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As dívidas dos nossos netos

por Tempos Modernos, em 28.08.11

No século XVIII, D. João V, O Magnânimo, que morreria hemiplégico, depois de alguns anos a ter de ser transportado em ombros, mas que tinha quem o carregasse, lançou um imposto especial sobre os habitantes de Lisboa, para construir o Aqueduto das Águas Livres. Aquilo que ali vêem, não foi pago com dinheiros públicos, tirados do orçamento corrente, mas sim com o esforço forçado dos cidadãos da cidade. E era se queriam beber água. O que pela mesma altura foi construído com o dinheiro da Coroa, enriquecida com os ouros do quinto do Brasil, foi o palácio-convento de Mafra.

 

Sabe-se que a primeira obra apenas inspirou meia dúzia de homicídios e um dos primeiríssimos filmes portugueses - Os Crimes de Diogo Alves, em duas versões, pela mão de Lino Ferreira e de João Tavares. Já o edifício saloio levou à escrita de Memorial do Convento, primeira pedra no caminho da construção de um Nobel da Literatura português, e essa outra preciosidade discreta que constitui Lillias Fraser, de Hélia Correia.

 

O interesse e relevância das construções vive nem só da estética nem só da utilidade e ambas as obras estão aí desde o reinado de D. João V, pagas pelos portugueses da época, também para usufruto dos do presente.

 

Não discutindo a utilidade de muito do investimento público, quando se ouve alguns políticos (e não só) queixando-se de que estamos a deixar dívidas e contas para os nossos netos pagarem, questiono-me sempre se eles não irão também usar as estradas e hospitais que nós construímos nestes últimos anos.

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publicado às 12:43

Uma escola portuguesa nos rankings internacionais

por Tempos Modernos, em 28.08.11

Portugal tem algumas escolas de nível mundial, apesar dos disparates que alguns vão dizendo. Se não andam pelos rankings, isso deve-se mais a factores exógenos e de financiamento que massa crítica não falta.

 

Mas, estranhamente, é algo inesperada a instituição que tem os formados mais bem cotados a nível internacional.

 

José Mourinho e o já multipremiado internacionalmente Gonçalo M. Tavares formaram-se .

 

Apesar da discrição, o facto de uma escola atrair este tipo de estudante quererá dizer alguma coisa e devia ser aproveitado de alguma forma.

 

Nota: Sim, eu sei, a foto é antiga. Em Portugal, até as instituições gostam de ir mudando de nome.

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publicado às 11:48

Um governo criminoso?

por Tempos Modernos, em 28.08.11

A ir por diante uma ideia destas, das duas uma, ou as cidades ficam vazias, sem as pessoas que deixam de poder ir trabalhar e estudar, ou ficam cheias de gente, que tratará de lhes assaltar os ministérios.

 

Para já, deve ser para testar a capacidade de indignação, mas só quem nunca os ouviu falar acreditaria ser uma ideia que nunca lhes passou pela cabeça. No entanto, de tanto a corda esticar, sabe-se o que um dia lhe acontece.

 

Nota: A foto é do ministro com a tutela dos transportes, professor de economia numa universidade bem cotada, a andar a pé.

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publicado às 11:14

A sobrevivência do mais forte

por Tempos Modernos, em 28.08.11

O sonho liberal de os paizinhos poderem escolher para os meninos a escola dos seus sonhos esbarra na realidade quando - forçados a deixar os colégios privados de onde a crise lhes fez tirar os filhos - descobrem não haver lugar para todos nas escolas melhor cotadas. E não será por falta de esforço de algumas secretarias.

 

Em tempos, diria que para aí, o mais tardar, em 1995, um colega de liceu fez o estágio para professor de inglês e alemão numa secundária da capital, num dos melhores bairros da cidade. Não interessa o nome. A escola pode ter mudado e, mesmo que não o tenha feito, ao longo dos anos já se ouviram tantas histórias semelhantes, de outros locais, que o exemplo é paradigmático.

 

Era uma dessas escolas antigas, com bom nome na praça e muito razoáveis lugares nos rankings, embora na altura ninguém fizesse rankings. Os alunos eram quase todos filhos de algo e os raros miúdos que ali caíssem vindos de fora daquele meio social eram discriminados pelos colegas, professores e até funcionários.

 

Eram estudantes, que a secretaria se via forçada a aceitar, depois de ter recusado vários casos semelhantes, com base em critérios que deviam mais ao preconceito que aos regulamentos.

