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Nov 12
publicado por Tempos Modernos, às 21:46link do post | comentar | ver comentários (1)

Passos Coelho avisou há dias que Portugal vetará o orçamento da União Europeia se este não for mudado. Por sua vez, Cavaco considerou-o "inaceitável". Quando até o bom aluno rabeia e fala grosso, mesmo que seja para consumo interno, isso deve querer dizer algo sobre o estado de alma dos 27.

 

Conciso como sempre, Medeiros Ferreira lembra que em Novembro além do orçamento europeu ainda há o doméstico para resolver: são muitas contas ao mesmo tempo mas "ninguém se enganará que isto não é um concurso de prognósticos".

 

Adepto confesso de futebol, e críptico como costuma ser, com uma frase destas é bem provável que o antigo ministro dos Estrangeiros receie já o fim do jogo

 


publicado por Tempos Modernos, às 10:57link do post | comentar | ver comentários (1)

Cavaco presidiu ontem à entrega dos Prémios Gazeta 2011 e, como vai sendo hábito, o discurso saiu-lhe inadequado e desajustado.

 

Talvez o inquilino de Belém se julgue legitimado pelo precedente dos presidentes dos Estados Unidos da América que todos os anos jantam com os correspondentes de imprensa na Casa Branca e dão livre curso aos dotes humoristicos. Só que a iniciativa não é isenta de críticas e é suficientemente perversa para não  fazer parte das coisas boas da vida política e jornalística norte-americana. Apesar de tudo, tem como atenuante o facto de o presidente dos EUA ser alguém que em simultâneo exerce funções de mais alto representante da nação e executivas. De ser alguém que diariamente torna visíveis os seus pontos de vista e que toma partido.

 

Não é isso que se passa em Portugal, onde o primeiro-ministro governa e do Presidente da República se espera que seja atento, arbitral e um garante do cumprimento da Constituição e da unidade do Estado. Alguém em quem se deposite confiança e que ponha água na fervura.

 

Ora, Cavaco foi eleito para ser Presidente da República. Não para fazer piadolas entre jornalistas. O discurso de ontem, não terá saído do presidencial punho. Não é um improviso espontâneo, mas o tom é semelhante ao dele. Quando Cavaco tenta o humor, este sai-lhe no mínimo amarelo e na maior parte das vezes cai mal.

 

Os que o elegeram (e os que o não elegeram também, já agora) desejavam num momento de emergência nacional ter um presidente à altura da crise. Não têm. Cavaco aproveitou a entrega dos Gazetas de Jornalismo para lançar farpas aos que lhe criticaram a inacção e silêncios públicos. Mas Cavaco não pode ver como um capricho que os portugueses lhe peçam que fale. Com o seu discurso desvalorizou as queixas e preocupações diárias de quem vive perplexo com as acções da tróica, com a falta de trabalho, com o receio do que trará o Orçamento de Estado para 2013, com a ideia de reforma das funções do Estado. 

 

Pareceu também ressentido com os que no justo exercício das suas funções e actividades políticas e cívicas lhe têm pedido que envie o orçamento para o Constitucional. Mostrou-se ainda insensível com a ameaça (e realidade) de falência que pende sobre as cabeças de dezenas e dezenas de milhares de empresas, de famílias, ao felicitar o Clube dos Jornalistas por ainda não ter fechado.

 

No final, Cavaco pediu aos jornalistas para dizerem que ele não tinha dito nada. Por acaso, era o melhor que tinham feito. Os Prémios Gazeta são para homenagear e discutir o jornalismo e não o papel do Presidente da República. Com o seu discurso, Cavaco abafou o resto.

 

Cavaco podia não ter dito nada. Preferiu dizer que não tem condições nem capacidades políticas para exercer o cargo que exerce num país a viver a situação que vive.


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