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No documentário Débitocracia alguém afirmava que a entrada do FMI nos países fazia cair a esperança média de vida em cinco a 10 anos.
Isto é, o FMI mata. E quem é contra a renegociação da dívida prefere pagar juros usurários - cuja prática durante a Idade Média garantia a entrada no Inferno - do que combater a morte entre a sua população.
Na Grécia, regressou a malária, uma doença terceiro-mundista, que a Europa já tinha erradicado. Todo um admirável mundo novo perante os nossos olhos. É o regresso de Pestes que já não nem sabíamos que existiam.
E tudo sob o patrocínio de um Governo perto de si.
Duas notas breves:
Ângelo Correia, antigamente próximo de Passos Coelho, afirmou ontem, na SIC, convictamente, como é seu modo, que Carvalho da Silva e João Proença não se demarcaram das invasões das escadarias do Parlamento ou dos cocktails molotov lançados contra repartições de finanças. Escassas horas antes, os dois sindicalistas tinham-no feito em conferência de imprensa.
O ex-mentor do primeiro-ministro também afirmou que o momento de crise que se vive resulta de ataques bélicos, conduzidos por Wall Street, contra a Economia Europeia. É o tipo de coisa de que pelas bandas do PSD nunca se lembraram quando se tratou da governação de Sócrates. Há sempre muito ruído quando os laranjas estão na oposição. Até se podia admitir que a coligação faz papel de bom aluno, para colher quando a Europa finalmente abrir os olhos, mas é dificil de acreditar. Friedmanianos como Gaspar ou Santos Pereira não serão erros de casting, mas antes claras opções ideológicas.
Mas quem é que desiste primeiro de alimentar conflitos e divisões?
Ele ou os que não concordam com ele e que em muitos casos irão fazer greve?
Ou quando o voto de um deputado pode valer pelos de 25.
Viva a greve geral.
Vasco Pulido Valente chega aos 70 anos com direito a entrevista no Público, jornal que, de sexta a domingo, o acolhe na última página.
Pedro Lomba, a quem encomendaram o trabalho e que se imagina venerador, pergunta-lhe pela "coragem". Vasco responde que "é dizer o que se pensa". Se "se não disser o que [se] pensa, não é interessante".
Tem razão Vasco Pulido Valente. Mas desengane-se se está convencido de que basta ter coragem.
Há coisas que se pensam e não têm lugar nos jornais. Não por falta de "coerência" ou por não ligarem "umas com as outras".
Há opiniões que são pagas a peso de ouro, enquanto outras dão direito ao desemprego e à precariedade. Difícil é ser corajoso contra a corrente. O resto é soberba. Por muito que goste - e gosto - de o ler.
Ao quinto dia, ou lá o que é, José Manuel Fernandes veio demarcar-se de João Duque e das suas ideias para o controlo governamental da informação num canal público.
Segundo Fernandes, Duque fez declarações "desastradas" e "inadequadas" que não reflectem o que "está no relatório" do grupo de trabalho do PSD para a RTP.
Duque foi "desastrado" ao tornar-se, pelos vistos, um mau porta-voz dos conteúdos do relatório.
E claro que Duque fez declarações "inadequadas". Pelo menos em democracia e numa sociedade onde se valorize o jornalismo. Mas o ex-director do Público podia ter ido mais longe.
A questão é: Fernandes nunca reparara no tipo de valores que movem Duque? Parece crença a mais para um tipo inteligente que até foi director de um jornal de referência.
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