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Jun 11
publicado por Tempos Modernos, às 22:05link do post | comentar

É o mínimo que se espera dos que impõem a austeridade.

 

Que deixem os eleitores escrutinar aquilo que se diz ser a realidade única.

 

E Carvalho da Silva acabará, muito possivelmente, por suceder a Cavaco.

 

Os tempos se encarregarão de o manter na crista da onda.


publicado por Tempos Modernos, às 18:17link do post | comentar

Este tipo de notícias (aqui, aqui, aqui, aqui ou aqui) mostra duas coisas:

 

Primeira. Não existe jornalismo de investigação em Portugal, apenas repartições de amanuenses dependentes de fontes que abrem a torneira ao ritmo dos seus interesses. Que obviamente não são exactamente os do direito à informação e que em nada contribuem para mudar o essencial.

 

Segunda: O instante escolhido (o momento em que se procede à troca de Governo) pelas mais diversas entidades oficiais para publicação de relatórios e revelações  serve para criar no público a convicção de que os que saem eram uns malandros que não podem passar impunes. Assim, é chegado o tempo de substituir as clientelas dos que partem pelas clientelas dos que chegam.


publicado por Tempos Modernos, às 16:47link do post | comentar

 

Já há muitos anos que deixou de fazer sentido a fórmula um cidadão, um voto, um projecto.

 

Em Portugal, os situacionistas foram sempre assumindo que tinhamos de trilhar obedientes todas as etapas de uma construção europeia. Novos patamares decididos em directórios neo-liberais e conservadores onde apenas se defende a liberdade de negociar e nunca a verdadeira liberdade: A individual só construível por quem recusa os medos: o medo do desemprego, o medo da fome, o medo da doença, o medo da ignorância.

 

Desde a adesão europeia, todos os políticos portugueses com responsabilidades governativas e presidenciais defenderam a visão única. Os jornais também. Não havia alternativas ao projecto europeu que estava a ser construído. Não se discutiu, não se debateu, não houve volta a dar. Quem defendesse o contrário era colocado na prateleira dos traidores, ou, se tivesse sorte, na dos líricos irresponsáveis ou dos risíveis e fanáticos comunistas.

 

Resumindo: Sem discussão, queimaram-se etapas sucessivas de aprofundamento da comunidade económica com os portugueses acompanhando as vanguardas. Com holandeses e irlandeses repetindo referendos vinculativos. Maastricht, o Euro, o Tratado de Lisboa empurrados pela frente situacionista da inexistência de opções. Nunca se ouviu os eleitores. Os seus representantes sabiam o que era melhor para eles. Agora já é a tróica que sabe aquilo que é melhor, como em qualquer colónia sem direito de voto. Um sítio onde cidadãos não perguntam pelos crepes pretos que vestiram a estátua do Camões, no Chiado, nos dias do ultimato do mapa cor-de-rosa. Um lugar onde Parva que Sou e A Luta é Alegria não congregam a cidadania como ocorreu com A Portuguesa, escrita com intenção, para o combate.

 

Confrontados nas urnas, na maioria dos casos, com modelos alternantes em vez de alternativos, os eleitores habituaram-se mediocremente a conviver com eleitos que não governam em defesa dos projectos da maioria dos cidadãos. Os alçapões nas leis que Paulo Morais denunciava há poucos dias existem mesmo? E servem a quem? A dança entre os corredores dos ministérios, as grandes empresas e a banca é prática corrente. Existe escassa correpondência entre o interesse do cidadão ao votar e a acção do representante ao decidir. O que dizer de um sítio onde um recibo verde forçado paga percentualmente mais impostos que os bancos? Alguma semelhança com um Antigo Regime onde nobreza e clero isentos eram sustentados pelos impostos do povo? As nada transparentes agências de rating - na prática bandos de rufias fazendo valer a lei do mais forte e os seus interesses rapaces - são, mais que toleradas, vistas como inevitáveis em vez de uma peste a erradicar.

