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Out 16
publicado por Tempos Modernos, às 12:53link do post | comentar | ver comentários (1)

O El Pais contabiliza as línguas do Nobel da Literatura. Vinte e sete autores de língua inglesa, 14 da francesa, 13 da alemã e 11 da espanhola. Os 11 premiados em espanhol (espanhóis mesmo espanhóis apenas cinco: Echegaray, Benavente, Jiménez, Aleixandre e Cela) são ultrapassado pelos premiados em francês e alemão, duas línguas com menor peso de falantes. Também há seis premiados que escreveram em russo - tantos quanto os vencedores italianos e menos um que os suecos, que, de qualquer modo, jogam em casa.

 

Mas o que o periódico quer vincar é o desequilíbrio a favor dos idiomas ocidentais, contra línguas tão faladas como o chinês (Gao Xingjian e Mo Yan), o japonês (Yasunari Kawabata e Kenzaburo Oe), o árabe (Naguib Mahfouz), o bengali (Rabindranath Tagore, já em 1913). Este enviesamento tem razões históricas.

 

Até por isso, mais notório se torna o muito residual peso do português entre os vencedores do galardão. Num prémio que tem sido tão ocidentalizado, um país ocidental, detentor de uma das seis línguas mais faladas do mundo (por causa do Brasil), com uma literatura cultivada desde o século XIII, consegue ter apenas um vencedor - José Saramago, em 1998.

 

 

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 12:22link do post | comentar

Agora que deram o Nobel da Literatura a um cantor, será que lhes ocorre dar o Camões a Chico Buarque?


publicado por Tempos Modernos, às 12:12link do post | comentar

Público errava esta manhã ao dizer que nenhum escritor masculino norte-americano vencia o Nobel da Literatura desde John Steinbeck, em 1962. Apenas se lembrariam de Toni Morrison, uma mulher negra.

 

Agora, com a há muito anunciada vitória de Bob Dylan podem fazer antes outra estatística. Para os Estados Unidos, desde que John Steinbeck venceu o Nobel da Literatura em 1962, o prémio foi entregue quatro vezes a autores homens de origem judaica (Saul Bellow, Isaac Bashevis Singer, Josip Brodsky, Dylan) e a uma mulher de origem africana.

 

 

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 11:27link do post | comentar

No dia da nomeação de António Guterres para secretário-geral das Nações Unidas, um habitual comentador televiso de política internacional afirmou na televisão que a eleição do português era muito duvidosa, pois não se sabia para onde cairiam os votos da Rússia e da China. Estas afirmações manifestavam completa falta de acompanhamento do processo que lhe pediam para comentar enquanto especialista.

 

Há muito que todo o noticiário falava do apoio certo da China e de França a António Guterres. Quanto à Rússia, era pública e notória a oposição a Kristalina Goergieva. Se o apoio à primeira candidata búlgara, Irina Bokova, constituiria motivo para vetar Guterres já era dar um passo maior que as pernas. A troca da candidatura búlgar, em cima da hora, sugeria antes o contrário.

 

Leu-se também um jornalista sério e justamente respeitado manifestar surpresa pela eleição. Estranho. É que era complicado ser-se surpreendido. O desfecho feliz da candidatura de Guterres não foi propriamente imprevisto. Seria essa conclusão de quem tivesse ido cruzando o noticiário da emissora que o próprio Francisco Saarsfield Cabral dirige, a Rádio Renascença, com o do Diário de Notícia e com postados de blogue de Francisco Seixas da Costa, muito bem informado de todo o processo e várias vezes chamado a comentá-lo pela comunicação social.


publicado por Tempos Modernos, às 10:12link do post | comentar

Tinha este postado pendurado já há algumas semanas. Continua a fazer sentido no dia em António Guterres é confirmado no cargo de secretário-geral pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Publico com alguns acresentos. Para memória futura.

 

«Primeiro, Durão Barroso desmentiu ter promovido junto do Clube Bilderberg a candidatura de Kristalina Georgieva, a búlgara vice-presidente da Comissão Europeia, a secretária-geral da ONU, em detrimento de António Guterres.

 

Depois, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão desmentiu que Angela Merkel tivesse feito a promoção da búlgara de junto de Putin, durante uma eunião do G20.

