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Dez 11
publicado por Tempos Modernos, às 17:56link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Não entendo uma civilização que mantém em lugares de responsabilidade, gente que sistematicamente escorrega para as comparações e comentários xenófobos e malcriados.

 

Ao equiparar a alcoólicos os países com dívidas, Jens Weidmann, presidente do banco central alemão, é apenas mais um entre os muitos que se divertiram a crismar os países do sul com o ofensivo acrónimo PIIGS.

 

Em português de lei, existe um nome que assenta como uma luva aos racistas. Infelizmente não se pode usar sem correr o risco de ser processado.

 

Nestas alturas lembro-me sempre do euro-deputado que se viu forçado, por Carlos Pimenta, a pedir desculpa aos portugueses por se lhes ter referido como mafiosos. Outros tempos, outros laranjas.


publicado por Tempos Modernos, às 17:07link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Durante anos, os jornais impingiram-nos José Sócrates como o grande primeiro-ministro reformador de que Portugal precisava.

 

A maioria dos directores, comentadores e opinião publicada avaliava a bondade das suas propostas em função da agressividade mostrada e do gosto pelo confronto. Era impossível governar-nos, bando de madraços, sem pulso de ferro. A velha história de que não nos governamos, nem nos deixamos governar.

 

As tendências dos jornais medem-se pelas escolhas editoriais. O espaço em redor da publicidade, é preenchido a gosto dos critérios jornalísticos, blindados pelas escolhas de chefias, temerosas de arriscar salários. Os artigos e notícias podem ser objectivos, mas retratam apenas e só o que alguém considera noticiável. Sem grandes ondas que isso de informar antes do tempo não é para levar a sério, cima cria mau ambiente e, dizem especialistas, não vende papel.

 

Depois, mudaram os tempos. Os interesses continuaram os mesmos e Sócrates tornou-se o alvo a abater. Com o mesmo rigor e preconceito com que antes endeusaram Sócrates (honesto, e mostrando-se disposto a voltar a errar, um antigo editor meu confessava recentemente que se enganou várias vezes quando escreveu em defendesa do ex-primeiro-ministro), atiraram-no fora com a fama de ter feito ainda mais mal ao País do que aquele que os torresmos fazem às veias.

 

Ignorantes da História e do que diziam economistas fora do baralho, como João Ferreira do Amaral, esqueceram-se de noticiar que a situação era explosiva, que havia uma crise ao virar da esquina.

 

Agora imolam um socialista, Pedro Nuno Santos, por, num arrobo raro nos partidos do arco da governação, se mostrar mais preocupado com os portugueses em dificuldades que com os juros usurários a que estamos obrigados e que nunca na vida conseguiremos pagar

 

Quando é que os jornais trocarão a indignação fácil e as ideias feitas com que ajudaram a perder o país? É que aos jornalistas não cabe serem responsáveis nem educarem o povo, cabe-lhes sim informar.

 

Nota: Entre o não saber o que pensar, a discordância ou o receio de desagradar a quem faz a opinião pública, o PS oficial assobia para o lado.


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