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Nov 15
publicado por Tempos Modernos, às 11:38link do post | comentar

 

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(fonte: jn.pt)

 

Eu não percebia como se podia transferir para um sistema privado as pensões mais altas pagas pela segurança social.

 

Quando lhe disse não ver o sentido de querer encher o poço, secando-lhe as maiores fontes que o alimentavam, chamou-me demagogo.

 

Os últimos anos bem nos mostraram como a realidade se tornou demagógica. E apesar dos incontáveis programas televisivos apresentados por comissários da tróica e do Governo PSD, CDS/PP, acreditava-se haver noutros a honestidade do repensar velhas ideias feitas.

 

Nada disso. Não esperava que acontecesse ainda durante a minha vida, mas, depois da falência do Lehman Brothers, vi documentários demagógicos mostrando gente de 90 anos forçada a regressar ao trabalho por ter perdido os planos poupança reforma feitos em sistemas de segurança social privados. Depois foram as falências na Banca por cá.

 

Gente na rua, gritando e exigindo a intervenção do Estado para repôr ou para se substituir às promessas quebradas das financeiras privadas. Muitos dos que hoje se manifestam e queixam do Banco Espírito Santo são a imagem - mais viva do que as 1000 palavras - do que pode vir a acontecer aos pensionistas que se fiarem das promessas dos sistemas de segurança social dirigidos pelas seguradoras e pelos bancos. Todo este tempo, esteve para se retorquir aqui com qualificativos sustentados na realidade a quem procurara insultar com o demagogo .

 

Só o facto de, durante esta fase, os Tempos Modernos se terem tornado bissextos, impediu de escrever que, depois de tudo que acontecera à banca, apenas sociopatas e criminosos defenderiam o plafonamento propondo a transferência das pensões mais altas, as dos contribuintes que fazem maiores descontos, para um sistema privado de segurança social.

 

Foi pena não o ter escrito. Depois disso, já em fim de vida, o Governo do PSD/CDS-PP lembrou-se de querer introduzir o plafonamento .e o sistema privado de segurança social. Esperava eu que os jornais, escaldados com o Lehman Brothers, o BPN, o BES, se lembrassem ao menos de reavivar na memória dos leitores os problemas de solvência e de sustentabilidade surgidos em vários sistemas mundias de segurança social privada.

 

Nada disso, a publiação onde está o mesmo editor que me chamou demagogo fez, imediatamente, um especial de corrida a explicar a proposta de plafonamento do Governo PSD/CDS-PP. Mesmo que a coisa não passasse, havia que ir insistindo para criar nas pessoas a ideia de que de uma péssima ideia brotará maná e mel. Que interesses por trás de tantas peça de jornais? De certeza não serão os dos leitores.

 

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 11:09link do post | comentar

O bom em perenes discussões, sobre os mais variados assuntos, com antigos editores é que à razão da sua força hierárquica respondeu a realidade com uma força que lhes perspectiva a estupidez dos argumentos. Como se diz noutro lado, a propósito de outras figuras, "Os vossos desejos não são notícia".

 

Ainda assim, muitas vezes, tenta-se salvar a aparência e a cara ignorando a substância. As razões da folha salarial alguma força lhes dará. O respeito intelectual de outros é que não.


publicado por Tempos Modernos, às 11:07link do post | comentar

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(Fonte: SAS Universidade de Lisboa)

 

Nos meus últimos anos de Técnico cruzei-me com um pequeno e simpático grupo de colegas. Gente inteligente, mas neo-liberal ou coisa ainda pior. Ainda a seu desfavor, sabe-se lá porquê, o apreço político por dois dos sinistros alas de Durão Barroso, figuras já misturadas com o negro mundo da advocacia dos negócios e com a alma prestes a enegrecer, ainda mais, em cumplicidades bélicas que os manchariam de sangue e os tornariam, a ambos os dois, infrequentáveis por gente decente e asseada.

 

Em conversa, um dia, um desses colegas tentava convencer-me de como só havia vantagens em entregar a privados a cantina pertencente aos serviços sociais da Técnica: melhorias no serviço, na qualidade alimentar. O serviço não era o melhor, concedo, a qualidade das refeições andava longe de satisfatória. Mas não percebi a defesa do privado feita pelo meu colega. Ainda hoje não percebi a ideia, nem depois de ter, noutra escola, feito um segundo curso superior, e notado, e reclamado, como a qualidade de serviço prestada prossegue muito aquém do desejável.

 

Admito que a comparação entre empresas possa aguçar a vontade de fazer melhor. Mas ter uma única empresa a servir refeições no mesmo espaço não é grande incentivador de comparações. E a realidade e o contexto ecológico de uma cantina são uns e não outros. O privado que substituia a acção social escolar não tem com quem se comparar. Ainda se várias empresas funcionassem no mesmo espaço e à mesma hora, havia a possibilidade de se escolher que refeição se queria.

 

Se numa cantina, com preços condicionados, por razões óbvias e evidentíssimas, a refeição desagradar, e com o mesmo preço e quantidade (pão, sopa, refeição, sumo ou água e sobremesa), a facilidade da não deslocação, o estudante só tem uma opção. A própria cantina. O serviço competindo, privado ou público, consigo próprio. E, no final, ajustamento residual dos gastos do Estado: a mesma verba que era paga aos serviços sociais escolares substituída pela indemnização compensatória paga pelos contribuintes de modo a permitir à empresa vencedora do concurso manter os preços controlados e sociais.

 

Metido ali, em substituição dos serviços sociais, o privado apenas ganharia uma renda estatal. Acabaria desviado da competição, livre do risco tão glorificado pelos empreendedores. Libertado da rua, onde os seus serviços de refeição poderiam, sim, competir e melhorar, em relação aos do restaurante vizinho, atraindo clientela, mexendo com a economia e não contribuindo para o défice público.


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