 

Há dias, Paulo Rangel  lembrou-se de dizer que o ruído da Comissão Europeia em torno da ida de Durão Barroso para a Goldman Sachs, servia para boicotar a candidatura de António Guterres a secretário-geral das Nações Unidas - um nexo de causalidade curioso.

 

[A ligação encontrada por Rangel - Comparar e confundir carne do lombo (Guterres) com a carne que serviram aos marinheiros do Potemkime (Durão Barroso) - não lembraria ao diabo. Lembrou ao eurodeputado português. Então vocês não reparam no tipo de gente que Portugal tem?, cantou espalhando lama por toda a parte.

 

Depois recuou, mas] Paulo Rangel foi eleito pelo PSD que no Parlamento Europeu pertence ao grupo popular europeu, a família política de centro-direita de Durão Barroso, Angela Merkel e Kristalina Georgieva.

 

As manobras do PPE para tramar Guterres foram bastante ruidosas e tiveram direito a alertas como os de Francisco Seixas da Costa» [O embaixador, antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus e representante de Portugal na ONU, alertou dias mais tarde para o papel desempenhado na candidatura de Kristalian Goergieva por outro eurodeputado do PSD, Mário David. O secretário de Estado de Passos Coelho recusou então receber lições de patriotismo. Mas, se calhar, devia.

 

Teoricamente tem razão. Ninguém é mais ou menos patriota por apoiar ou deixar de apoiar um português para um cargo internacional. Muitos, logo de entrada, nunca viram motivos para apoiar Barroso na Comissão Europeia. O devastador rasto da sua passagem de dez anos por Bruxelas dão-lhes inteira razão.

 

O problema é que Mário David mistura várias coisas. A eleição de Kristalina Gergieva é do domínio do internacionalismo monetário e não do da pátria. Nada tem a ver com patriotismo ou com um empenho nacional declarado como aconteceu com Guterres. A mesma falta de transparência existiu aliás com Durão Barroso, cuja eleição foi secretamente cozinhada em directórios mundiais após a cimeira das Lajes.

 

E David escusava de justificar o seu papel na candidatura da amiga Kristalina com o desconhecimento das intenções de António Guterres, dizendo julgá-lo candidato presidencial. É distracção a mais. Há vários anos que Guterres negara querer entrar numa futura corrida a Belém. E há muito que era conhecida a sua vontade de ocupar o lugar de secretário-geral da ONU.

 

Mário David e outros fizeram parte de um frente estrangeira e europeia. A Alemanha fez força, coadjuvada por democratas tão pitorescos como os que governam a Húngria e tão musculados como os que estão à frente da Polónia. Com vários candidatos de países da União Europeia na corrida ao lugar de secretário-geral da ONU, a Comissão Europeia assumia um papel de não neutralidade, apoiando uma sua vice-presidente a quem deu licença sem vencimento - apesar dos compromissos de continuidade no cargo assumidos pelos comissários europeus. E Junckers andou mesmo em visitas de promoção de Kristalina Georgeva.

 

Espantoso, como vincou Jorge Sampaio.] 

 

 


publicado por Tempos Modernos, às 09:59link do post | comentar

Em dia de Nobel da Literatura escreve-se que nenhum homem dos EUA vence o prémio há mais de 50 anos, desde John Steinbeck, em 1962. É um erro que em tempos de Google não se justifica.

 

Ora, de cor, aqui sentado na poltrona, de cor, alinho já Josip Brodsky, Isaac Bashevis Singer e Saul Bellow. Os dois primeiros são naturalizados e até nem escreveram em inglês. Já Bellow, o primeiro do trio a ser premiado, salvo erro em 1976, é um escritor masculino norte-americano tão escritor masculino norte-americano como Steinbeck.

 

Será aliás um dos motivos para se ir afastando Philip Roth da corrida. Valerá a pena premiar a cópia, um eterno preferido dos jornalistas portugueses, quando o original já venceu? Será este ano?

 

Nota final: continuando pelos EUA, em certa medida, o também nobelizável Don De Lillo, com a sua reflexão sobre a televisação e espectacularização da realidade, seria um premiado na linha do hoje desaparecido Dario Fo.


publicado por Tempos Modernos, às 09:58link do post | comentar

Ele chama-lhe Um verdadeiro sábio e eu já sei que devo ouvir É reaccionário que ferve.


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