13
Out 16
publicado por Tempos Modernos, às 10:12link do post | comentar

Tinha este postado pendurado já há algumas semanas. Continua a fazer sentido no dia em António Guterres é confirmado no cargo de secretário-geral pela Assembleia Geral das Nações Unidas. Publico com alguns acresentos. Para memória futura.

 

«Primeiro, Durão Barroso desmentiu ter promovido junto do Clube Bilderberg a candidatura de Kristalina Georgieva, a búlgara vice-presidente da Comissão Europeia, a secretária-geral da ONU, em detrimento de António Guterres.

 

Depois, o ministro dos Negócios Estrangeiros alemão desmentiu que Angela Merkel tivesse feito a promoção da búlgara de junto de Putin, durante uma eunião do G20.

 

Há dias, Paulo Rangel  lembrou-se de dizer que o ruído da Comissão Europeia em torno da ida de Durão Barroso para a Goldman Sachs, servia para boicotar a candidatura de António Guterres a secretário-geral das Nações Unidas - um nexo de causalidade curioso.

 

[A ligação encontrada por Rangel - Comparar e confundir carne do lombo (Guterres) com a carne que serviram aos marinheiros do Potemkime (Durão Barroso) - não lembraria ao diabo. Lembrou ao eurodeputado português. Então vocês não reparam no tipo de gente que Portugal tem?, cantou espalhando lama por toda a parte.

 

Depois recuou, mas] Paulo Rangel foi eleito pelo PSD que no Parlamento Europeu pertence ao grupo popular europeu, a família política de centro-direita de Durão Barroso, Angela Merkel e Kristalina Georgieva.

 

As manobras do PPE para tramar Guterres foram bastante ruidosas e tiveram direito a alertas como os de Francisco Seixas da Costa» [O embaixador, antigo secretário de Estado dos Assuntos Europeus e representante de Portugal na ONU, alertou dias mais tarde para o papel desempenhado na candidatura de Kristalian Goergieva por outro eurodeputado do PSD, Mário David. O secretário de Estado de Passos Coelho recusou então receber lições de patriotismo. Mas, se calhar, devia.

 

Teoricamente tem razão. Ninguém é mais ou menos patriota por apoiar ou deixar de apoiar um português para um cargo internacional. Muitos, logo de entrada, nunca viram motivos para apoiar Barroso na Comissão Europeia. O devastador rasto da sua passagem de dez anos por Bruxelas dão-lhes inteira razão.

 

O problema é que Mário David mistura várias coisas. A eleição de Kristalina Gergieva é do domínio do internacionalismo monetário e não do da pátria. Nada tem a ver com patriotismo ou com um empenho nacional declarado como aconteceu com Guterres. A mesma falta de transparência existiu aliás com Durão Barroso, cuja eleição foi secretamente cozinhada em directórios mundiais após a cimeira das Lajes.

 

E David escusava de justificar o seu papel na candidatura da amiga Kristalina com o desconhecimento das intenções de António Guterres, dizendo julgá-lo candidato presidencial. É distracção a mais. Há vários anos que Guterres negara querer entrar numa futura corrida a Belém. E há muito que era conhecida a sua vontade de ocupar o lugar de secretário-geral da ONU.

 

Mário David e outros fizeram parte de um frente estrangeira e europeia. A Alemanha fez força, coadjuvada por democratas tão pitorescos como os que governam a Húngria e tão musculados como os que estão à frente da Polónia. Com vários candidatos de países da União Europeia na corrida ao lugar de secretário-geral da ONU, a Comissão Europeia assumia um papel de não neutralidade, apoiando uma sua vice-presidente a quem deu licença sem vencimento - apesar dos compromissos de continuidade no cargo assumidos pelos comissários europeus. E Junckers andou mesmo em visitas de promoção de Kristalina Georgeva.

 

Espantoso, como vincou Jorge Sampaio.] 

 

 


30
Jul 16
publicado por Tempos Modernos, às 13:56link do post | comentar

O comissário europeu para a economia digital, o alemão Oettinger, "reconheceu que no debate das sanções [a Portugal e Espanha] uns e outros tentaram passar a «batata quente» e destacaram a necessidade de evitar que os partidos políticos desempenhem um papel cada vez maior na Europa."

 

Ou seja, um grupo de tecnocratas não eleitos quer evitar que os partidos eleitos pelos cidadãos europeus tomem decisões sobre a Europa. É isto, não é? O resto da notícia é mais do mesmo.


