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Dez 11
publicado por Tempos Modernos, às 22:38link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Na Alemanha, Helmut Schmidt, no congresso do SPD, lembrou a solidariedade europeia com os alemães no pós-guerra

 

O velho chanceler, que durante a segunda guerra mundial combateu ao lado dos aliados contra os nazis, nem hesitou em lembrar que os excendentes do seu país existem à conta dos défices dos outros estados europeus.

 

Sintonia, pois, e mais uma vez, com Mário Soares (que dia 7 faz 87 anos). A ideia da Europa enquanto espaço de bem-estar e de coesão social e entre os povos está na mão dos nonagenários. Coincidências, numa altura em que os seus sucessores promovem antes o individualismo egoísta e a competição.


publicado por Tempos Modernos, às 22:16link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Sarkozy reúne-se esta segunda-feira com Angela Merkel para decidirem juntos o futuro de todos nós.

 

Passos Coelho já vincou a sua convergência de posições com a chanceler alemã.

 

Conjunturalmente, com escassas excepções, a Europa é governada por partidos neo-liberais.

 

Parece demasiado tentador, aproveitar a cimeira dos dias 8 e 9 de Dezembro para esticar a corda da austridade e do fim dos direitos laborais.

 

Mas não se devem esquecer de que, ao longo destes anos todos, na Europa, as maiorias conservadoras têm sempre alternado com as sociais-democratas/trabalhistas.

 

O facto demonstra a existência, em cada país, de uma certa polarização ideológica (sobretudo teórica) entre as forças em confronto com aptidão governamental.

 

Tentar uma golpada  neo-liberal pode ser clarificador, mas vai deixar pelo menos metade da população europeia contra a urgente reforma da união.

 


publicado por Tempos Modernos, às 20:42link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Se bem me lembro, a emissão foi interrompida para anunciar a queda do avião onde se deslocava o primeiro-ministro. Só passado um bocado chegou a confirmação das mortes. Depois disso, tenho presente a emissão quase em contínuo de música sacra.

 

O resto é difuso. Já não sei se as coisas de que me lembro são realmente por me lembrar delas ou por as ter visto e ouvido tantas vezes que já se tornaram memórias próprias.

 

O Verão Quente e os cinco que se lhe seguiram vivi-os eu dentro de um quartel. O meu pai aparecia no jornal da Liga Comunista Internacionalista referido como "major reaccionário". Entrara na Escola do Exército no mesmo ano de Vasco Gonçalves. Ou de Diogo Neto. Ramalho Eanes podia não ser muito lá de casa, mas o meu pai inspeccionara-lhe o batalhão, em Coemba, Angola, até tenho para aí uma foto, datada, dando conta da dita passagem. De alguma forma, a história daqueles dias parecia ter algo de pessoal.

 

Eram as vésperas das eleições presidenciais. Discutia-se se Soares Carneiro teria perdido as eleições caso o seu principal apoiante não tivesse morrido. Dizia-se que apenas não teria perdido por tanto. Dizia-se que a bomba era para o matar a ele. Ouvia-se que os comunistas podiam estar por trás do atentado que derrubara o Cessna. Houve também a hipótese da Direita Militar. Gente acusada por calúnia.

 

Apesar das cautelas políticas, a tese do atentado nunca deixou de andar por aí mais forte do que a do acidente. As sucessivas comissões de inquérito parlamentar nunca geraram hipóteses consensuais. Serviram mais para alimentar o sebastianismo laranja, que ali perdeu todas as chances de construir o melhor país à face da terra. Uma convicção mais do campo do psicológico do que do da ciência política.

 

Nunca tive grandes certezas sobre o assunto. Tenho sempre dificuldades com questões de fé, embora a tese atentado convoque o meu lado dramático, Por outro lado, as declarações prestadas por António Capucho ao Diário de Notícias, embora nada tragam de novidade, forçam a algum esforço analítico. O ex-presidente da câmara de Cascais considera plausível "a possibilidade, levantada por Freitas do Amaral, de que o atentado tivesse por alvo o ministro da Defesa, [Adelino Amardo da Costa], para evitar revelações sobre alegados desvios do Fundo de Defesa do Ultramar".

 

Havia know how disseminado, os tempos eram outros e Lee Rodrigues e José Esteves foram referidos como estando envolvidos no atentado que teria causado a morte de Sá Carneiro e de mais seis pessoas. Mas num país onde só agora começa a haver uma vaga condenação de responsáveis por crimes de desvios de dinheiros públicos, haveria a necessidade, em 1980, de chegar ao ponto de assassinar um ministro?


publicado por Tempos Modernos, às 11:45link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Comentadores vão-nos dizendo que há que aguentar a austeridade, que só assim podemos ter condições negociais com a ortodoxia europeia.

 

Mostrar mais uma vez o nosso lado de bom aluno, para que na altura exacta em que tudo ruir possamos pedir clemência,

 

Esta tendência é seguida por directores de jornal, por senadores laranja, por comentadores do establishment.

 

Parece, no entanto, que adivinham no Executivo ideias que não existem.

 

Pelo menos a ter em conta as palavras do próprio Pedro Passos Coelho, político que só quem quis comprou por outra coisa: 

 

"Não há colagem, há coincidência de posições" com Merkel.

 

Não seria altura de começarem a fazer leituras com os dados e declarações que têm efectivamente sobre a mesa, em vez de insistirem num certo wishful thinking?

 

 


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