 

Por mim, fiz o ensino secundário numa escola pública do interior, com filhos de toda a gente e sem classificações que se vejam. Três dos meus colegas do 12º ano, éramos trinta e poucos, tiveram nota para entrar em Medicinas. Só um o fez, escolheu Medicina Dentária. Perdi-lhe o rasto. Os outros dois, um e uma, ainda hoje bons amigos e casados um com o outro, preferiram estudar Física e Matemática.

 

Ele, doutorado por uma universidade inglesa, dessas que oscila entre os dois primeiros lugares dos rankings europeus, aproveitou o programa de regresso de cérebros de Mariano Gago. É professor universitário convidado, que não há lugares nos quadros e não sabe o que fará da vida dentro de dois anos.

 

Ela prepara o doutoramento e dá aulas num politécnico, mas possivelmente não a teriam aceitado no melhor liceu da capital.

 

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publicado às 10:19

Questão ética, diz Cadilhe

por Tempos Modernos, em 28.08.11

"Acha que a medida teria uma boa aceitação junto dos seus destinatários?

Bem, antes de mais, é uma questão de percepção e consciência social, é uma questão de ética, é uma questão de responsabilidade cívica. Por isso, acho que sim. De facto, vistas bem as coisas, perguntaria, 3% ou 4% de um grande património líquido será algo de muito aflitivo para o seu titular? Mais aflitivas, muito mais, não o serão as trevas dos desfavorecidos? Que diabo, então não há dias na bolsa em que as cotações descem ou sobem mais do que isso?"

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publicado às 09:33

Clarificação de intenções

por Tempos Modernos, em 27.08.11

O Governo disse que ia ponderar a hipótese de aumentar os impostos dos super-ricos portugueses - espécie inexistente, segundo Américo Amorim.

 

Para já, na Assembleia da República, PSD e CDS-PP avisaram que vão chumbar uma proposta nesse sentido. Proximamente chumbarão outra.

 

Com a qualidade legisladora que se reconhece ao dois partidos que suportam o Executivo vai uma grade de mínis que a proposta governamental será muito melhor?  Pelo menos para alguns.

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publicado às 09:18

Vasos comunicantes

por Tempos Modernos, em 26.08.11

 

Diz que os alemães já há 20 anos que não eram tão ricos.

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publicado às 23:19

Reduzir ao absurdo

por Tempos Modernos, em 26.08.11

 

Se, como se diz, o dinheiro dos milionários portugueses não é suficiente para pagar a crise, valerá a pena recear assim tanto que estes fujam?

 

No fim de contas, apenas quererá dizer que as suas empresas não geram assim tanto dinheiro como isso.

 

Mas se os donos se forem embora, alguém tomará conta dos grupos ecomómicos, ou acham que vamos ficar sem supermercados, bancos, bombas de gasolina, e novamente remetidos à recolecção e à apanha de amoras e de raízes?

 

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publicado às 22:03

A lição de Lampedusa

por Tempos Modernos, em 26.08.11

 

"Se quisermos que tudo fique como está, é preciso que mude tudo", diz Tancredi ao tio, príncipe de Salinas - a citação é a exacta, retirada de O Leopardo, de Lampedusa.

 

A referência é tão óbvia, que fugir dela chega a ser tolo.

 

Claro que os muito ricos não serão chamados a pagar a crise. Para já conseguiram arranjar este pretexto de que estão dispostos a pagar mais, para não lhes irem ao património. Cavaco até já se mostrou de acordo.

 

E enquanto isso, comentadores e directores de jornais alertam para o perigo de que as grandes fortunas fujam. Na Europa e nos estados Unidos ninguém está disposto a eliminar os esconderijos onde podem refugiar-se.

 

O dinheiro dos ricos pode nem ser suficiente para pagar a crise, como exigia o rifão revolucionário, mas foram eles que criaram a crise em que todos vivemos. A única maneira de lhes mostrar onde nos conduziram as aventuras deles é bater-lhes onde lhes dói. Forçá-los a pagar pela crise que provocaram. E isso implica taxar também o património.

 

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publicado às 21:44

Problemas de identidade

por Tempos Modernos, em 26.08.11

Ontem na TVI 24, ouvi Mira Amaral afirmar que pertence à classe média.

 

O que custa nem é o homem ser engenheiro e ter feito cadeiras de probabilidades e estatística.

 

O que custa é ver esta classe média com pensões de 18 mil euros, acumulados com cargos na banca, falar sobre a crise.

 

Não seria mais condizente com a realidade chamarem um dos jornalistas precários que têm lá pela redacção, felizes - ou pelo menos conformados - por ganharem pouco mais de 500 euros?

 

Licenciados, podem puxar salarialmente para baixo a classe média a que o ex-ministro da Economia de Cavaco pertence mas ao menos estão mais na moda.

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publicado às 12:34



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