13
Jul 16
publicado por Tempos Modernos, às 11:03link do post | comentar

Do ponto de vista do interesse português, mais essencial que o passa-culpas pela responsabilidade do défice será escapar às sanções. Mas há um certo discurso jornalístico que insiste em penalizar o Governo apoiado pela esquerda parlamentar por não estar a aplicar outro Orçamento em 2016.

 

Dizem jornais (não podem dizer que não sabem) que Portugal e Espanha "irão ser alvo de sanções por não terem adoptado «medidas eficazes» para corrigirem os défices excessivos". Dizem mais. Dizem que os dois países não terão "tomado medidas suficientes para reduzir o défice em 2014 e 2015".

E, no entanto, quando ontem António Costa prestava declarações acerca das conclusões saídas do Ecofin, uma jornalista perguntava-lhe se conseguia "garantir que os argumentos a apresentar à comissão europeia das boas intenções do governo não passarão por medidas adicionais".

 

Costa respondeu-lhe, mas a resposta é tão evidente que não se percebe o sentido da pergunta: Que medidas adicionais em 2016, poderão reduzir o défice até 2015, aquele  que a Comissão, o informal e ambíguo Eurogrupo e o Ecofin disseram querer sancionar?

 

O discurso várias vezes repetido pelos responsáveis europeias fala das metas falhadas de 2015, mas um grupo grande de jornalistas insiste em sanções que dizem respeito à execução em curso para 2016.

 

Terão as suas fontes? Se assim é, constituirá ingerência de entidades externas na política portuguesa e nas escolhas democráticas de um governo e do seu apoio parlamentar. E essa é uma questão que nesses exactos termos parece passar ao lado de muitos jornalistas portugueses - pelo menos dos que mandam a estas coisas.


08
Jul 16
publicado por Tempos Modernos, às 11:47link do post | comentar

Por um destes dias, Pierre Moscovici foi barrado por jornalistas que lhe perguntaram das sanções contra Portugal e Espanha. O comissário europeu para os assuntos Económicos e Financeiro respondeu-lhes que "as regras dev[ia]m ser aplicadas de forma inteligente". 

 

Não ocorreu a ninguém perguntar se existe inteligência na Comissão Europeia. É que num mercado que funciona por representações e expectativas, Bruxelas vem mantendo ao longo de meses as economias ibéricas sob os holofotes mundiais.

 

 


03
Jul 16
publicado por Tempos Modernos, às 18:57link do post | comentar

"Temos de punir os pecados do passado, mas com o olho numa futura redenção”, justifica uma fonte da Comissão Europeia a antecipar três semanas que Bruxelas dará a Portugal e Espanha para tomarem medidas que lhes permita cumprir o défice de 2015.

 

O articulado traz ranço protestante, uma linguagem de castigo e provação. Uma crença fundamentalista no divino do velho Testamento que lhes justificará a ideia omnipotente de que dois países possam actuar retroativamente sobre contas passadas.

 

Ontem, Marcelo Rebelo de Sousa afirmava não se dever aplicar nenhuma sanção ao "Governo de Passos Coelho, porque não merece", nem ao "Governo de António Costa porque, na pior das hipóteses, ainda não merece, ou nunca merecerá".

 

O que a Comissão Europeia promete é castigar o actual primeiro-ministro pela governação daquele que lhes seguiu (com gosto) as imposições. A juntar à vontade várias vezes anunciada, há as estranhas declarações de Maria Luís Albuquerque: Se fosse ela a ministra das Finanças o país não sofreria sanções.

 

Como foi sob o seu exercício que o país falhou o défice que pode provocar as sanções, não deve ser de especial competência que Maria Luís se gaba. Do que a ex-ministra se fia é de a Comissão Europeia ser constituída maioritariamente por parceiros europeus do PSD e do CDS-PP. E esses preferem ajudar os seus e fazer a folha a um governo apoiado por uma maioria de esquerda que tem apresentado bons resultados em termos de execução orçamental.

 

 


30
Jun 16
publicado por Tempos Modernos, às 12:31link do post | comentar

Subir Lall falhou sem explicações a reunião que tinha marcada com o Conselho de Concertação Social (CCS). No seu lugar mandou uns senhores que ninguém sabia quem eram, mas que ouviram e tomaram nota.

 

Da próxima, o chefe de missão do Fundo Monetário Internacional corre o risco de que - ao menos uma das centrais sindicais - mande um dos seus administrativos à reunião. Lall bem se pode justificar com uma falha de comunicação. Quem acredita que tanta gente, e de interesses tão divergentes, tenha ido ao engano a uma reunião do CCS que afinal era outra coisa?

