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Os riscos do populismo

por Tempos Modernos, em 22.10.12

 

(Foto: dn.pt)

 

Os contorcionismos de Portas para se manter no Governo dando a impressão que o CDS-PP nada tem a ver com o orçamento de Estado já tiveram a sua utilidade se abrirem os olhos a alguns eleitores.

 

Espera-se que o eventual apagamento da estrelinha do ministro dos Negócios Estrangeiros não abra caminho a populismos mais graves.

 

Esse é que é o grande risco para a segurança. O despertar dos movimentos nacionalistas na extrema-direita.

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publicado às 19:39

Auctoritas et potestas

por Tempos Modernos, em 22.10.12

Como dito há dias, começa a haver escassa pachorra de muitos para suportar os dislates de uns poucos.

 

Acrescenta-se: esgota-se a pachorra desses muitos, sem voz, para suportar os dislates, amplificados, de uns quantos.

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publicado às 18:10

A notícia já tem uns dias...

por Tempos Modernos, em 21.10.12

 

... mas o que se pode dizer é que Murdoch deve saber o que diz quando o tema é escumalha.

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publicado às 12:28

Propostas equilibradas ou Os bois pelos nomes

por Tempos Modernos, em 21.10.12

 

 

(Foto: rtp.pt)

 

Pega como faísca em palha seca a ideia de que é virtuoso e da maior justiça forçar os beneficiários do rendimento social de inserção (RSI) a trabalhar em troca das comparticipações que recebem do Estado.

 

Daí a pôr os desempregados a limpar mata vai um salto. Esquecem-se de que os subsídios de desemprego são pagos com o dinheiro que os próprios empregados por conta de outrém descontam todos os meses para a segurança social.

 

Há motivos para que ambas as ideias sejam muito bem encaradas por uma maioria habituada ao reflexo condicionado. Até aqui, o desemprego era uma coisa que acontecia aos outros. E que acontecia a gente de outras classes sociais, uma malta que não convidava à empatia, demasiado longe de portas.

 

Esquece-se de que se as pessoas não trabalham é por não encontrarem uma ocupação digna e compensadora. Pouco lhes importa que um pai ou uma mãe, beneficiário do RSI, com filhos pequenos, obrigado a trabalhar tenha de encontrar quem lhe tome conta das crianças gastando toda a prestação em amas, creches e transportes. Irrelevante que boa parte dos salários não supra estas necessidades básicas.

 

Há escassos anos, ainda antes da crise se ter instalado de malas e bagagem no quadro mental dos portugueses, com base num estudo da Católica, Alfredo Bruto da Costa explicava,  num Prós & Contras que a maior parte dos pobres portugueses eram pensionistas ou gente que trabalhava.

 

Afinal, não eram desocupados, como se afirma na propaganda de alguns partidos, um ponto de vista que uma ruidosa parte da opinião pública toma como verdade incosntestável, mesmo à esquerda. Um ponto de vista que manda sempre os outros trabalhar e que encontra nos nus a causa para andarem rotos.

 

Esta ideia é perversa. Se no Estado e em Instituições Particulares de Solidariedade Social (IPSS), como as misericórdias, há espaço para acolher o trabalho gratuito dos beneficiários do RSI, é apenas por existir trabalho para fazer. Se existe a necessidade de limpar matas, então é porque ninguém as tem limpado? Porque é que acabaram os concursos para cantoneiros?

 

Haverá um bom motivo para que esses lugares não estejam disponíveis para quem procura emprego? Não existe um único bom motivo do ponto de vista da gestão dos recursos humanos para encher empresas e instituições com um exército de trabalhadores contrariados e desmotivados. Não existe um único bom motivo para o fazer do ponto de vista da gestão do mercado de trabalho. Que Estado e IPSS considerem esta mão-de-obra utilizável, evidencia como, para muita gente, o ser humano se transformou numa mercadoria.

 

Não se entende por isso que tantos se insurjam quando Fernando Ulrich propõe receber nos bancos e nas grandes empresas desempregados, pagos pelo orçamento de Estado. Todo o discurso montado o legitima. Estas ideias têm um rosto. E têm quem com elas contemporize. Infelizmente, como já se disse noutro lado, há pessoal que só as percebe quando se tornam pornográficas. Ou no dias em que os afectam a si ou aos seus filhos e netos.

 

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publicado às 12:14

Rangel candidato

por Tempos Modernos, em 21.10.12

(Foto: blogue Psicolaranja)

 

Nas últimas eleições europeias, Paulo Rangel só foi uma surpresa para quem o não conhecia como comentador. Ontem, à margem do Conselho Nacional do PSD disse várias coisas interessantes. Previsivelmente, critérios editoriais levaram à escolha das menos interessantes para título, que é aquilo em que a maioria dos leitores repara.

 

Uma das opções foi pelo sound bite (e o próprio disse que o era) de que o ministro dos Negócios Estrangeiros devia assumir maior protagonismo na Europa. Outra foi a afirmação e que o CDS-PP tem tempos de reacção lentos. Neste caso, o eurodeputado referia-se ao tempo que o CDS-PP levou a tratar da questão orçamento de Estado e o tom crítico foi bastante atenuado.

 

Onde é que estava a notícia no meio disto tudo? O que é que era realmente importante e fora da espuma dos dias e da lógica maniqueísta de crise política provocada pelo CDS-PP? A observação de que o Governo devia jogar também no tabuleiro europeu e suavizar as exigência feitas pela pela tróica a Portugal. Ora, isso foi obliterado dos títulos.

