Saltar para: Post [1], Comentar [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Ainda não se viu bem o que é que eles querem?

por Tempos Modernos, em 08.11.15

Os jornalistas de política a merecer respeito dos leitores esgotam-se, quase de certeza, em menos de uma mão. Estão longe de servir a informação e depois admiram-se com as vendas e com os falhanços.

 

Nas últimas semanas, quase tudo tem servido para noticiar dificuldades negociais entre os partidos da esquerda parlamentar: Dos excessos revolucionários do BE e da CDU, da profunda divisão e oposição interna socialista, do protagonismo de Catarina Martins, da subida do salário mínimo para seiscentos euros já a partir de amanhãzinho cedo, do não conhecimento atempado de um programa, da ausência de ministros dos partidos contrários aos compromissos internacionais do Estado português, do excesso de moções de rejeição e de acordos a assinar, da demora das negociações. O Governo de esquerda corre o risco de chegar e os jornalistas não darem por ele.

 

Um jornal de referência terá mesmo conseguido desencantar um dirigente comunista capaz de dizer que Costa não tinha condições de ser primeiro-ministro por não ter vencido as eleições. Outros interpretaram estados de alma e garantiram o descontentamente dos eleitores do PS, BE e CDU com as negociações à esquerda, pouco interessando que sondagens feitas entretanto nada sugerissem quanto ao tão propalado e anunciado desencanto.

 

Na sexta-feira, o PCP emitiu um comunicado dando conta do fecho do acordo com o PS. Foi preciso esperar pelas três quase em ponto da tarde de ontem para que os órgãos de comunicação - pela mão de Paulo Pena, um dos poucos jornalistas políticos que vale a pena ler - começassem a reparar, timidamente, no que dizia o comunicado:

 

Estão "reunidas as condições para [...] a adopção de uma política que assegure uma solução duradoura."

 

Andou Cavaco a exigir uma solução estável, comentadores garantindo ser melhor um governo da direita por dez dias do que um governo viabilizado pela esquerda durante um ano e meio, e quando um dos partidos excluíveis do sistema fala em "solução duradoura", o esmagador e ruidoso grosso dos jornalistas  de política nem sequer reparou na frase.

 

Agora, a comissão nacional do PS aprovou por esmagadora maioria o resultado das negociações da esquerda e o programa de um Governo já cá está fora; o BE aprovou o acordo com os socialistas; os Verdes - que noutras circunstâncias teriam já sido dados como uma simples correia de transmissão comunista - já deram o aval a uma solução de Governo dirigida por António Costa. E, mesmo assim, ainda há quem mantenha a esperança e sonhe com o colossal  recuo que hoje há-de sair da reunião do comité central do PCP.


 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 11:49


Comentar:

Mais

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.



Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D