 

Todavia, nem tudo foi tempo perdido em mais uma actuação do FMI em Portugal. Enquanto por aí andava, Subir Lall aproveitou para deixar recados acerca da política económica e social do governo. Com um sentido de oportunidade curioso, antecipava o tom e conteúdo das declarações de Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças alemão. E vincava a vontade sancionatória da comissão bruxelense.

 

 


19
Mar 13
publicado por Tempos Modernos, às 20:46link do post | comentar

O parlamento cipriota recusou em bloco a medida de sequestro bancário e das poupanças decidida na sexta-feira no âmbito do Eurogrupo.

 

Ainda não é certo que exista inteligência entre os governantes da zona euro, mas pelo menos evidenciaram um módico de instinto de sobrevivência. À última hora acobardaram-se com a jerica ideia


18
Mar 13
publicado por Tempos Modernos, às 22:16link do post | comentar

 

(Foto: jornada.unam.mx)

 

Segundo parece, na sequência da última reunião do Eurogrupo, o ministro cipriota das Finanças acabou por ficar sozinho com os homónimos holandês e alemão discutindo a situação na ilha enquanto òs restantes congéneres andavam pelos corredores**.

 

Terá sido do seio desse triunvirato que saiu a decisão de sequestrar os depósitos bancários cipriotas impondo-lhes uma taxa de 6,7% aos depósitos abaixo dos 100 mil euros e de 9,9% para os depósitos acima desse valor. Depois, a coisa terá sido votada unanimemente pelos ministros das Finanças. O outrora luminoso Gaspar incluído.  

 

Cavaco concluiu bem que "o bom-senso terá emigrado para outras paragens". Bagão Félix viu na ideia a "medida ideal" para acabar com o euro. Se a coisa for por diante, mais ninguém confiará na zona Euro, nem no seu sistema bancário. Um norte-americano, o Nobel Paul Krugman, considerou que a solução apresentada constitui um convite dos governos europeus para que todos os cidadãos corram aos bancos para levantar os seus depósitos.

 

Entretanto, demasiadas horas depois, os omnipotentes alemãs pareceram perceber a cretinice da medida. E, corajosos, lá garantiram nada ter tido a ver com o assunto. Hoje, o ministro alemão das Finanças negou ter sido a Alemanha a impor a taxa sobre os depósitos ao Governo cipriota. A justificação de Wofgang Schauble não evidencia um raciocínio particularmente brilhante: se tivesse surgido outra solução não teria havido problema em apoiá-la, disse. Demasiado curto e poucochinho que alguém com a responsabilidade impositiva de Schauble tenha sido incapaz de entender onde estavam a meter o euro e a União Europeia.

 

As justificações para a medida foram as do costume. Os sistematicamente superavitários contribuintes alemães não teriam de arcar com os desaires dos depositantes russos na banca cipriota. Sempre a questão moral brandida pelos nórdicos, em concreto por estes que pelo caminho que a coisa leva serão os responsáveis pela terceira destruição europeia no espaço de um século.

 

E finalmente chega o que parece ser um recuo. O Eurogrupo terá começado a pensar e talvez já não venha a impor a taxação dos depósitos abaixo dos 100 mil euros, para muita gente as poupanças de uma vida de trabalho.

 

A saída do euro tem de começar a ser pensada. Se o norte não quiser continuar na União Europeia, talvez o sul possa continuá-la com gente com  hábitos e práticas culturais de outra índole. 

 

* Em circunstâncias normais, o título do post seria calunioso. Já não é. Não seria possível que gente impreparada ou até completamente analfabeta em matérias económico-financeiras tomasse medidas mais desajustadas ou mais criminosas do que aquelas que sistematicamente são tomadas pelo conjunto dos ministros das Finanças europeus, vários deles apresentados como académicos e técnicos reputados. 

 

** À versão contada por um director de publicação económica (sem link) junta-se, esta do Expresso, onde se compara o que fizeram e disseram depois vários responsáveis políticos, da Comissão Europeia, do BCE e do FMI incluídos

 


19
Jun 12
publicado por Tempos Modernos, às 10:20link do post | comentar | ver comentários (1)

 

Mas bem que os dirigentes europeus precisavam de umas quantas, como amplamente têm demonstrado na condução da crise, na aprovação de tratados e na nomeação de governantes.

 

Há quem esteja satisfeito com a qualidade da democracia europeia? Há. Mas nunca foi com eles que o mundo contou para avançar em termos de direitos humanos ou para redistribuir a riqueza.


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