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Viver habitualmente

por Tempos Modernos, em 11.09.12

(Foto: DN.pt)

 

Quando começou a trabalhar já vigorava a isenção de pagamento de segurança social durante o primeiro ano de actividade.

 

O patrão tardava em pagar, pagava com vários meses de atraso, e para poder comprar o passe, chegou a levantar dinheiro de uma conta a prazo para não pedir dinheiro emprestado aos meus pais. Chegou até a comprar material imprescindível para os alunos à sua custa, material que tardaram vários meses em pagar-lhe.

 

Quando se dirigiu, à segurança social para se inscrever e começar a fazer os descontos, a senhora da loja do cidadão do Éden, disse-lhe que teria todos os meses de pagar uma verba fixa, de dimensão variável, cujo impacto futuro na pensão de reforma não conseguiu explicar-lhe.

Disse-lhe que uma vez que não recebia todos os meses, não poderia pagar segurança social todos os meses. Que podia sim, pagar rectroactivamente quando recebesse vários meses de salários de uma assentada.

 

Já na altura não entendia a lógica de que a taxa social de base não fosse então uma percentagem do ordenado de cada um, mas sim um valor fixo, plano, igual para toda a gente. Também não entendia a lógica de ter de se continuar a pagar segurança social quando não se estava a trabalhar, como acontece aos artistas de trabalho concomitante e cada vez a mais gente.

 

Lá lhe agradeceu a atenção, disse-lhe para passar bem e que uma vez que tinha de ter dinheiro para os transportes para ir trabalhar e para poder comer não iria inscrever-se na segurança social. Poderia ter acrescentado que o fossem prender quando fosse caso disso, mas as grandes falhas da coisa pública não dependem dos funcionários.

 

Teve sorte. Quando Manuela Ferreira Leite subiu às Finanças uma das medidas que tomou foi desviar dinheiro da Segurança Social para fazer face a outras despesas do Orçamento de Estado e contribuindo para o buraco das reformas.

 

 

Outra medida foi o lançamento de um perdão das multas a quem tivesse os pagamentos em atrasos, ela que tanto tinha criticado Guterres por iniciativa semelhante.

 

Já com outro trabalho, o devedor aproveitou a benesse. Metido numa bicha interminável onde estavam artistas e até o irmão da governante, leu metade de O Idiota, do Dostoiévski, e lá pagou as contribuições em atraso, cuja verba pusera de parte enquanto aguardava melhores dias. Que nunca vieram.

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publicado às 13:35



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