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Durante o Siglo de Oro, a Monarquia Hispânica costumava nomear os seus inimigos para postos diplomáticos. Era um presente envenenado. A obrigação de zelar pelo prestigio da Coroa Católica obrigava a fazer despesas brutais asseguradas pelo embaixador.
Séculos depois, as prateleiras douradas no exterior continuam a ser usadas para deslocar as personalidades mais incómodas. Só as despesas é que já não correm por conta do enviado.
No passado recente, Ferro Rodrigues, João Cravinho ou Manuel Maria Carrilho foram alguns dos que aceitaram representar Portugal no exterior. Em qualquer dos casos, goste-se ou não das figuras, tenha sido ou não suficientemente consistente a sua acção, os três antigos ministros são figuras com densidade e algum prestígio, mesmo fora dos seus círculos partidários.
Prometer um lugar na OCDE a Álvaro Santos Pereira, neófito, sem quaisquer provas dadas ou serviço óbvio prestado ao país, é no mínimo bizarro. Ainda por cima demonstra pouco tacto político. Se a crise, como tudo indica, vier a apertar mesmo a sério, Pedro Passos Coelho precisará do lugar em Paris para afastar verdadeiros adversários.
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