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Se o Benfica conseguiu vencer agora o tricampeonato, coisa que não acontecia há 39 anos, pode agradecê-lo a Jorge Jesus, que conquistou a Primeira Liga em 2014 e 2015.
Decide-se esta tarde o campeão da primeira liga portuguesa de futebol. As estações televisivas fazem balanços da temporada.
No estrito terreno do comportamento dos protagonistas do jogo - sem descer ao opaco mundo dos painéis de comentadores e dirigentes, sobreocupado de lúmpen vindo de todos os quadrantes -, uma ideia transversal a muitas peças mostradas é a da existência de uma guerra de palavras entre Jorge Jesus, treinador do Sporting, e Rui Vitória, técnico do Benfica.
Ora, tal ponto de vista apenas decorre de uma tentativa de imparcialidade jornalística, que adultera radicalmente os factos.
Fosse por que motivo fosse (jogos mentais, estilo pessoal,ressentimento, o que fosse), Jesus fez tiro a Rui Vitória logo desde o arranque da época, só tardiamente deixando a insistência.
O mais das vezes, Vitória deixou-o a falar sozinho. Respondeu-lhe duas ou três vezes quando a escalada no destrato e no amesquinhento já eram difíceis de ignorar. E ainda assim, dificilmente se pode dizer que fosse ofensivo, que desconsiderasse o adversário ou o tentasse humilhar.
O que se viu quase sempre foram muitas conferências de imprensa com Vitória a responder aos jornalistas que não ia responder a acusações vindas de Alvalade ou falar de assuntos suscitados por outros.
No meio do tiro ao Vitória, escrever ou dizer que se assistiu a uma guerra entre o técnico do Benfica e Jorge Jesus é recusar fazer jornalismo em nome de uma alegada imparcialidade. Ignorar factos é tão parcial como tomar partido. Ignorar a dimensão relativa dos factos, do tom e da substância, e fazer notícias a partir disso, é ser já parcial.
Uns maduros invadiram a página de Facebook do Bayern de Munique com alertas para o mau negócio que, no seu entender, os alemães fizeram ao contratar o médio benfiquista Renato Sanches.
O acto revela mais preocupações com o riquíssimo clube de futebol alemão, do que com a vida do rapaz que jogou no Águias da Musgueira. Os novíssimos correspondentes portugueses do Bayern de Munique na rede social não se importam de destruir a carreira e a vida do futebolista, ou pelo menos de o tentar fazer. O que ilumina e revela um carácter.
Estão convencidos de que a imprensa desportiva portuguesa é encarnada, de que os alemães foram enganados por ela. E como podem não ter razão? Afinal, sabem mais de futebol que Pep Guardiola e Rummenigge e não se deixaram enganar pelo 8 benfiquista.
Nunca liguei, nem ligo, grande coisa a futebol e menos ainda às arbitragens. Se um clube limpava quase tudo durante 30 anos, nunca me pareceu que a hegemonia se devesse apenas às circunstâncias averiguadas no processo Apito Dourado.
No jogo inaugural do último mundial brasileiro, o primeiro golo, ilegal, foi para a Espanha. A Holanda respondeu-lhes com cinco golos. Não houve árbitro que valesse aos campeões do mundo em título.
A fazer fé no grosso de comentadores do futebol, jogou-se ontem a enésima jornada desta 1ª Liga em que o Benfica foi ajudado pelo árbitro. Não fossem estes e tenho impressão que a minha equipa se arriscava a disputar os lugares da despromoção. Lendo as crónicas e ouvindo as televisões, não me recordo da última vez em que não houve zarolhice ou premeditação dos juízes a favor do clube da Luz ou contra os seus adversários.
A destempo, também parece que a eventual saída de Jorge Jesus devia ter sido equacionada pelo menos desde o jogo com o Estoril.
O técnico devia então ter sido substituído (ao menos temporariamente) pelo Trapattoni.
Com um técnico sem nervos e capaz de segurar os resultados, teriam ao menos vencido o campeonato nacional.
Na final da taça da Liga, o treinador do Benfica pôs adeptos a discursar orgulhosos sobre a presença do clube em três campeonatos importantes.
Infelizmente, a equipa acabou por ver dois deles escaparem-lhe. E pode não ficar por aqui.
Só falta perder a taça da Liga para o futuro que era brilhante se embaciar completamente.
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