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Jan 17
publicado por Tempos Modernos, às 22:56link do post | comentar

Um economista explicava na televisão que o aumento do salário mínimo dos 530 euros para os 557 euros é um aumento signficativo para as empresas, pois é um aumento de cinco por cento.

 

Eu que sou engenheiro tenho sempre alguma dificuldade com a compreensão matemática dos economistas que falam na televisão e que dizem coisas nos jornais. É que cinco por cento de coisa quase nenhuma ainda continuam a ser coisa quase nenhuma.

 

Um aumento de cinco por cento do salário mínimo nacional corresponde a menos de 1 euro por dia de aumento. Há por aí muitas empresas que não sejam capazes de acondicionar nas contas mais 1 euro por dia por cada trabalhador que lá têm?


publicado por Tempos Modernos, às 19:27link do post | comentar

Carlos Silva pode achar o que quiser da postura da CGTP na concertação social. Mas querer decidir o modo como a intersindical actua ou deixa de actuar, discute ou deixa de discutir, já extravasa um bocadinho as funções do secretário-geral da UGT.


publicado por Tempos Modernos, às 19:03link do post | comentar | ver comentários (1)

Os 25 dias de férias para trabalhadores com um certo número de anos de serviço foram postos no Código de Trabalho por Bagão Félix, no tempo de Durão Barroso. Vendeu-se na ocasião ser um modo de compensar os trabalhadores por várias garantias tiradas pelo Governo, em nome de uma muito alegada competitividade laboral.

 

Numa política de pequenos passos, de tirar um pedaço de cada vez, depois de Bagão Félix trocar garantias laborais pelo rebuçado, já então nada equivalente, dos 25 dias de férias, passou-se à fase seguinte. Ou seja, no Governo de Pedro Passos Coelho e Paulo Portas, as férias foram reduzidas para os 22 dias anteriores. Mas as garantias retiradas aos trabalhadores pelo ministro do Governo PSD/CDS-PP, de Durão Barroso e de Paulo Portas, não foram repostas.

 

ainda não foi desta que regressaram os 25 dias dados da outra vez como rebuçado - um rebuçado, como se verifica, facilmente retirável e esquecível. Não se percebe por isso muito bem o sentido de discutir a reposição dos 25 dias tirados na concertação social em vez de repôr uma promessa feita há 15 anos e traída entretanto.

 

É que não se está a discutir um aumento de direitos. Está-se a discutir a reposição de algo que foi trocado por vários recuos laborais que os autores diziam ir trazer crescimento dos salários e do emprego.


publicado por Tempos Modernos, às 18:38link do post | comentar

 

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Os jornais noticiaram o aumento das vendas de 1984, de Georges Orwel, depois de uma conselheira de Donald Trump ter vindo falar em verdades alternativas. Kellyane Conway justificava opiniões divergentes acerca do número de espectadores da tomada de posse do novo presidente norte-americano.

 

No dia em que se assinala mais um aniversário da libertação de Auschwitz, faz algum sentido lembrar uma outra leitura que me ocorre há mais tempo. A de um livro publicado no exacto mês em que se iniciou a II Guerra Mundial, pouco menos de uma década antes da edição da distopia orwelliana.

 

Sobre as Falésias de Mármore é uma fábula incandescente acerca da ascensão do nazismo. Nela, Ernst Jünger, oficial do exército alemão, descreve a realidade inquietante, inescrupulosa, oportunista, frenética e boçal de um país de faz-de-conta.


publicado por Tempos Modernos, às 12:32link do post | comentar

Há um par de semanas, no jornal de um dos partidos de esquerda que viabiliza o governo de António Costa, punham-se em destaque duas frases de uma entrevista dada ao jornal i pela jornalista Maria Flor Pedroso, presidente da comissão organizadora do IV Congresso dos Jornalistas.

 

"Alguns jornalistas têm medo de participar neste congresso"

e

 

"Muitos de nós não nos revemos em grande parte daquilo que vemos, ouvimos e lemos".

 

A escolha do jornal contribui para uma determinada narrativa acerca da crise do jornalismo português. Mas, mesmo que residualmente acertada, é uma narrativa daninha para a inteligência da questão.

 

É um erro persistir na ideia do medo dos profissionais. Tal como é um erro acreditar que nas publicações se exibem, dizem e escrevem coisas diferentes daquelas em que jornalistas se revêem. O que não é verdade. Nem na forma, nem na substância.

 

Ora, o que a narrativa desse jornal partidário insinua como solução é uma operação de simples simetria: acabar com um eventual medo (o que é sempre bom) e exibir, dizer e escrever coisas em que outros se revejam. Na melhor das hipóteses, ter-se-ia direito a um discurso mais plural. Mas informar não é dar algo em que os espectadores se reconheçam, nem continuar a sobrecarregar, de modo tóxico, o espaço público de discussão com conteúdos alternativos a metro.

 

O problema do jornalismo é de ordem cultural. Um problema não apenas do direito à produção do discurso, mas também do reconhecimento do discurso - da não-exclusão do  discurso, para falar em termos foucaultianos.

 

Nada disso se resolve sem mudar de alto a baixo a cultura das redacções, cortando cerces os paradigmas e os mecanismos de reprodução existentes.

 

 


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