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Dez 11
publicado por Tempos Modernos, às 17:07link do post

 

Durante anos, os jornais impingiram-nos José Sócrates como o grande primeiro-ministro reformador de que Portugal precisava.

 

A maioria dos directores, comentadores e opinião publicada avaliava a bondade das suas propostas em função da agressividade mostrada e do gosto pelo confronto. Era impossível governar-nos, bando de madraços, sem pulso de ferro. A velha história de que não nos governamos, nem nos deixamos governar.

 

As tendências dos jornais medem-se pelas escolhas editoriais. O espaço em redor da publicidade, é preenchido a gosto dos critérios jornalísticos, blindados pelas escolhas de chefias, temerosas de arriscar salários. Os artigos e notícias podem ser objectivos, mas retratam apenas e só o que alguém considera noticiável. Sem grandes ondas que isso de informar antes do tempo não é para levar a sério, cima cria mau ambiente e, dizem especialistas, não vende papel.

 

Depois, mudaram os tempos. Os interesses continuaram os mesmos e Sócrates tornou-se o alvo a abater. Com o mesmo rigor e preconceito com que antes endeusaram Sócrates (honesto, e mostrando-se disposto a voltar a errar, um antigo editor meu confessava recentemente que se enganou várias vezes quando escreveu em defendesa do ex-primeiro-ministro), atiraram-no fora com a fama de ter feito ainda mais mal ao País do que aquele que os torresmos fazem às veias.

 

Ignorantes da História e do que diziam economistas fora do baralho, como João Ferreira do Amaral, esqueceram-se de noticiar que a situação era explosiva, que havia uma crise ao virar da esquina.

 

Agora imolam um socialista, Pedro Nuno Santos, por, num arrobo raro nos partidos do arco da governação, se mostrar mais preocupado com os portugueses em dificuldades que com os juros usurários a que estamos obrigados e que nunca na vida conseguiremos pagar

 

Quando é que os jornais trocarão a indignação fácil e as ideias feitas com que ajudaram a perder o país? É que aos jornalistas não cabe serem responsáveis nem educarem o povo, cabe-lhes sim informar.

 

Nota: Entre o não saber o que pensar, a discordância ou o receio de desagradar a quem faz a opinião pública, o PS oficial assobia para o lado.


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