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Dez 11
publicado por Tempos Modernos, às 20:01link do post | comentar | ver comentários (1)

O CDS-PP tem um discurso sobre a liberdade cuja intersecção com a realidade forma um conjunto vazio. Explica-se, que a Matemática não é um forte nacional.

 

Embora diga defendê-la, na prática afronta a liberdade.

 

Primeiro, em nome da liberdade de escolha, defende apoios estatais a quem tem filhos em escolas privadas ou o direito à opção entre uma segurança social pública universal e solidária ou uma privada gerida pelos sector financeiro.

 

Depois, mete-se nas gravidezes dos outros, medicaliza compulsivamente as relações de trabalho (tema focado de forma nula pela inteligentsia à esquerda e à direita) e persegue os beneficiários do Rendimento Social de Inserção (RSI), forçando-os a assinar contratos onde se comprometam a organizar a sua vida pessoal segundo regras defendidas por outros.

 

Resta saber, neste último caso, se a partir do ano que vem, os beneficários do RSI não morrerão à fome enquanto esperam quatro meses por uma decisão dos serviços para verem atribuído (ou recusado) o subsídio.


publicado por Tempos Modernos, às 08:28link do post | comentar | ver comentários (2)

Há dias, Manuel Maria Carrilho cascou forte e feio nas elites europeias. Delas disse o Ministro da Cultura (nunca mais houve nenhum, pelo que fica mesmo em caixa alta e por antonomásia) que "nada previram a tempo. Nada diagnosticaram com lucidez. Nada propuseram com realismo. Nada concretizaram com eficácia". Talvez escaldado pela má imprensa desta vez deixou de lado o quarto poder. Convém não provocar a fera.

 

Mas essa mesma crítica assenta como uma luva às elites jornalísticas, os poderes na imprensa. Desde que na passada semana Cameron emperrou mais um processo da construção europeia em curso (desde Maastricht), nos jornais, censuras é que não têm faltado. São dos mesmos que, por causa de outros tratados, no passado amoestaram os Países Baixos ou a Irlanda por não estarem afinados com o futuro, forçando referendos e enchendo jornais de editoriais zangados.

 

Hoje, no Diário de Notícias, Leonídio Paulo Ferreira começa o seu comentário com uma citação do Sim, Senhor Ministro que também já usei aqui. "Cameron recebeu os aplausos dos tablóides londrinos, ficou muito mal visto no resto da Europa. O francês Le Monde titulou mesmo o fim da União Europeia a 27.", escreveu. Se os tablóides, coisa para a populaça, aplaudem e o referencial Le Monde aplaude então Cameron não tem razão. Tenho poucas certezas quanto a isso.

 

O Reino Unido não é flor que se cheire, mas o actual Eixo França-Alemanha também tem trazido pouco de bom à Europa. Depois, estou longe de achar que as maiorias têm sempre razão (olháí o Governo actual... ), mas a larga maioria do povo que, em democracia, elegeu Cameron até apoia a decisão do líder conservador. E, por outro lado, existem forças políticas com ideias diferentes da conjuntural hegemonia neo-liberal europeia.

 

Bem podem editorialistas, comentadores e jornalistas atacar o primeiro-ministro britânico. Ao longo destes anos todos, as elites da comunicação social "nada previram a tempo. Nada diagnosticaram com lucidez. Nada propuseram com realismo. Nada concretizaram com eficácia". 

 

Cameron é o espaço para pensar, contra factos consumados. E, já agora, de modo pluralista, sem preconceitos, exclusões ou ideias feitas. Infelizmente, receia-se o pior. Antes, com tempo, editorialistas, comentadores e jornalistas não o fizeram. A Europa que tanto louvaram prometeu mel e maná. O que tinha para dar era de natureza muito diferente. Não bastará ler o DN, de hoje, para o confirmar (aqui, aqui, aqui ou aqui)?

 

 

 

 

 

 


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