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Inteligência multiplicadora

por Tempos Modernos, em 29.05.13

Além da manifesta incompetência e da crença religiosa numa sociedade a tender para o escravocrática e sem direitos sociais, demonstram ter em fraca conta a criatividade e esforço que serão postos na sabotagem de medidas do género.

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publicado às 15:49

 

(Foto: abola.pt)

 

É oficial. Passei a achar que não ganho o suficiente para fazer compras nos supermercados de Belmiro de Azevedo.

 

Desde o 1º de Maio do ano passado (ou da sua ida para os Países Baixos, para fazer pela vida, o que tiver sido primeiro) que não entro num estabelecimento de Alexandre Soares dos Santos. Com Belmiro tem a subida honra de oscilar entre os primeiros postos das pessoas mais ricas de Portugal, gente a quem a crise tem sorrido e dado oportunidades.

 

Se fechassem as lojas não se perderia grande coisa.  Não produzem bens transacionáveis e ninguém acredita que não abrissem no seu lugar outros estabelecimentos onde os portugueses pudessem fazer compras e que lhes contratassem os actuais e  - se calhar inferindo abusivamente - mal pagos empregados. 

 

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publicado às 08:23

 

 

(Foto: rotekulturlinks.de)

 

Angela Merkel tem um futuro terrível. A história reserva-lhe um papel cruel como a mulher estúpida e ideologicamente fanática que conduziu todo um continente para o abismo económico, cercado de gauleteirs igualmente estúpidos e submissos. Da história desta crise não constará a redenção. E é inútil remar em sentido contrário, como se continua a fazer na agenda noticiosa. Os jornais falharam a crise e passam diariamente ao lado da história enquanto se dedicam à propaganda dos interesses dos seus proprietários. 

 

Há dias, Angela Merkel anunciou o mercado único europeu do trabalho, uma coisa que se está a construir num processo que "durará anos, talvez décadas". É fácil de explicar como funciona a brilhante ideia da governante alemã. Primeiro, destroem-se as economias dos países do sul. Terraplam-se direitos sociais e esmagam-se os salários. Depois, essa mole de gente empobrecida emigra Europa fora - com a vantagem de que boa parte dessa gente é, hoje, profissional e academicamente qualificada. Qualquer melhoria salarial em relação ao país de origem será encarada como uma benção.

 

E quando esses milhões de trabalhadores, não tão bem pagos quanto isso, forem em número suficientemente alto nos países de destino, nas Alemanhas e quejandos, os salários locais acabarão pressionados pelos valores mais baixos dos igualmente qualificados trabalhadores do sul. E a compressão salarial que hoje se sente em Portugal, na Grécia, em Espanha, será então sofrida na pele pelos empobrecidos trabalhadores alemães. 

 

Pelos mesmos trabalhadores alemães que hoje votam em Angela Merkel  e que se queixam de andar a trabalhar para os preguiçosos e corruptos parceiros lisboetas, atenienses e madrilenos. Nem nessa altura perceberão como se deixaram embarcar numa narrativa ideológica, falsa e fanática que visava transformar o estado de bem-estar social europeu numa coisa capaz de competir com a selvajaria social chinesa.

 

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publicado às 11:01

Demagogia e análises superficiais

por Tempos Modernos, em 22.01.13

Jorge Fiel  não consegue entender que os maquinistas da CP tenham direito a 18 subsídios diferentes.

 

Explico devagar para que não subsistam dúvidas. Se alguém que fez economia no jornal Expresso não percebe a coisa há que ter algum cuidado pedagógico.

 

Muitas empresas preferem oferecer subsídios aos funcionários em vez de lhes aumentar o salário.

 

Por regra, os salários costumam ser actualizados todos os anos. Já não há tantas reclamações se nada acontecer com os subsídios.

 

Depois, não fazendo os subsidios parte da massa salarial fixa da empresa pode sempre ser arrumada noutro lado qualquer, por conveniências contabilísticas. Ou permitir calcular indemnizações mais baixas quando der jeito despedir.

