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Para não se dizer que exagero

por Tempos Modernos, em 03.11.15

«Mas fala da comunicação social sempre como se fosse uma entidade independente, sem laços sociais. 


Não acho que seja uma entidade independente, pelo contrário, estou a enunciar as suas dependências, mas acho que é uma instância que não pode ser reduzida ao determinismo económico e político.

 

É uma instância com autonomia, e essa autonomia não é toda boa, parte dela é corporativa: são as ideias circulantes da classe e o seu corporativismo e comportamento de rebanho, que diminui o seu pluralismo.

 

É uma comunicação social muito moldada por uma aproximação ao político, que é em grande parte a que gerou Marcelo Rebelo de Sousa. Marcelo é o grande educador do jornalismo político, e deu-lhe a base interpretativa: os cenários, uma atenção ao calendário, os factos políticos, a que o Portas acrescentou as frases assassinas e os sound bites.

 

E uma parte dos jornalistas formou-se nessa escola dupla: a do “Independente” e a do “Expresso”.

 

E isso faz com que tenham uma aproximação muito pouco criativa e reagem muito mal às mudanças. Sempre me recusei a fazer cenários sobre estas eleições, dizendo que depois das eleições tudo muda. Nós na história sabemos que o principal elemento dela é a surpresa, e estamos fartos de ter surpresas: o Estado Islâmico é uma surpresa, a Grécia não estava inscrito nem como começou nem como acabou.

 

Há muita coisa nova, e que altera as regras de jogo. A elite jornalística, sobretudo a que faz opinião, que é muito próxima das direcções e dos donos e dos seus interesses, tem tendência a não se querer desdizer a si própria.

 

E como nos últimos quatro anos muita gente alinhou no “é inevitável a austeridade”, “não há alternativa” e num discurso catastrofista, perante a possível alternância não podem perder a face.

 

Isso aliado a uma enorme ignorância dá coisas como dizer que vamos regressar ao PREC e jornais que dizem barbaridades como quem manda em Portugal é o PCP. É de doidos.»

 

Entrevista a Pacheco Pereira no jornal i

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publicado às 13:32


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