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Catita ver Raquel Abecassis perorar acerca da pós-verdade, palavra do ano para o dicionário Oxford.
A jornalista da Rádio Renascença, no auge da dúvida que assolou Cavaco Silva quanto a pedir a António Costa que tentasse formar Governo, escreveu doutoral que em Portugal a Constituição fazia com que se levasse muito tempo a formar Governo. Bastava conhecer o articulado da Lei Fundamental para perceber que não era dessa banda que vinha o empatar da nomeação.
Pós-verdade é a ideia falsa assumida como verdadeira apenas por se adequar às nossas convicções. Alguma diferença entre uma pós-verdade e o que a jornalista disse acerca da Constituição e o tempo de formação do Governo?
Um muito razoável número de analistas fala da vitória de Donald Trump como resultado da arrogância “das elites progressistas”. É por exemplo o ponto de vista do ex-presidente da fundação do Pingo Doce.
Mas e quanto ao discurso racista, sexista, homofóbico e por aí fora do candidato republicano e dos seus apoiantes? Existe uma equivalência de grau e de qualidade?
Nestas grelhas de análise, torna-se complicado perceber o modo como se qualificam os discursos acerca dos comportamentos sociológicos. Arrasar o carácter de minorias e acusá-las dos males da sociedade é ou não é arrogância? Existe, de facto, uma elite progressiva arrogante? E a minoria bronca é mesmo uma minoria e estará, de facto, destituída de voz?
Vem no Diário de Notícias e não vem assinado.
Diz-se na peça que
Ora, foi Paulo Portas a designar por Geringonça o governo de António Costa.
O então presidente do CDS-PP aproveitava para soundbite o título de uma crónica de Vasco Pulido Valente acerca das primárias do PS. E usava o termo com intenções de provocação e de combate partidário. Intenções legítimas, mas intenções dele.
Os jornalistas podem ter as preferências partidárias que quiserem. Mas designar o Governo por um termo utilizado com propósitos de achincalhamento, mostra o nível indigente da reflexão dos meus camaradas de profissão.
Já é outra questão. Mas também é grave que boa parte dos jornalistas use sem qualquer premeditação um termo criado com intenção insultuosa, Isto evidencia de modo ainda mais grave um certo estado cultural da corporação. Como bem lembrava António Guerreiro há um par de semanas," mais importante e necessário do que denunciar o que o jornalismo esconde, é analisar e criticar o que ele exibe".
É a segunda vez, em pouco tempo, que vejo mal atribuída a Woody Allen a frase "Conhecia-a antes de ser virgem".
Santana Castilho usa-a como título de artigo "Conheci o PS antes de ser virgem", referindo-se ao papel do partido no sector da educação. Termina o comentário atribuindo a ideia a Woody Allen.
Ora, a frase tem origem hollywoodesca, sim, mas é mais antiga. E refere-se orginalmente a Doris Day, uma das louras de Alfred Hitchock, o cineasta com quem trabalhou em O Homem que sabia demais e a quem também já vi a frase atribuída.
O autor da frase terá sido Oscar Levant, o sarcástico e demolidor pianista de Um Americano em Paris. Em The memoirs of an amnesiac, a autobiografia que publicou em 1965, recorda a sua última participação num filme da Warner. Fora em 1948, em Romance no Alto Mar, de Michael Curtiz. "Foi o primeiro filme de Doris Day; isso foi antes de ela se tornar virgem", escreveu.
Um jornalista desses que comentam nos jornais em moldes engraçadinhos admira-se com a descoberta de que uma casa exposta à luz do sol faz subir os impostos.
Estranho que o também artista televisivo nunca tenha percebido que uma casa exposta à luz do sol é vendida por preços mais altos - o que implica outro valor patrimonial do imóvel.
Deve ser por eu ter todas as faces do apartamento expostas ao sol e que por causa da altura a que moro pagar há muitos anos mais de condomínio que todos os outros apartamentos do prédio com a mesma área. Estou duplamente tramado, mas o jornalista multiempregado é que reclama.
A confirmação deste postado, cinco meses depois.
de Ferreira Fernandes
*A paragrafação foi editada
Não basta, mas os bons órgãos de comunicação social caracterizam-se pela expressão do contraditório e do pluralismo.
Pelo menos é o que achará quem tenha seguido o que se foi dizendo da solução de Governo liderada por Costa.
(Fonte: rtp.pt)
Tirando nos jornais mais populares, a morte de António Borges ocupa grande espaço nas primeiras páginas da imprensa generalista e económica de hoje. Mas não parece que o assunto tenha sido tratado do modo que realmente mais interessou leitores e espectadores.
A vida épica e os elogios vindos de gente que lhe foi ideologicamente próxima, como o amigo Marcelo Rebelo de Sousa, ontem na TVI, Cavaco ou Christine Lagarde contrastam com a escassez ou mesmo falta de depoimentos de outras bandas.
Mas com o que as primeiras páginas - e até directos televisivos do velório na Basília da Estrela, dando conta da presença de Vítor Gaspar, Alexandre Soares dos Santos, Fernando Ulrich ou Miguel Relvas - contrastam mesmo é com as redes sociais e caixas de comentários online dos jornais.
Ontem à noite, havia mais de “gosto” no Facebook para a notícia do Diário Económico dando conta da morte do ex-vice-presidente de Manuela Ferreira Leite e consultor para o processo de privatizações e renegociações das parcerias público-privadas do Governo de Passos Coelho e Paulo Portas.
Num jornal cujas vendas se ficam pelos cerca de quatro mil exemplares diários, bastava abrir uns quantos desses “gosto” para perceber que a tónica dos comentários na rede social eram de regozijo. O homem, que alguns jornais chegaram a tentar vender como primeiro-ministeriável, foi em larga medida tratado nas redes sociais e nos comentários online dos jornais como um indivíduo egoísta e sinistro, mesmo criminoso.
No Diário de Notícias, os comentários de leitores ultrapassaram as sete centenas, o grosso no mesmo sentido dos “gosto” no Facebook. No DN são bastante ciosos da não moderação dos comentários, mesmo quando aquilo se assemelha a um esgoto – o mais das vezes. E, no entanto, esta manhã, a caixa que permite aos leitores expressarem a sua opinião tinha desaparecido das notícias em linha (escapou o editorial) que referiam a morte de Borges.
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