 

O empregado fica satisfeito durante uns anos. Se não lhe aumentam o salário base tem ao menos o acrescento dos subsídios. Esquece-se é que quando as coisas apertam há sempre quem lhes retire os suplementos deixando-lhe o salário base, muitas vezes pouco compensador quando não miserável. E, entretanto, fica nas mãos de todos os demagogos que aparecem nos jornais e em partidos políticos.

 

 

 

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publicado às 09:36

... é acabar com os subsídios. Como, aliás, se disse aqui atempadamente, como a CGTP acusou e como anteontem vincava Isabel Moreira - deputada que nem sequer entrou pela esquerda no grupo parlamentar do PS.

 

A "razoabilidade" dos mais fracos (em casos claros, a tibieza, cumplicidade ou mesmo intencionalidade) parte a corda sempre para o mesmo lado. Aceitar o pagamento dos subsídios em duodécimos apenas vai permitir baixar mais os salários prosseguindo o desígnio do país de baixo custo terceiro-mundializado.

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publicado às 18:48

O PS segundo os Moreiras

por Tempos Modernos, em 28.12.12

 

 

(Foto: m.publico.pt)

 

 

Enquanto à esquerda se prossegue sem dar indicações reais ao eleitorado de que se pode contar com ela na governação, no Partido Socialista vive-se alinhado com o habitual. Com a lógica e alianças que conduziram o país ao ponto em que está.

 

Ontem, apenas quatro parlamentares do PS votaram contra o pagamento em duodécimos de metade dos subsídios de férias e de Natal no sector privado. Seis abstiveram-se. Os restantes votaram ao lado da maioria que suporta o Governo, de onde veio a ideia.

 

A deputada Isabel Moreira tem andado muitas vezes desalinhada com o PS. Foi uma das que votou contra. Mais uma vez o grupo parlamentar do Partido Socialista não contou com o seu voto. A justificação é límpida: "O que aqui está é o abrir da porta para a eliminação dos subsídios, os quais, sendo remunerações, são direitos fundamentais."


No PS não se entende a coisa da mesma maneira. Tal como não se entendeu quando Vieira da Silva agravou o Código do Trabalho de Bagão Félix. Ou como quando, já com Passos Coelho, otou a favor de mais alterações ao mesmo diploma. No essencial, desde Bagão Félix que se tiram direitos aos trabalhadores transferindo-os para o lado mais forte da relação laboral. Sempre com os votos favoráveis do PS.

 

Ao contrário do que alguns defendem, nenhum partido português é imprevisível. São todos aliás de uma previsibilidade notável. Bem pode o PS apresentar no comentário publicado dezenas de pontos de vista contestando a austeridade do Governo PSD/CDS-PP. Quando se trata de votar questões ligadas às questões salariais e das relações de trabalho - assuntos matriciais num partido socialista -,  o PS tem sistematicamente votado ao lado dos partidos da Direita. Mesmo quando - é o caso agora - o seu voto contrário em nada impediria a aprovação da medida.

 

Em recente entrevista ao Diário de Notícias, Vital Moreira considerou um equívoco aquilo que designou como "flirt" do PS com os partidos à sua esquerda. Apenas mais um ponto de vista semelhante a outros que tem manifestado. E todos bastante mais adequados ao sentido geral de actuação do PS do que os de Isabel Moreira, uma das deputada que vai dizendo coisas de esquerda aos eleitores. 

 

 

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publicado às 11:10

O efeito pimba

por Tempos Modernos, em 22.09.12

 

(Foto: radiocampanario.com)

 

A TSU teve o condão de despertar uma grande maioria de portugueses para a injustiça  da governação do PSD/CDS-PP e da presença da tróica. Foi quando perceberam que lhes iam aumentar os descontos para a reforma não para fazer face às dificuldade da Segurança Social, mas para transferir o dinheiro obtido para as contas dos seus patrões.

 

Acordou-se. Em todos os quadrantes ideológico. Em todos os sectores profissionais. Mais vale tarde que nunca. Só que há um problema. É que o esbulho, que outro nome se lhe pode dar?, não é de agora. E continua.

