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Da geração e da corrupção

por Tempos Modernos, em 16.01.12

Tito de Morais, que apesar da formação em engenharia viveu uma vida dura de exílio, regressou a Portugal onde exerceria a presidência da Assembleia da República, em mandato de cujo exercício concreto não tenho idade para me lembrar.

Em determinada altura, ofereceram-lhe um cargo na administração de uma grande empresa pública e ele recusou. Achava imoral o salário que lhe ofereciam. Morreria em 1999, desgostoso com o seu PS de sempre. Eram ainda os tempos de António Guterres.

Sabe-se do papel de Eduardo Catroga na elaboração do programa do actual Governo PSD-CDS/PP. É bem conhecida a sua doutrina sobre os cortes nos salários, fins nos subsídios, despedimentos. É bem conhecida a sua vida lauta de sucesso em administrações variadas e a reforma de quase dois mil contos mensais nessa moeda antiga a que Portugal corre sérios riscos de regressar.

Não sei se fez todos os descontos para ela – e por isso a ganhou com o seu trabalho, embora não a devesse poder acumular com salários do valor do que vai auferir – ou se o antigo ministro das Finanças de Cavaco aproveitou a legislação para se servir com o melhor dos mundos. Sei que é um daqueles que tem contribuído para transformar a sociedade portuguesa numa sociedade corrompida.

Não por qualquer acto de relevo penal, mas por, pelas posturas (modos de nomeação, salários como o que vai auferir na EDP), demonstrar as contradições e hipocrisias do arco do regime na gestão de décadas das coisas públicas: Sem vergonha, alardeando presumida superioridade, "valores" de mercado e ainda acusando os que sofrem os cortes de inveja e ignorância.

 

Os textos e as justificações de quem encontra argumentos para defender a sua nomeação para a EDP e a dimensão salarial são uma das faces mais sórdidas de um país corrompido, desigual, injusto, onde as oportunidades só sorriem para alguns. Face tanto mais suja quando o salário de Eduardo Catroga será pago com o dinheiro das contas da electricidade dos portugueses, como até os seus alertam.


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publicado às 10:50


2 comentários

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De giusepi a 16.01.2012 às 11:59

é fácil ver como foi legalizada a corrupção cá na nossa terrinha,vamos lá a explicar em vez de receber suborno ou luvas ou comissão no negócio, o que amanhã dava direito a mais um imbróglio tipo casa Melância recebe a mesmas comissições mas a título de de ordenado o que já justifica tudo, e como dizia o Scolari e o burro sou "EU"

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