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Jul 15
publicado por Tempos Modernos, às 21:04link do post | comentar

Passos Coelho e o PSD insistem que foram recuperados os empregos perdidos com a tróica.

 

Independentemente da propaganda, no jornalismo não se deu por nada. A quase totalidade dos duzentos postos de trabalho perdidos não foram repreenchidos.


publicado por Tempos Modernos, às 19:30link do post | comentar

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Há muito tempo que os socialismos e os trabalhismos jazem mortos e apodrecem na mesmíssima campa onde se anunciou ter sido enterrado outro dos "ismos" do século XX.

 

Depois do muito nosso engavetamento da coisa, muita água se tem fartado de correr no caudaloso rio da política nacional e internacional. Abreviando, houve até uma terceira via, parida no Reino Unido, que o PS muito acriticamente seguiu, excepto na parte da recusa da moeda única. Os socialistas domésticos preferiram deitar fora a única ideia inteligente do Labour desses dias: "Euro, tu és euro e sobre ti edificaremos a Europa", disse Guterres, em 1995, saudando, em modo bíblico, a criação do Euro.

 

Depois, convém perguntar: na crise do pós-2008, as governações dessa área política distinguiram-se exactamente de quem? Europa fora, em que divergiram Dijsselbloem, Martin Schultz ou Sigmar Gabriel dos governantes dos partidos conservadores?

 

Em França, Hollande foi eleito prometendo governar de modo diferente. António José Seguro chegou a depositar nele alguma esperança de que trouxesse à Europa "a lufada de ar fresco de que precisava".

 

Mas a ilusão pouco durou. Sem ter aquecido no Eliseu, Hollande logo tratou de meter o social no saco. Um sinal claro foi dado quando indicou para primeiro-ministro Manuel Valls, o homem que quer mudar o nome ao Partido Socialista Francês (PSF), fazendo cair o "Socialista”.

 

Agora, depois da última fase da crise na Grécia, Hollande lembrou-se de criar um governo de apenas seis países para a zona euro, deixando os outros membros da moeda única de fora de núcleo duro de decisão. Convém não ter dúvidas acerca da natureza autoritária, prepotente e oligárquica da União Europeia.

 

As evidências nesse sentido raiam de tal modo a pornografia, que é preciso ter chegado agora de Marte para não o perceber.

 

Mas há outro salto a dar. A ideia foi de François Hollande, repito. Primeiro, o homem do PSF enterrou o social. Agora enterrou a democracia. Resta-lhe o quê? O hífen? Ou também já tinha caído com o novo acordo ortográfico?


publicado por Tempos Modernos, às 16:07link do post | comentar

 

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O Feiticeiro de Oz (The Wizard of Oz), Victor Fleming, 1939, é o número 39 na lista da BBC Culture

 

 

Aos 24 anos o editor do online da publicação já tinha sido editor de política num jornal especializado.

 

Regressado, pouco depois, à casa onde estagiara, para chefiar a emperrada versão digital da revista, levava parte do tempo criando listas - uma categoria informativa de indispensabilidade diária segundo as chefias jornalísticas dos dias que correm.

 

Dessa vez era a dos maiores vilões do Cinema. Depois de olhar para ela, sugeri-lhe que mudasse o título para "Os maiores vilões em filmes produzidos depois de se celebrar o primeiro centenário do cinema". Nem um único dos maus da fita era de um filme anterior a 1995 e o grosso eram vilões já do século XXI.

 

Ainda assim, achar seis dos 100 melhores filmes de sempre nos 14 anos já decorridos deste século, como fez a BBC Culture, é uma média excelente.

 

Seis melhores filmes em 14 anos, quase um a cada dois anos, pode não evidenciar um enviesamente quantitativo excessivo. Para os 106 anos anteriores, com muitos mais milhares de filmes disponíveis, os críticos consultados pela BBC Culture escolheram 94 filmes, o que dá quase um por ano. Quem conheça minimamente a História do Cinema (e essa questão é evidenciada na notícia) percebe existir um enviesamento qualitativo, e com bocado de esforço maior até se entendem as dimensões comerciais deste tipo de lista.

 

Mas onde a notícia causa perplexidade é exactamente no título dado em português. "Só seis filmes deste século estão entre os 100 melhores de sempre do cinema americano". Aqui, o "só" tanto pode ser visto como informativo como incitativo. O "Só" tanto pode indiciar que o cinema tem vindo a decair na quantidade de obras-primas produzidas, como indiciar que a lista anda mal feita.

 

A título pessoal, o que me enerva é que no lugar de "só", devia antes estar um explectivo "Tantos?".


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