 

Já há muitos anos que os portugueses andam a transferir o seu dinheiro para o bolso dos patrões. Conheci muitos e muitos estagiários, licenciados, a quem os pais pagavam para trabalhar. Vindos de fora de Lisboa, alguns ganhavam menos que o salário mínimo, insuficiente para fazer face às despesas com transportes, alimentação e habitação, e trabalhavam às dez e doze horas diárias. Isso não impedia que chefias recebessem anualmente prémios de dezenas de milhares de euros pelo sucesso comercial do empreendimento ou que o patrão pudesse perder 50 milhões de euros em bolsa. E nem falo do meu caso.

 

Sucessivos códigos laborais (de Bagão Félix, de Vieira da Silva, de Pedro Mota Soares, CIP, CCP, CAP e UGT) aumentaram o tempo de trabalho, flexibilizaram-no, acrescentaram-lhe mais meia-hora, cortaram feriados, desvalorizaram o valor das horas extraordinárias e do trabalho suplementar, esmagaram indemnizações, desestruturaram vidas familiares e atiraram as mais valias resultantes da coisa para o bolso de patrões, que nem por isso contrataram mais gente.

 

No fundo, é o efeito pimba. O gosto está por educar e o óbvio vence. Isso explica o sucesso de Tony Carreira em contraponto com, por exemplo, Amélia Muge, uma compositora de excepção. Só quando a coisa se torna muito evidente é que a população a percebe.

 

 

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publicado às 10:37

Esquizofrenia partidária

por Tempos Modernos, em 16.09.12

 

(Foto: Público)

 

No bipolar Causa Nossa, Vital Moreira recupera o velho mantra do PS de que foram o PCP e o BE que provocaram a queda de Sócrates e a chegada de Passos Coelho ao Governo ao não aprovar o PEC IV. Tirando para efeitos de guerrilha partidária e de exarcebamento interno, é absolutamente peregrina a ideia de que comunistas e bloquistas devam ser uma espécie de tutores de outro partido.

 

Os três pacotes de estabilidade e crescimento anteriores tinham sido já chumbados pelos partidos à esquerda do PS e aprovados pelo PSD e pelo CDS-PP. Seria natural que fosse junto destes que o PS voltasse a recolher apoios. Se queria os votos à sua esquerda, teria de ter adaptado o quarto pacote. Não o fez.

 

No Causa Nossa, blogue de que é co-autor com Ana Gomes, Vital Moreira, o candidato derrotado por Paulo Rangel, do PSD, nas últimas europeias, insurge-se contra o PCP e o BE por "exigir[em] que o PS faça coro com ele" pela queda do Governo do PSD/CDS-PP. Diz haver "companhias que comprometem... "

 

Talvez tenha razão. Num partido onde a maioria dos militantes e simpatizantes se declaram de esquerda pontos de vista como este outro, uma manifesta deriva do antigo líder da bancada comunista, algo dirá sobre a ambiguidade das companhias em que o PS tantas vezes anda, entre o duríssimo discurso de João Galamba e a abstenção nas últimas alterações ao Código do Trabalho.

 

A questão é meramente académica e até admite uma resposta positiva, mas, na linha da pergunta lançada por Vital Moreira ao CDS-PP, a interrogação é legítima: pode o PS estar na oposição e ao mesmo tempo apoiar este Governo?

 

Ontem, os três partidos (e não só. Estavam lá muitos eleitores do PSD e do CDS-PP) desfilaram lado-a-lado entre a Praça José Fontana e a Praça de Espanha. Dia 29, na manifestação convocada pela CGTP, alguém arrisca previsões?

 

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publicado às 12:47

Sauve qui peut*

por Tempos Modernos, em 15.09.12

Na feliz expressão de Ana Sá Lopes, Portas tenta "convencer-nos de que fuma «troika», mas não inala".

 

É o salto em frente que mais do que fragiliza a coligação em dia de enormíssima manifestação. Portas é aquele fulano que fica sempre bem na fotografia e há sempre quem se preste a ajeitar-lhe o cabelo e a sacudir-lhe o pó do blazer.

 

*Título roubado a Lawrence Durrel, num dos seus volumes dedicado às cenas da vida diplomática (e afinal o que é que está fazendo o ministro dos Negócios Estrangeiros?)

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publicado às 23:45

Os filhos-da-puta ou Os bois pelos nomes

por Tempos Modernos, em 03.09.12

 

 

Ou um título sem nenhum laivo populista e até com bastante tento na língua.

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publicado às 20:42


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