 

Nos jornais, ouve-se os comissários deste estado de coisas. Como se fossem todos sérios, como se significativa parte deles (não se pode dizer nomes por causa dos processos) não estivesse apenas a defender os seus próprios interesses - muitas vezes ilegítimos - ou daqueles para quem trabalharam, trabalham ou irão trabalhar. Os verdadeiros privilegiados não são os que eleitos e jornais denunciam. Não são os funcionários públicos, os beneficiários dos rendimentos mínimos. Nas páginas que restam dá-se fait divers, gajas nuas.

 

Qualquer semelhança com uma democracia reside apenas no aspecto formal. Os dias do progresso contínuo que a historiografia iluminista inaugurou e que sofreu sérios abalos com as duas guerras mundiais ficaram já bem para trás espartilhados entre o fim e o princípio das grandes revoluções. Na Europa, em Portugal, no tempo presente, vive-se já há muito em regime pós-democrático. Só ainda não se tornou claro na cabeça de todos.

 

Declarações como esta, esta ou esta são construídas em torno de uma coisa que já não existe. E a julgar pela supremacia xenófoba com que alemães e finlandeses olham para outros povos, nem sequer as soluções bélicas estão afastadas no futuro.

 

Nota: A imagem é de uma obra de 2002, assinada por Santiago Serra, e intitulada Contratação e Ordenação de 30 Trabalhadores Conforme a Sua Cor de Pele.


publicado por Tempos Modernos, às 12:00link do post | comentar

 

Foi neste tipo de modelo de saúde, liberal e privado, que os eleitores portugueses votaram maioritariamente.

 

Seria interessante que ao menos esses fossem confrontados com as políticas que dele decorrem. 

 

Só se safam por haver quem lhes defenda os direitos que nem percebem como alienam.


publicado por Tempos Modernos, às 11:28link do post | comentar | ver comentários (1)

Quando conquistou Grândola à CDU, o PS exultou. Aquela porção de portugueses que nunca apreciaram a canção do Zeca também. A praça não lhes chegava directamente às mãos, mas passava muito perto.

 

Acresce que o novo presidente da Câmara tinha pergaminhos guerreiros. Carlos Beato integrara, como alferes miliciano, a coluna da Escola Prática de Cavalaria que Salgueiro Maia comandara até Lisboa numa madrugada luminosa.

 

Depois, anunciou-se a alienação de Pinheiro da Cruz, o aproveitamentos dos míticos pinhais de Grândola e seu litoral para desnvolvimento de projectos turísticos. Um sonho autárquico a fazer lembrar o pesadelo da orla algarvia, incapaz de se conter e galgando turbulenta a fronteira vicentina.

 

Agora, Beato nomeou um filho para adjunto. Deve ser legal, mas o autarca não o podia fazer.

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publicado por Tempos Modernos, às 10:41link do post | comentar

Lá em Bruxelas, Passos Coelho leva o recado de que Portugal tem de ser o país que dá certo, um rifão vazio sacado por Paulo Portas para eficaz consumo jornalístico.

 

Mais uma vez a fábula do bom aluno, caixa de óculos e obediente, que precedeu estas 1001 noites que se vão cumprir em Portugal. Até 2013, o prazo para avaliar o diktat da tróica, são três anos, pouco mais ou menos. Mil e poucos dias para deitar abaixo o país em nome de uma ficção de união.

 

Passos Coelho e Bruxelas vão mais uma vez discutir a urgência grega, uma ciência do particular, como se não existisse uma urgência muito maior conduzindo à geral desagregação europeia. Aplicarão rigorosos a sangria aos moribundos, vítimas das facadas que lhes chegam de todo o lado.

 

Se ao menos os dirigentes europeus fossem capazes de pensar além da sua efémera glória. Camões morreu pedindo a tença; Pessoa, depois de viver uma vida inteira em quartos alugados, escreveu a última frase* num hospital de nome hesitante entre o desprendimento da graça e a magestade da realeza.

 

O medíocre trabalho de Pedro, Paulo e dos que os antecederam não trará lustre que se veja. Nem sequer haverá o consolo de saber que souberam viver frugalmente, longe do ruído incendiário dos holofotes. Poderia não mudar o sentido à obra mas mostraria que não tentaram tirar vantagem do vulgo.

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