Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Tretas jornalísticas

por Tempos Modernos, em 02.06.13

 

Trabalhei numa revista que adorava publicar estudos e inquéritos. Cenas que cheirassem a sexo, drogas, escândalo, fumos de mexeriquice preferencialmente legitimados com ferrete académico.

 

Infelizmente, a referência também não lhes foge. Este traz a chancela de uma cadeia de hotéis e não indica números.

 

Não sei que idade terão os estudantes quando se começa a falar de Shakespeare no ensino britânico. Acredito que seja ao menos semelhante aquela que terão os alunos portugueses quando se começa a falar de Camões. Ou seja, pelo 9º ano, quando as turmas são maioritariamente constituídas por adolescentes com 14 anos de idade.

 

Se fosse em Portugal, metade da faixa estária escolhida para o estudo hoteleiro teria ouvido falar de Camões, quanto mais não fosse obrigada pelos programas da escolaridade obrigatória. Com jeito admitir-se-ia que entre os 11 e os 13 anos, um número razoável tenha ouvido falar em Camões.

 

Deve ser exactamente o que se passa em Inglaterra com William Shakespeare. Talvez bastasse uma voltinha na net para perceber que a obra do dramaturgo continua presente nos programas escolares do Reino Unido, talvez bastasse um módico de incredulidade para desconfiar da esmola excessiva, talvez alguém que editasse os artigos e barrasse a publicação de lixo. Mas não se espere que se continue a fazer jornalismo quando se desiste de empregar jornalistas.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 20:15

Finalmente, o Camões para Dalton Trevisan

por Tempos Modernos, em 21.05.12

 

Diz a má língua curitibana que Trevisan não se flagra na rua, sempre fechado em casa. Há décadas, recusando contactar o mundo,

 

Brasileiro de origem polaca, nascido em 1925, licenciado em Direito, Dalton Trevisan faz contos curtos, despojados. Procura, lembrou Fernando Assis Pacheco, no prefácio ao Cemitério de Elefantes*, a concisão do Haikai, poemas japoneses de três versos.

 

Anacoreta, o óbvio Vampiro de Curitiba, título de um dos seus livros mais conhecidos, anda mais do que escassamente publicado em Portugal, como aliás a maioria dos escritores brasileiros que interessam.

 

É literatura para quem gosta de literatura. Silenciosa, exacta, rigorosa. Páginas brevíssimas, intensamente preenchidas. Crueldade, vidas rarefeitas, ternura destruída.

 

Há anos que receava que o Camões passasse ao seu lado, que o deixasse ir sem dar por ele. Os portugueses nem sabem o que ali está.

 

* É o único livro do autor publicado em Portugal. Neste momento nem sequer está disponivel no catálogo da Relógio de Água. O resto que se vai apanhando é em edições brasileiras.

Autoria e outros dados (tags, etc)

publicado às 14:57


Mais sobre mim

foto do autor


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.



Arquivo

  1. 2018
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2017
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2016
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2015
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2014
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2013
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2012
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2011
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D