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Ferro tem feromonas eleitorais

por Tempos Modernos, em 12.04.11

 

 

Em 2002, Ferro Rodrigues, em entrevista ao El País, pouco antes das legislativas em que seria derrotado por Durão Barroso, acusou o PCP pela queda do Governo de Guterres. Que tinham votado contra leis positivas e que não tinham aprovado orçamentos do PS. Nesses tempos, dos dois governos minoritários de António Guterres, os orçamentos foram aprovados sucessivamente, e por exemplo, por coligações (e nalguns casos abstenções) com os deputados madeirenses do PSD ou com Daniel Campelo e seu queijo limiano, do CDS.

 

Agora, transformado em flor esquerdista na lapela de Sócrates, que o manteve convenientemente afastado na OCDE, Ferro Rodrigues aceitou ser o cabeça-de-lista do PS por Lisboa. Os socialistas recuperam a narrativa e Ferro Rodrigues está mais uma vez nesse epicentro. Depois de seis anos de Governo, convergindo e aprovando orçamentos com a Direita, no PS pisca-se o olho ao voto útil dos eleitores de Esquerda. Acusa-se o PCP e o BE de impedirem convergências.

 

Desde que governa em minoria, o PS tem a desculpa da estabilidade para recorrer aos apoios do PSD e CDS para ver aprovadas iniciativas parlamentares. Sempre pode acusar Bloco e PCP de não colaborar.

 

Menos congruente é que antes, em maioria, os socialistas tenham encontrado quase sempre – é fazer as contas – os mesmos parceiros. Nos primeiros quatro anos de Sócrates, qualquer colaboração era desnecessária.

 

Teriam sempre as iniciativas aprovadas apenas com os seus próprios votos. Não precisavam para nada do PSD ou do CDS-PP e escusavam de dizer que só a intransigência dos bloquistas e comunistas os fazia violentar o seu ADN de Esquerda.

 

Manuel Alegre é outra louça, diferente de Ferro Rodrigues. E volta a estar ao lado do partido de (quase) sempre. Nos momentos cruciais foi o que sempre fez. Palpita que não por qualquer calculismo político seu - não parece capaz disso - mas antes por calculismo do partido. Os vaidosos têm o defeito de cair com poucas cantigas.

 

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