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Ago 16
publicado por Tempos Modernos, às 12:03link do post | comentar

Por muito brilhantes que os dois autores sejam, e são, tenho alguma dificuldade em levar a sério as análises do Ministério da Educação feitas por Paulo Guinote e Carlos Fiolhais .

 

Em 2011, já para começar a criticar o ministro da Educação de Passos Coelho, o professor de História dizia ter sido:

 

"[U]m dos que acolheram com enorme expectativa a nomeação de Nuno Crato para ministro da Educação, fruto de uma admiração pelo seu discurso claro e objectivo contra o que, na opinião de muita gente e atravessando fronteiras ideológicas ou político-partidárias, impossibilitou a nossa Educação de dar o salto da conquista da quantidade para a da qualidade."

 

Por sua vez, em 2012, o físico da Universidade de Coimbra ainda arranjava motivos para elogiar o ministro da Educação saído do catálogo da Gradiva. Falava de "impulso reformista", de "cortes na despesa", de "revolução traquila". Dois anos depois, em 2014, já tudo era passado:

 

"Também eu simpatizei com Nuno Crato e com a sua ideia de «implosão» do Ministério da Educação."

 

O discurso de Crato sempre trouxe dentro do seu discurso aquilo que depois foi. Que não lhe tenham topado o ovo autoritário e privatizador dentro de um discurso de exigência e rigor mostrou falta de discernimento.

 

O novo ministro da Educação pode ter muitos defeitos, vir a revelá-los todos e até não resolver problema nenhum. Mas Brandão Rodrigues tem para já a enorme vantagem de não alimentar uma narrativa da edcação e da avaliação enquanto castigos e da escola enquanto simuladora das dificuldades da vida. Só isso já é uma limpeza de alma não desprezável.


publicado por Tempos Modernos, às 11:55link do post | comentar

Mesmo maus a Português e Matemática os resultados das provas de aferição apontam caminhos de solução, ao contrário do rol de exames de Nuno Crato.

 

Os novos resultados são qualitativos, desagregados por tipo de erros e apontam áreas de intervenção.

 

E, para já, eventuais dificuldades logísticas parecem não despertar problemas.


publicado por Tempos Modernos, às 11:15link do post | comentar

Ainda o campeonato de futebol não começou e já comentadores clubísticos aquecem os motores com conversa poluidora

 

Uns atacam o Sporting por causa da contratação de um miúdo de 15 anos, filho de Fontelas Gomes, o novo presidente do conselho de arbitragem.

 

Outros o Benfica, cuja fundação alegam ter dado bolsas a árbitros em formação.

 

Se jornalistas alimentam e lucram com estes ataques, que ocupam antena nas estações e canais televisivos, já se esquecem demasiadas vezes de aprofundar e investigar as acusações.

 

Ficam as citações dos comentadores a abrir jornais desportivos e a alimentar audiências. Como se os mandadores de bocas fossem fontes ou se o que dizem tivesse valor noticioso só por si.

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 11:09link do post | comentar

É curiosa a entrada do artigo do Público acerca de propostas para a ADSE apresentadas por uma comissão de peritos.

 

O título fala de uma "ADSE [que] deve ser associação privada..."

 

Depois, na entrada na página digital da publicação lê-se:

 

"Peritos não concordam que ADSE seja transformada em instituto público, como pretendiam os sindicatos."

 

A vontade dos peritos apresentada no presente do indicativo. A pretensão dos sindicatos já deitada para trás das costas, num pretérito imperfeito.

 

Vai-se a ler, e nem a vontade dos peritos é definitiva para o Ministério, nem os sindicatos viram a sua pretensão ultrapassada.

 

Até podem justificar as nuances sintáticas com necessidades de agarrar o leitor, mas naturalizam um ponto de vista e negam o papel do jornalista enquanto produtor de informação para debate público.


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