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Nov 15
publicado por Tempos Modernos, às 10:04link do post | comentar

"Manuel Monteiro explica aos autores: «Tínhamos os votos, tínhamos esta ideia de conquistar o CDS, mas não tínhamos o lado da corte. Tínhamos a macaquice para as reuniões das assembleias distritais, mas não para a grande política. E o Portas – aliás, o Luís Nobre Guedes – percebe isso: estes miúdos descobriram um diamante, mas não o sabem lapidar.»

 

Mas Paulo Portas escrevia no jornal como se estivesse alheio a tudo: «Tudo visto, [Monteiro] é quem merece o benefício da dúvida. Digo-o eu que sou independente e vejo as coisas de fora do CDS. Se calhar, é mesmo esse o mérito desta opinião.»

 

Manuel Monteiro: «O Portas contava-me todas as histórias em que estivesse a trabalhar que envolviam política. Quem lhe telefonava do Conselho de Ministros a dar–lhe notícias, o que se passava no Governo, o que se passava na oposição. Como ele sabia tudo, eu sabia tudo (...) inventava frases e escrevia discursos.»

 

«Muitas vezes, o CDS convocava à quinta -feira os jornalistas para uma conferência de imprensa no dia seguinte – cujo tema, nunca revelado por antecipação, era uma notícia publicada pel’O Independente nessa sexta -feira», acrescentam os autores.

 

É claro que esta relação não era apoiada por toda a redacção do jornal. Num emblemático 25 de Abril de 1994, houve uma tentativa de golpe. Helena Sanches Osório convocou a redacção para um almoço na Versailles e «expôs as suas preocupações sobre o futuro do jornal, caso continuasse a ser usado por Portas como órgão oficioso do CDS, e defendeu que o melhor caminho seria a mudança de director». Falharia. Dois dos mais próximos de Portas, Isaías Gomes Teixeira (que seria escolhido para o substituir na direcção) e António Ribeiro Ferreira (hoje no i) opuseram-se a qualquer acção contra Portas.

 

Com a sua caneta azul Futura, Portas continuou a ditar a linha editorial e a escrever as suas crónicas que, hoje, parecem uma maldade feita pelo jornalista ao político: anti-europeu, defensor da evasão fiscal como forma de protesto... Mas a política acabaria por ser a escolha, a tempo inteiro, na eleições legislativas de 1995. E depois nas europeias de 1999. E depois... d'O Independente ficaram muitas inimizades e um rol de processos judiciais."

 

Paulo Pena, in Público, a propósito de Filipe Santos Costa e Liliana Valente, O Independente, A Máquina de triturar políticos, Matéria Prima, 2015.


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