e modernizantes. Ter a CDU permite trazer para a solução governativa uma massa específica sindical e autárquica que o BE não tem.

 

Depois, para o PS, a CDU é uma enorme garante de fidelidade ao acordado. O BE garante aos socialistas uma combatividade e uma vivacidade não despiciendas.

 

Deitar fora um dos parceiros da coligação parlamentar, minaria a confiança dos parceiros. Quando chegará a minha vez, perguntaria o outro. E, enquanto isso, o que ficasse de fora só dificilmente se voltaria a mostrar disponível para entendimentos. Mesmo que tenha sido apanhado num momento irreptível, António Costa sabe que fez História ao unir as esquerdas.

 

Duvida-se que esteja disposto a deitar fora o que conquistou.

 

 


10
Dez 15
publicado por Tempos Modernos, às 09:06link do post | comentar

Diz nova sondagem que "[c]uriosamente, nestes dois partidos de esquerda [PCP e BE] que suportam o executivo socialista há ainda uma franja considerável de mais de 30% que dariam a liderança do governo a Passos Coelho. No PS essa margem é mais residual e fica-se nos 19%."

 

Deve ser por viver na Grande Lisboa e 56 por centos dos inquiridos viverem no Norte e no Centro.

 

 


12
Jul 15
publicado por Tempos Modernos, às 11:11link do post | comentar

Também não é indiferente que após a convocação do Referendo na Grécia tenham sido publicadas tantas sondagens a dar conta de um quase empate entre os partidários do Não e os do Sim.

 

O anunciado empate redundou numa clara vitória dos adeptos do Não. E tanta esperança que tantos jornalistas portugueses depositaram na vitória do quase empatado Sim grego.

 

Por cá, também houve recentes sondagens dando conta de uma vitória da actual coligação PSD-CDS/PP. São modos de dar esperanças aos eleitores do Sim e da Coligação, de tentar transformar em votos esse sentimento.

 

Democracia e sondagens? A publicação das últimas inquina a primeira. Tanto mais que o grosso dos jornalistas não percebe nada de estatítica e faz análises de resultados em modo ganha A ou ganha B.


08
Jul 15
publicado por Tempos Modernos, às 14:27link do post | comentar

sondagensinsodaveis.png

 

 

Duas das mais batidas personagens da política nacional usam prefácio e posfácio do livro Insondáveis Sondagens, de Diogo Agostinho e de Alexandre Guerra, para bater nas sondagens políticas.

 

Santana Lopes e Paulo Portas dirigiram o centro de sondagens da Universidade Moderna, mas agora admitem que as sondagens podem tornar-se "quase armas de destruição política", "influenciar o discurso político e as eleições".

 

Se há coisas de que o antigo primeiro-ministro e o vice-primeiro-ministro e ministro dos Negócios Estrangeiros não podem ser acusados é de inocência, falta de capacidade de cálculo ou de intencionalidade das suas acções políticas. Se dirigiram empresas de sondagens, é bastante duvidoso que não soubessem ao que iam e o que estava em causa.

 

Não era preciso que tivessem sido pessoalmente afectado por sondagens, para perceberem a perversidade democrática da sua publicação e divulgação pelos jornais e outros órgãos de comunicação socail. Se fossem politicamente consequentes Santana Lopes e Paulo Portas iriam mais longe naquilo que dizem. E não se limitavam a escrever umas coisinhas no início e no final de um livro.

 

Nota: Em 2011, já  aqui se defendia a proibição da publicação destas sondagens na comunciação social. São intrumentos de enviesamento, manipulação e instrumentalização da vontade popular e não ferramentas de esclarecimento.


20
Mar 13
publicado por Tempos Modernos, às 17:32link do post | comentar

Neste post, cito uma sondagem da Universidade Católica em cujos resultados não acredito grandemente. Quem anda na rua, vai aos cafés, usa os transportes públicos não acredita que logo a seguir a uma manifestação como a do 2 de Março o PSD tenha subido quatro pontos nas intenções de voto.

 

Já acredito que o PS e os restantes partidos da oposição não descolem de modo claro. A credibilidade governativa depende bastante de factores extrínsecos à validade ou existência de propostas alternativas. E essa credibilidade é no essencial bastamente construída por tiro de barreira comunicacional.


30
Set 12
publicado por Tempos Modernos, às 21:32link do post | comentar | ver comentários (1)

A propósito da última sondagem divulgada pela RTP/Antena 1/Católica, a maioria das análises jornalísticas ignorou o facto de CDU e BE terem igualado a intenção de voto do PSD.

 

Vincando subidas nos votos nulos e brancos, preferiu-se, como habitualmente, ficar pelo comentário aos partidos da alternância governativa. Falou-se da óbvia ultrapassagem do PSD pelo PS. Passou-se levianamente pelas movimentações dos outros.

 

Apesar das contradições em torno da subida da TSU - matéria tutelada por um ministério do CDS-PP-, o partido de Portas manteve resultados. O que não deixa de ser curioso.

 

Mas se as setes vidas do ministro dos Negócios Estrangeiros parecem longe de se ter esgotado, o dado verdadeiramente novo desta sondagem foi o do peso conjunto da CDU e do BE no actual cenário.

 

Vinte e quatro por cento é mais do que o PS teve nas eleições em que Cavaco foi eleito pela primeira vez. Pouco menos que a votação do PSD aquando da primeira vitória de Sócrates.

 

Até aqui, CDU e BE têm pedalado na sua própria bicicleta.  Terão possivelmente algo a ganhar se se unirem na "luta contra a austeridade" como tudo indica ir acontecer. A aliança em protestos conjuntos tornará mais visíveis outras opções governativas.

 

Durante anos, CDU e BE têm alertado para a situação hoje vivida. Resta saber se a essa razão conseguirão juntar a credibilidade. E se com essa legitimação acrescida conseguirão atraiar os olhos de um corpo eleitoral que tem sempre preferido as soluções pronto-a-vestir e o ódio anti-políticos.


06
Mai 11
publicado por Tempos Modernos, às 14:31link do post | comentar

A menos de um mês para as legislativas, a tróica pró-FMI (PS-PSD-CDS) lidera as intenções de voto.

 

A alternativa existente (BE-CDU) não soube mostrar que o era. Usou mal a reunião onde estudou convergências; recusou uma reunião com o FMI, sem a necessária clarificação poderosa junto da opinião pública dos seus motivos; e não levou a cabo actos com impacto público que mostrassem aos eleitores a existência de caminhos diferentes. Apesar da abissal diferença de meios, fez-se melhor esse trabalho e reflexão na minoritária blogosfera do que nas cúpulas partidárias.

 

Não será agora que se entra em clara campanha eleitoral que, no meio do ruído, BE e CDU se farão ouvir melhor. O FMI espera-nos já aí no início do túnel.


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