 

Depois de  o FMI criticar os programas de ajustamento, de o BCE mostrar no papel disponibilidade para mudar alguma coisa e logo a seguir à presença de Passos Coelho num Conselho Europeu sem falar da difícil situação portuguesa (Hollande dixit) jornais destacam comentários sobre o CDS-PP.

 

Se queriam escândalo, podiam ter juntado pontas menos óbvias. Apesar da civilidade do tom, podiam ver nas declarações de Rangel, antigo adversário de Passos Coelho à presidência do PSD, um ataque à forma como é dirigido o Governo.

 

Por três motivos. Primeiro, por que o é. Rangel disse que o Executivo age mal ao não ter uma postura europeia que procure obter medidas menos gravosas para Portugal. Segundo, por que tem razão. O país está refém das baias em que sucessivos tratados e acordos da União o meteram. Por último, por que Paulo Rangel será sempre uma das figuras a considerar para primeiro-ministro de um governo de iniciativa presidencial ou de salvação nacional.

 

 

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publicado às 09:26

Este blogue é um blogue de combate.

 

Entre eles o combate pelo jornalismo. Basta olhar aí para o lado: para o tamanho "enorme" (agora diz-se assim) da etiqueta jornalismo.

 

Tempos Modernos nasceu muito da urgência de tornar o jornalismo um lugar decente.

 

De o tornar qualquer coisa asseada, limpa, livre, pluralista, sem medos. Pelo menos para mim, que em dez anos de profissão nunca vi que o fosse.

 

Saúda-se pois o conjunto de iniciativas que o sindicato da minha classe está a organizar. Entre elas um encontro de jornalistas para discutir formas de luta, já no sábado que vem, dia 27 de Outubro, e uma conferência nacional, para dia 24 de Novembro.  O texto da convocatória está aí, transcrito:

 

 

"1. O agravamento da situação dos jornalistas na generalidade da comunicação social, os resultados positivos que têm sido alcançados na mobilização dos jornalistas, a crescente consciencialização da classe para a necessidade de respostas mais determinadas e organizadas aninam a Direcção do Sindicato dos Jornalistas a prosseguir na preparação de um vasto conjunto de iniciativas.

2. Assim, além da realização, no próximo dia 27 (sábado), de reuniões de jornalistas (sócios e não sócios do SJ) e da dinamização de várias acções junto da classe, a Direcção do SJ decidiu convocar para o dia 24 de Novembro uma grande Conferência Nacional dos Jornalistas.


3. Destinada a colocar em debate a situação do Jornalismo e dos jornalistas e a discutir formas de intervenção nas redacções e na sociedade, bem como a dar suporte mais amplo à própria acção do Sindicato, esta Conferência constituirá também um passo no caminho da concretização do ansiado 4.º Congresso dos Jornalistas Portugueses, que o SJ se comprometeu a organizar.


4. A Direcção do SJ apela à mobilização de todos os jornalistas em torno do seu Sindicato e à participação nas referidas iniciativas.
"

 

 

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publicado às 09:59

 

 

Paulo Portas esteve trancado mais de três horas com o grupo parlamentar do CDS-PP.

 

À saída, em declarações à comunicação social, quase nada disse de novo. Quase nada que não se soubesse já. Apesar das perguntas dos jornalistas, qualquer cidadão minimamente atento à cena política portuguesa saberia que o líder do CDS-PP anunciaria a aprovação do Orçamento de Estado. 

 

Pelo menos se tivesse preferido ler os blogues de alguns jornalistas, como este aqui, em vez de ler directores e comentadores avençados pela comunicação social. Quanto a eles, a maioria é uma malta cujo raciocínio é um nó cego de lugares comuns. Caem - ou deixam-se cair - como patinhos na narrativa sobre a crise governamental, uma construção portista para não alienar eleitores.

 

Os deputados até podiam ter estado fechados, mais de três horas, a jogar à batota com o ministro dos Negócios Estrangeiros. O anúncio de Paulo Portas seria o mesmo.

 

Não se recusa que um ou outro parlamentar tenha escassa afinidade com o orçamento de Estado do Goveno PSD/CDS-PP para 2013. Nunca a suficiente para pôr a aprovação em risco. O jogo faz parte de uma táctica para convencer os eleitores de que da existência de tendências internas diversificadas podem surgir políticas substancialmente diferentes. Só quem anda a dormir acredita que os partidos são como os melões. Há coisas e assuntos para os quais nem vale a pena ter fontes no largo do Caldas. Basta a memória.

 

Interessante, pela carga de ameaça que transporta para Portugal, é o anúncio para breve de uma tomada de posição europeia em relação à Grécia. O resto, a parte do psicodrama do partido do contribuinte, faz parte da encenação.

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publicado às 18:08

Manuel António Pina (1943-2012)

por Tempos Modernos, em 19.10.12

 

(Foto: ionline.pt)

 

O escritor que transformava o jornalismo.

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publicado às 17:39

É o que se pode ler no mais que citado post de Henrique de Sousa, sobre a directiva que visa privatizar e entregar aos bancos a segurança social europeia (pdf).

 

Um percurso que acabará por conduzir à privatização total de todos os serviços públicos europeus.

 

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publicado às 15:12

Não sou um excessivo apreciador de Hollande...

por Tempos Modernos, em 19.10.12

... mas depois desta não volto a usar nada que tenha assinatura Lagerfeld.

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publicado às 14:56



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